Estreia no cinema A Forma da Água: #EuVi

Bárbara Gaia

2 de fevereiro de 2018

No começo dessa semana tive a oportunidade de conferir o filme A Forma da Água, que estreou ontem nos cinemas brasileiros.  Estava curiosa em assistir a esse longa que rendeu a Guilhermo del Toro um Globo de Ouro recentemente.

Já conhecia o trabalho do diretor quando vi O Labirinto de Fauno e lembro que tinha gostado do filme. Então pensei que A Forma da Água seria um filme interessante de assistir e não estava errada.

A Forma da Água
foto: imdb.com

O enredo tem aquele thriller de conto de fadas clássicos da visão de Guilhermo del Toro para contar suas histórias no cinema. A história se passa nos EUA, no começo da década de 60, e começa mostrando a vida rotineira e um tanto solitária de Elisa.

 A Forma da Água
foto: imdb.com

Ela é zeladora em um laboratório e tem apenas como amigos o seu vizinho Giles, um artista plástico que tem enfrentado a falta de oportunidade de trabalho devido ao vício que tinha em bebidas e Zelda, interpretada pela talentosíssima Octavia Spencer, sua colega de trabalho que a ajuda na comunicação com as pessoas, pois Elisa é muda.

Um dia, durante uma limpeza rotineira em uma das salas, Eliza e Zelda se deparam com a chegada de um novo cientista, Dr. Robert Hoffstetler, e sua descoberta: uma criatura, parte humano, parte anfíbio. A pesquisa, liderada pelo cruel e praticamente um sociopata, Richard Strickland, teria como intuito explorar as características dessa criatura para incorporar “seus poderes” aos militares e astronautas.

A Forma da Água
foto: imdb.com

Acontece que Elisa fica intrigada com essa criatura e quer conhecê-la. Começa dividindo seu lanche e depois tocando suas músicas preferidas enquanto limpa o laboratório. Uma conexão imediata entre os dois acontece e da curiosidade, surge a amizade, que surge o afeto e quando Elisa se dá conta, está apaixonada pela criatura.

A Forma da Água
foto: imdb.com

Ao ver os rumos que essa pesquisa está indo, resolve libertar a criatura e devolvê-la ao mar e pede ajuda ao seu vizinho para bolar um plano para tirar ele do laboratório. Assim Elisa enfrentará uma série de obstáculos: de um lado o governo e Richard Strickland que vê a criatura como um mero bicho que está lá para responder às perguntas feitas pelos militares. De outro seu próprio coração porque uma vez que ele for para o mar, ela nunca mais irá vê-lo.

A Forma da Água é um tipo de filme feito para quem gosta de uma história que seja contada nos seus mínimos detalhes. Se você prefere uma narrativa mais dinâmica pode achar esse filme um pouco lento mas com o surgimento de uma trama para libertar a criatura o filme vai ganhando uma rapidez típica dos filmes de ação.

A Forma da Água
foto: imdb.com

A relação entre Elisa e a criatura no começo causa um estranhamento, afinal como uma pessoa humana se apaixona por uma criatura marinha? Mas com o decorrer da história você percebe porque isso aconteceu tão naturalmente. Elisa é órfã, muda e acredita que não faz parte do mundo onde vive. De repente encontra alguém com as mesmas características e como a vontade de pertencer a um grupo é uma das características de nós humanos, tudo parece fazer sentido.

O jeito meio lúdico, meio poético dos filmes de Guilhermo del Toro também aparece em A Forma da Água e durante as duas horas que se passa a história você tem uma mistura de sentimentos passando pelo desconforto, pelo entusiasmo, pela tristeza, pela alegria e pela empatia.

Se você quiser conferir A Forma da Água, já está em exibição nos cinemas. Diga depois, aqui nos comentários, o que você achou. 😉

Tive essa ideia depois de assistir a um vídeo no YouTube, produzido pela Warner Music, intitulado “Desafio Tente Não Cantar – Hits do Verão“. Vendo os clipes e ouvindo as músicas escolhidas percebi que 1) não conhecia 90% das músicas e 2) isso se dá por conta dos meus 34 anos e a grande maioria da seleção é para os adorados “xóvens”.

