Um Corpo no Mundo! O nome do álbum por si só já da indícios do que Luedji Luna quer nos trazer a sua musicalidade e sonoridade revestidas por todos os lados de histórias, vivências, percepções e análises.

Um corpo com cor, com dor, com suor e porque não dizer…com sorte!
Por ser quem é e mais do que isso, por ser quem desejou ser!

Nascida na Bahia e tendo contato com a música desde bem nova, Luedji sempre se envolveu com movimentos artísticos, certamente uma vontade latente a impelia a isso, talvez para atender ao chamado musical que nela habitava ou pela necessidade de se conhecer, de se mostrar ao mundo com uma representatividade diferente a qual o mundo a via, de ocupar sua posição de acordo com o que a sua ancestralidade exigia.

Ancestralidade essa que estava ali presente, próxima, viva e pulsante!

Um Corpo no Mundo (2017) é o primeiro álbum da artista e tem a intenção de trazer a história, a identidade e mostrar a beleza que envolve a cultura negra. Luedji relembra e nos conta suas transições de enfrentamento pelo mundo que veladamente, as vezes até que de forma bem explícita,  subjuga a cor negra.  E ao final do processo Luedji termina nos agraciando com sua transmutação ao posto de conhecedora plena e total de sua raça e mais do que isso, a imutável condição de dona de si.

capa do cd

O disco possui 10 faixas, foi gravado na Bahia e tem produção do músico sueco radicado na terra da capoeira, Sebastian Notini, conhecido por ótimos trabalhos com outros artistas soteropolitanos.

Suas influências musicais são Djavan, Bituca e o Negro Gato além de uma porção boa de reggae, vindo principalmente das referências sonoras de seu pai. Graças a ele Luedji tinha frequentemente por perto Gregory Isaac, Alpha Blond, Peter Tosh e outros grandes artistas.
E sobre quem faz música hoje ela fala sem reservas que se identifica com Sara Tavares, Mayra Andrade, Aline Frazão e o baiano Tiganá Santana.

No entanto se perguntada sobre quem ou quando foi o momento divisor de águas que lhe deixou claro que precisava fazer música, ela dirá que foi o grupo Raciocínio Lento, formado por amigos de trabalho do seu pai e que tocava aos fins de semana no quintal de sua casa o que de melhor existia no cancioneiro brasileiro.

O álbum começa com ‘Asas’, canção que carrega ares de cântico e de prece com notas breves e leves de quem comunga em sintonia com a natureza em tom de igualdade, pois entendem que são coisa única.
O violão ajuda a conferir a música um aspecto de mantra e duvido que você não se sinta mais relaxado ao terminar de ouvi-la até o fim.

‘Dentro Ali’ possui uma linha de percussão com forte atabaque que segue guiado pela voz de Luedji Luna. Parte da força musical desse álbum, e dessa canção em particular, vem dessa concordância de voz delicada com a força das mãos ecoando sobre as peles de tambor.
Violão e baixo discretamente, esse 2º mais evidente, sugerem ares de jazz e daí vem as curvas sonoras que complementam a retidão das batidas.

“Me leve a um lugar distante
Me ajude a carregar
Essa maleta
Onde eu guardo meu cansaço
E meus sonhos mais bonitos
E um livro de receitas naturais
E um terço pra um pai nosso
Um pedaço pão
E um lápis, um caderno
E a vida de meus filhos”

Em ‘Eu Sou uma Árvore Bonita’ acho interessante o jeito que o coral enriquece a música. São arranjos simples, característica comum ao álbum todo, e que deixam as faixas com ares de intimidade, onde só o essencial aparece.

‘Um Corpo no Mundo’ dá nome ao álbum e é uma narrativa que trata da resistência (Je suis ici, ainda que não queiram não) e expõe duras verdades à sociedade. As cordas e sopros dão um clima dramático e linear, algo parecido com o que é feito no cinema ‘noir’ enquanto atabaque segue reto e sustentando os passos de lamento e perseverança histórica.

”Cada rua dessa cidade cinza sou eu
Olhares brancos me fitam
Há perigo nas esquinas
E eu falo mais de três línguas”

‘Acalanto’ foi a primeira música da Luedji que me pegou pela mão e me tirou pra dançar.
A versão do Spotify, por ser a de estúdio, tem jeitão mais sério e com preocupação de sair toda certinha. Por isso que eu aconselho escutar essa versão aqui que é a que mora em meu celular.
Acalanto tem ares de nova mpb, um swing carregado de tropicalidade, musicalidade nas cordas e canto sem pressa, declamado, material humano cheio de sentimento que vira poesia e que mais uma vez evoca o sentir com desejo e sinceridade ao dizer ‘eu não presto’ e ao perguntar ‘quem é que vai ser acalanto agora?’

‘Notícias de Salvador’ Luedji que hoje mora em São Paulo parece aqui fazer uma análise sobre a humanidade e sua atual falta de sensibilidade ao receber e aceitar o próximo e suas condições.

Existe na letra um mensagem meio mórbida e de desistência, mas que entendo como uma retaliação ao fato de que se aceita (boa parte das pessoas) viver a vida de uma forma que elas não ‘escolhem’ viver. É uma canção toda acompanhada com violão, o que a deixa com cara de ‘saudades de casa’.

”Que nos sirva de consolo
Lâmpadas acesas, catástrofes pessoais
Que o amor possa comover
Que nos sirva de consolo o cheiro de gás
Capaz de nos socorrer
De manhãs, noites e tardes iguais”

foto reprodução

‘Saudação Malungo’ faz uso de algumas palavras que podem causar estranhamento, entre elas nomes de Província Angolanas (Uíge, Cabinda, Benguela, Luba), República Democráticas do Congo (Lunda, Zaire) grupos étnicos (Bacongos), Cerimônia que culminou na Revolução Haitiana (Bois Caiman) e a própria palavra ‘Malungo’ que pode significar parceiro/amigo ou então um tipo de embarcação, ambas as definições atreladas ao período da escravidão.
Tem arranjos simples e intimista de violões e foco no belo canto de Luedji.

‘Cabô’ O reggae aqui se faz presente de forma bem marcante, sobretudo pelos sopros.
A letra sugere 2 mortes e com a ela a inevitabilidade da não reposição que a violência impõe a todos, independente de idade, responsabilidade ou inocência.

”Quem vai pagar a conta?
Quem vai contar os corpos?
Quem vai catar os cacos dos corações?
Quem vai apagar as recordações?
Quem vai secar cada gota
De suor e sangue
Cada gota de suor e sangue”

‘Na Beira’ tem cara de ciranda e junto a ‘Banho de Folhas’ são as canções mais baianas do álbum. A percussão, sobretudo afoxé, é responsável por você aos poucos movimentar os pés de um lado a outro, ainda que, como eu,  você possua pouca habilidade para dança.
Os metais são mais presentes, no entanto não chamam pra si a atenção.
Eu que sempre dou pitaco sobre qual seria a canção ideal (ou algo que o valha) para se começar a ouvir determinado álbum e conhecê-lo, creio que Na Beira seja essa canção.

‘Banho de Folhas’ prossegue com os tambores afiados e as referência a baianidade de Luedji ficam mais explícitas pela sonoridade e de forma mais evidente através das letras que estão diretamente ligadas a termos do candomblé, religião de grande aderência sobretudo na Bahia. Se você não tinha sentido vontade de mexer os pés na faixa anterior aqui você simplesmente não poderá controlá-los.

foto reprodução

‘Iodo + Now Frágil’ encerra o álbum sendo uma mistura de canto com toques mais experimentais e espasmódicos vindo por parte dos metais, como se o músico fosse de alguma forma atormentado por algo e não pudesse tocar direito o seu instrumento. É interessante ver como o irregular encaixa tão bem com o protesto da Luedji e se firma como extensão do que ela tem a dizer.

Mais do que apenas uma música, Iodo + Now Frágil é um manifesto!

A letra segue como lembrança, alerta e afrontamento que mantém vivo a memória das injustiças que o estado comete contra todos nós em diferentes momentos e formas. É a música mais difícil de se ouvir do álbum pelo simples fato da estética ser bem diferente das anteriores e do caráter meio documental, mas essa é parte importante da riqueza de Um Corpo no Mundo.

O álbum é sólido, simples e direto como algumas pessoas não gostariam que fosse, pois ele gira em torno de uma temática bem explícita e se mantém fiel a ela até o fim, ultrapassando a beleza estética, e mostrando uma verdade quem nem todos tem sangue frio para encarar de frente.