Foi aí que minha mente me levou lá pro meus verões passados e nas músicas que tocavam nas rádios e que dançava e cantava feliz da vida. Então decidi fazer a minha própria lista com as canções que para mim grudaram que nem chiclete e que se tocar hoje estarei eu lá cantando cada verso e fazendo todos os passos da coreografia.

Hits do Verão anos 90 e 2000
Bem-vindo a minha playlist: Eu Sei o que Ouvi nos Verões Passados!

Essa playlist ganhou o nome de Eu Sei o Que Ouvi em Verões Passados e se você tem minha idade vai ser difícil vencer esse desafio do Tente Não Cantar.

Destiny’s Child – Say My Name

Nessa época o pop e o r&b estavam no auge e os grupos também. Só que entre as tradicionais boybands de 5 garotos, surgiu um grupo de meninas que já celebravam o empoderamento feminino em melodias que você não conseguia ficar parada. Essa eram as meninas do Destiny’s Child, lideradas pela diva Beyoncè.

E um desses hits foi Say My Name. Eu fiquei hipnotizada pelo clipe e no seu jogo de cores e passos sincronizados. Comprei o cd, levei para escutar no recreio, uma colega de sala pediu emprestado e nunca mais o vi…#saudades.

Skank – Mandrake e os Cubanos

Eu sempre curti video clipes que pareciam curta metragens e Mandrake e os Cubanos é um prato cheio. Nota dez para a atuação do baterista Haroldo Ferreti como Mandrake e claro para a criação dessa música que duvido não levantar o seu astral.

Stevie B – Spring Love

Ah, os anos 90… As matinês, as festas no play do prédio dos amigos, onde os meninos levavam refrigerantes e as meninas, os salgadinhos. Spring Love, do Stevie B, traz essas boas lembranças com direito a passinhos típicos da época do funk melody, que tocavam direto aqui no Rio pela extinta rádio RPC.

Rouge – Ragatanga

As meninas do Rouge, hoje mulheres da minha idade e que estão preparando sua volta com direito a novo álbum, começaram em um concurso/reality show no SBT chamado Popstar e que eu não perdia 1 episódio sequer.

Quando elas foram as escolhidas para compor o grupo de 5 meninas que o produtor Rick Bonadio estava procurando na época nasceu o Rouge, em um cd rosa todo purpurinado. O hit Ragatanga foi um que grudou mesmo e todo mundo, TODO MUNDO, sabia a coreografia. Impossível não tocar nas festinhas da época.

Copacabana Beat – Mel da sua boca

Essa também faz parte da nostalgia da época de criança. Da época em que a gente jogava queimado e pique bandeirinha na rua e sempre tinha que subir pra calçada quando um carro surgia. Eu tinha duas amigas que, junto com a minha irmã, brincávamos também de fingir que está cantando em um grande show. Aí pegava o som, colocava no play do prédio da avó de uma delas e ficava fazendo os passinhos de alguns hits da época como esse do Copacabana Beat.

Backstreet Boys – Everybody

Eu já citei essa música em outra playlist aqui no blog mas sempre vai valer citar de novo porque se essa tocar eu não consigo ficar parada. Mesmo. De um dia, fazendo meu dever de casa e com a TV ligada no Disk MTV vejo esse clipe, esses garotos e essa batida que conquistou meu coração adolescente.

Britney Spears – (You Drive Me) Crazy

A febre do pop tomou conta de mim durante o ano 2000 e além dos Backstreet Boys, ‘NSync e Five, cantoras como Christina Aguilera e Britney Spears faziam parte da minha coleção de CDs. Eu gostava mais das música da Britney e ficava no quarto me imaginando em um video clipe ou cantando pro meu crush da época que era sempre um amigo (eu era a boba que caia na friendzone) e dançando suas canções. Eu achava que ninguém escutava mas minha família já me falou que foram plateia involuntária algumas vezes. 😂

Deee-Lite – Groove is in The Heart

É tão retrô, tão louco e tão divertido que se torna irresistível! Essa banda era a cara dos anos 90 e não sei o que aconteceu com ela. Mas Groove Is In The Heart está com certeza na minha lista de música para um “Tente Não Cantar e Dançar”.

OutKast – Hey Ya

Outro clássico dos anos 2000 que passou na MTV até dizer chega. A dupla André 3000 e Big Boi tinha o OutKast desde 91 mas foi com Hey Ya, em  2003, que eles alcançaram um sucesso além dos EUA. Eu adorava ver o clipe e curtia o ritmo dos beats meio hip hop, meio pop. Com isso de vez em quando estava eu cantando “shake it, shake it like a polaroid picture” e fazendo o passinho de sacudir os braços.

Mariah Carey – Heartbreaker

Além de eu ter gostado da música, o video-clipe trazia o ator Jerry O´Connell, que também foi um crush da adolescência. Com isso lá estava eu cantarolado Heartbreaker, também tentando imitar a coreografia e pedindo para minha mãe comprar o cd. Ah! E também tem um plus do Jay-Z fazendo seu rap (apesar que na época eu nem sabia quem era…)

Foi muito divertido criar essa lista com os hits de verões passados que com certeza seria beeeeeeem difícil para mim não cantar e dançar. Criei a playlist de Eu Sei o que Eu Ouvi em Verões Passados (quem foi adolescente no ano 2000 vai saber a referência de filme que fiz aqui) no Spotify com todas as músicas que listei nesse post. Até me animei e coloquei outras canções.

E você? Qual seria a sua playlist de verão? Crie e mande o link aqui nos comentários que vou adorar ouvir! 😉

Meu Top 5 filmes de Adam Sandler: #EuVi

Bárbara Gaia

29 de janeiro de 2018

Durante uma conversa com os amigos o nome de Adam Sandler apareceu e sempre percebi uma coisa: tem gente de AMA seus filmes e gente que ODEIA. Um dos meus amigos disse que os filmes de Adam Sandler tem a ver com o seu estado de espírito. Acho que como todo ator/diretor/roteirista tem alguns filmes que são bons e outros que você pensa “aonde ele tava com a cabeça?” Com Adam Sandler não é diferente.

Filmes Adam Sandler

Aí fiquei pensando que tem mesmo alguns filmes dele que se passar na TV eu vou ver sempre, não importa se é pela milésima vez. Isso fez com que eu tivesse a ideia de criar um Top 5 Meus Filmes Favoritos do Adam Sandler e dividir por aqui os meus argumentos.

Vamos lá!

Esposa de Mentirinha

Adam Sandler aqui é um famoso cirurgião plástico um tanto quanto mulherengo que acredita que dessa vez encontrou a mulher dos seus sonhos. Só que uma de suas táticas (bem horrível, diga-se de passagem) é carregar uma aliança de casamento e vir com o papo que está infeliz na relação, vai se divorciar e está à procura de alguém que o faça acreditar de novo no amor (🙄).

Palmer, a mulher que ele acha que está apaixonado, vê a aliança e ele inventa essa história. Mas dessa vez acaba arrastando sua assistente nessa mentira, vivida por Jennifer Aniston, dizendo que ela é sua ex-esposa e que os filhos dela, frutos de um ex-casamento (que no caso dela é verdade), são seus também.

Aí para as crianças concordarem com essa mentira ele leva todo mundo para uma viagem ao Havaí e lá, como Katherine é a única pessoa que ele pode ser quem realmente é e tendo a oportunidade de conhecê-la fora do ambiente de trabalho, acaba descobrindo uma paixão por ela e vendo que o que sentia por Palmer não era assim tão verdadeiro.

O que eu gosto desse filme é a química entre Jennifer Aniston e Adam Sandler e a famosa moral da história que “as aparências enganam”. Já sou fã de Jennifer desde os tempos de FRIENDS então se torna um filme divertido para assistir.

Click

Esse é um tipo de filme que você não imaginaria saindo da mente de Adam Sandler com tamanha carga emocional que traz. Aqui ele é Michael, um arquiteto casado, com filhos, mas um workaholic frenético que quer chamar a atenção do chefe para ser promovido e acaba deixando a vida pessoal, matrimonial e familiar de lado.

Um dia ele entra em uma loja e acaba conhecendo um vendedor que oferece a ele um controle universal capaz de controlar os aspectos de sua vida, incluindo ver o passado e o futuro. Michael parece não acreditar no começo mas vendo que poderia pausar, acelerar e inclusive colocar as pessoas em mudo durante discussões, resolve descobrir como vai ser sua vida no futuro e vê que não vai ser muito bom. Se separa, os filhos mal tem contado com ele e ele se vê sozinho e isolado de todos por conta de sua obsessão com o trabalho. A cena do hospital é de cortar o coração e faz você pensar nas escolhas do seu presente para o futuro.

Gente Grande

Um filme bobo até dizer chega, devo admitir, mas a ideia de ver cinco amigos de infância redescobrindo a amizade depois de anos sem se falar é algo legal de ser ver.

Em Gente Grande, Adam Sandler faz de novo o papel de um cara meio workaholic, mas dessa vez a sua esposa é também, interpretada por Salma Hayek. Os dois têm uma vida afortunada, mas que acabaram esquecendo algumas coisas boas que a simplicidade de quando eles eram crianças tinha.

Durante um reencontro com antigos amigos de infância, Lenny resolve alugar uma casa perto de um lago para relembrar dos bons tempos e tentar resgatar esses valores simples para seus filhos, que só pensam em status. Esse filme mostra que apesar da gente virar adulto, aquela criança que a gente já foi um dia, cheia de sonhos e ideias não some.

Como se fosse a primeira vez

Esse filme, apesar de também ir de vez em quando para um lado mais bobo,  tem uma boa mensagem: “quando você encontra a pessoa que vale a pena, vale a pena fazer ela se apaixonar por você todos os dias”.

Nesse filme Henry (Adam Sandler) conhece Lucy (Drew Barrymore), uma mulher incrível mas com uma história bem complicada. Um dia ela sai para trabalhar e sofre um acidente de carro, fazendo com que sua memória recente fique afetada para sempre e ela não consegue mais guardar situações e momentos dali para frente. Então ela passa a viver o mesmo dia do acidente sempre, tirando a parte do acidente. Com isso seu pai faz de tudo para que ela reviva sempre esse mesmo dia. Acorda com a mesma blusa, tem o mesmo café da manhã no restaurante e sai em direção ao trabalho.

Acontece que Henry aparece nesse cenário e não sabendo a princípio, fica interessado por Lucy. Quando no dia seguinte, ela não reconhece ele, ele acha que tomou um fora mas está decidido a conquistá-la. Ao descobrir o que aconteceu com Lucy decide continuar com a conquista, fazendo com que ela se encante por ele todos os dias, e ele acaba se apaixonando por ela.

É aquele filme que faz você pensar que a rotina de um relacionamento pode às vezes esfriar as coisas mas quando a pessoa vale a pena, o amor sempre fala mais alto e a vontade de estar apaixonado, como se fosse a primeira vez, acaba sempre resurgindo.

Espanglês

Essa é mais uma surpresa de Adam Sandler devido a delicadeza e complexidade de seu roteiro. Assim em Como Se Fosse a Primeira Vez, Espanglês fala sobre a fragilidade dos relacionamentos e como pequenas coisas podem ser tóxicas e botar tudo a perder.

Aqui a gente conhece duas histórias: a de Flor, interpretada por Paz Moreno e a de John, interpretada por  Adam Sandler. Flor é uma imigrante mexicana que está tentando oferecer à sua filha uma boa educação e boas oportunidades de vida nos EUA. John é um chef renomado, casado com Deborah e pai de duas crianças, um menino e uma menina.

A vida dos dois se cruzam quando Deborah está à procura de uma governanta para sua casa. Ao ser contratada para o cargo, Flor percebe que o contato da sua filha com esse novo mundo está fazendo com que ela fique deslumbrada e esqueça dos valores e de suas origens. Por outro lado John está passando por um casamento conturbado, com uma esposa ausente e controladora e, quando descobre que Deborah está tendo um caso, começa a buscar em Flor consolo e afeto, que pode levar também a uma traição por parte dele.

Eu gosto desse filme ao mostrar que atitudes e decisões muita das vezes tomadas automaticamente, outras vezes sem pensar podem mudar completamente, para bom ou para ruim, o rumo de nossas vidas.

Preciso concordar que algumas das criações de Adam Sandler vão para aquela comédia blockbuster e tem algumas piadas meio sem noção, que podem beirar para o ofensivo. Mas algumas vezes ele acerta. Uma coisa que também aprendi é que nada é 8 ou 80. É preciso ver nas entrelinhas e nelas você pode encontrar coisas surpreendentes. 😉

HUJI, app de foto que volta aos anos 90: #EuCurti

Bárbara Gaia

26 de janeiro de 2018

Com o fim de semana chegando é quase certo que apareça algum evento ou passeio que a gente acaba registrando e postando nas redes sociais. Nessa hora tem uns apps bem legais para dar aquele tchã na foto mas confesso que não curto aqueles estilo Photoshop, que imprime uma realidade que não é real (ah! a ironia….). Gosto daqueles que deixam as fotos mais divertidas e festivas. Como é o caso do Huji.

HUJI

Descobri esse app recentemente e achei a ideia sensacional, que é transformar suas fotos naquelas típicas dos anos 90. Quem viveu a infância nessa época, assim como eu, vai lembrar de como era frustrante tirar umas 50 fotos e na hora de revelar (sim, sou do tempo da revelação das fotos…😂) só umas 10 ou 20 ficaram boas.

O Huji já começa a sessão nostalgia no seu layout, lembrando uma câmera fotográfica. Apertando no visor lá do alto à esquerda você tem uma visão total da área para fotografar como um celular normal. Você também pode girar a tela para tirar uma selfie, escolher se quer que a foto receba ou não flash, usar ou não um timer, que vai até 10 segundos, e optar também para o tipo de qualidade da foto.

HUJI-visor

Depois que você “aperta” o botão do canto inferior à direita, aparece um rolo de filme avisando que sua foto está sendo preparada e voilá: tem uma foto bem ao estilo anos 90 feita em 2018!

O app HUJI em um ambiente com muita luz

Eu testei fotos em lugares com muita luz e pouca luz e os ambientes com menos incidência solar ganham mais destaque nos efeitos a lá anos 90. Para guardar a foto em seu álbum do celular é só ir na opção Lab, selecionar a foto e decidir se você quer salvar no álbum ou enviar para suas redes sociais ou para os amigos e família pelo e-mail ou WhatsApp.

O app Huji em um ambiente com menos luz

Ah! Escolhendo o botão do meio, que tem um ícone de três traços, você vai para a área de configuração e pode optar por deixar a foto com data de1998 na imagem.

Curti esse HUJI, ainda mais que é gratuito. 👍

Se você quer voltar também aos anos 90, o app está disponível pelo iOS e Android.

Julian Lage – Arclight: #EuOuvi

Bárbara Gaia

24 de janeiro de 2018

Já falei aqui algumas vezes que nos últimos dois anos tenho escutado muita coisa nova que conquistou meus ouvidos. Bandas, cantores, melodias e ritmos que eu nunca achei que iria ganhar um espaço permanente na minha playlist mas que surpreendentemente (ainda bem!) ganhou. Julian Lage foi um desses músicos.

Casé, meu grande amigo e colaborador desde humilde blog, tem recheado meu Spotify com músicas sensacionais mas dessa vez o mérito desta maravilha musical se deve a outro grande amigo, chamado Nick. Trabalhei com ele durante algum tempo e nesse período me apresentou ao incrível mundo do jazz. Ele que me fez conhecer o Snarky Puppy, que virei fã incondicional, e Julian Lage que agora vou apresentar a você.

Julian Lage
foto: facebook.com/julianlage

Nascido na Califórnia, Julian sempre se mostrou uma criança prodígio. Seu talento fora da caixa rendeu até um documentário intitulado Jules at Eight. O filme gira todo em torno de Julian, com 8 anos, e sua incrível habilidade com a guitarra. No ano seguinte a esse documentário, Carlos Santana convida o menino para um show em sua cidade natal e aos 11 anos Julian entra em estúdio para gravar junto com David Grisman.

Com o passar dos anos Julian se apaixonou pelo jazz e não é de se admirar que passou a se dedicar a aperfeiçoar ainda mais a sua técnica, lançando álbuns de fazer você dizer: “uau!”. O primeiro, solo e sem fazer parte do álbum de outro músico, foi Starpoint, de 2009. Mas o álbum que vou comentar aqui hoje é Arclight (2016), já que foi primeiro álbum dele que escutei.

Arclight - Julian Lage
foto: facebook.com/julianlage

O álbum, como todos os outros, é inteiramente instrumental. Possui 11 faixas em estúdio e mais 5 com apresentações ao vivo, que ganhou outro nome: Julian Lage: Live in Los Angeles.

Fortune Teller tem forte presença das guitarras com um batuque de fundo que acompanha o ritmo de forma primitiva e complexa ao mesmo tempo. Você percebe uma crescente da guitarra como se ela quisesse berrar algo para você. É forte, intenso e bem bonito. Como uma grande tempestade que depois, na calmaria, surge um belo arco-íris no horizonte.

Persian Rug ganha destaque especial porque foi a primeira música dele que escutei. Aqui a bateria bem de leve segue a melodia da guitarra que é também suave mas bem melódica. Parece aqueles riffs tradicionais havaianos, sabe? Se você fechar o olho pode se imaginar em Honolulu. É uma música bem festiva.

Nocture é para quem gosta de uma pegada mais smooth e um tanto quanto sensual. A bateria dá o ritmo de dois pra lá, dois pra cá, com a guitarra fazendo uma verdadeira declaração ao seu objeto de desejo. Parece seguir o ímpeto do coração. Começa delicada e romântica e vai ganhando força no decorrer da canção.

Supera você percebe um sambinha bem tímido mas até que jeitoso no começo da faixa. Tive a impressão de escutar aquele barulho gostoso do afoxé, típico das nossas batucadas made in Brazil com a guitarra também tentando acompanhar esse ritmo.

Em Stop to Start os pratos dão o tom nessa canção, tornando-a meio misteriosa, com o baixo acompanhando a guitarra. Eu tive a sensação de parecer aqueles momentos onde o herói de uma história realmente pára para (re)começar. Onde você deixa a música trazer um flash back das coisas que você fez no passado para pensar nos próximos passos do futuro.

Activate tem uma harmonia completa com piano, guitarra, bateria e pratos. A bateria dá o ar com rebeldia, querendo fazer o que quiser e a guitarra vem para mandar na mesma moeda. O resultado é um mix de sons sem igual.

Presley é uma montanha russa de emoções musicais. Começa tranquilo e depois vai reverberando com uma potência absurda, voltando ao seu estado calmo. Eu gostei deste elemento surpresa porque faz você sentir a intensidade da música tanto em seu ritmo mais frenético quanto em seu ritmo mais acalentador. Não sei se faz uma alusão à Elvis Presley que ora tocava músicas calminhas no violão, ora vinha com seu balançar de pernas em um rock mais animado.

Prospero tem uma bateria mais um vez destemida mas dita o tom de uma marcha em um ritmo que anuncia que algo estrondoso que virá a seguir. A guitarra vai junto desse clamor, se destacando em notas mais altas.

I’ll be Seeing You é aquela magia do jazz que sempre me emociona e faz viajar com meu fone de ouvido. Tem o bater dos pratos bem ritmados, no tradicional ritmo de New Orleans, e a guitarra sendo a estrela total dessa música. Ela parece que está até cantando.

Harlem Blues não é o típico blues de B.B. King e companhia mas tem o seu valor. A guitarra, sempre comandada por Julian, faz toda a diferença guiando os outros instrumentos e tornando essa canção aquela que você escutaria em uma roda cercada de gente feliz e dançando até o sol raiar.

Ryland vem para finalizar esse álbum com chave de ouro, com uma melodia espetacular da guitarra de Julian que parece chorar diante de você, expondo todo seu sentimento, que lembra muito um blues bem característico. Essa sim é daquelas faixas que você escuta e chega a conclusão que Julian Lage é um ás com as cordas.

Em seu site você encontra mais detalhes sobre os primeiros álbuns e uma prévia de seu último lançamento, chamado Modern Lore (2018). No Spotify a música Splendor Riot já está disponível e achei um estilo diferente das músicas de Arclight (2016). Tem um pouco mais de rock na melodia, uma volta de Julian às seus gostos musicais da infância.

Para quem curte uma boa guitarra, tem em Julian Lage uma excelente escolha. Espero que você tenha gostado tanto quanto eu. 🙂

Redes Sociais

Bárbara Gaia

Aqui você vai encontrar tudo que tenho lido, visto, ouvido e curtido ultimamente. Dicas de livros, séries, filmes, músicas, lugares interessantes e mais. Seja bem-vindo(a) ao meu checklist! ;)