Das músicas a sensação e vontade de dança por vezes vem mais do peito do que das pernas, mas tudo bem se você apenas contemplar o álbum enquanto o escuta. E ao terminá-lo fica claro que desde o início não era com a vontade ‘de dizer’ que Luedji se mostrava que nós nos envolvíamos e sim com a nossa ‘necessidade em ouvir’…e ela disse tudo o que precisávamos!

E se quiser ficar por dentro da agenda dela é só segui-la no Facebook, pois ela mantém as coisas bem atualizadinhas. Clica aqui!

No mais, seguimos com o desejo de que o amor possa comover!

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Pé na Porta, Gaveta na Cara: #EuCurti

Bárbara Gaia

6 de novembro de 2017

A Internet é um lugar sensacional. Quando você menos espera, aparece uma novidade que faz você pensar: “por que nunca tinha visto isso antes?”. Em uma dessas passadas pelo meu feed do Facebook encontrei um vídeo chamado Pé na Porta, Gaveta na Cara, produzido pelo Anderson Gaveta para seu canal do YouTube, o Gaveta Show.

Sabe aquele humor non-sense, bem ao estilo Monty Phyton? (se você não conhece esse lendário grupo de comédia, veja aqui um vídeo). Então, o Gaveta Show é isso. São vários esquetes criados pela sua produtora, a Gaveta Filmes, e o primeiro que encontrei e que ri muito (MUITO!) foi o Pé na porta, Gaveta na Cara. Mas vamos explicar no que consiste essa peculiaridade do humor internético que rendeu para mim minutos de muita risada.

Nesse esquete específico o Gaveta responde à comentários e perguntas das pessoas, feitas em vídeos anteriores, de uma forma bem sem-noção mesmo, o que faz ficar muito engraçado. Desde de brincadeiras com a foto do perfil da pessoa à animações e edições onde o sarcasmo impera. O Pé na Porta, Gaveta na Cara fez tanto sucesso que quem curte o canal pede para aparecer. E claro que ele faz isso com sua ironia característica.

O trabalho do Anderson Gaveta já é bastante reconhecido no mundo da publicidade e do entretenimento. A Gaveta Filmes, produtora de vídeos deste editor/designer/empreendedor formado em publicidade e (olha só!) em música, pela Villa-Lobos, vem realizando alguns projetos para a Globo, Porta dos Fundos, Jovem Nerd e canal Nostalgia. Só para citar alguns.

Todo esse talento para edição, com uma boa dose ácida de humor, está fazendo com que o seu canal do YouTube ganhe fãs a cada dia (incluindo eu!).

Para quem tá achando que os vídeos brasileiros de humor que a gente encontra no YouTube estão bem repetitivos, encontra no Gaveta Show uma alternativa. Curti.

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Minha Primeira Onda, nova série do Canal Off: #EuVi

Bárbara Gaia

3 de novembro de 2017

Semana passada assisti à série Minha Primeira Onda, do Canal Off, na mesma semana que fiz minha primeira aula de surf. Surfar sempre foi uma vontade antiga minha. Quando era criança ia à praia de Grumari, aqui no Rio, e ficava vendo as pessoas surfando e achando incrível. Como elas conseguiam ficar em pé, naquelas pranchas, e fazer aquelas manobras?

Fiquei animada em ver um programa apresentado por alguém que esteja passando pelo mesmo que eu. Em Minha Primeira Onda, Carla Elgert relata toda a experiência de ser uma surfista de primeira viagem.

Carla Elgert é atriz e foi convidada para esse projeto que além de profissional, se tornou um projeto pessoal para ela também. No primeiro episódio ela divide com o público sua ansiedade em encarar as ondas. Desde a escolha da prancha ideal até as melhores praias para a prática do esporte. Durante o Minha Primeira Onda, Carla vai passar 20 dias explorando o litoral sul do Brasil, e claro, conhecendo pessoas ao longo do caminho que vão fazer toda a diferença nessa jornada.

Em uma de suas primeiras tentativas ela encontra uns surfistas que estão pegando umas ondas em um rio no meio do fenômeno da pororoca. Ela resolveu encarar o desafio e até que conseguiu ficar na prancha e fazer umas manobras. Carla relatou que estranhou que as pessoas estava surfando com calçados mas depois entendeu que era devido a uns restos de obra que tinham pelo caminho.

Clique na foto para ver o vídeo.

A cada pequena vitória, Carla se empolgava como se fosse a vencedora da final de um campeonato. E essa alegria realmente me entusiasmou a ir depois surfar. Confesso que estava meio apreensiva mas vendo o programa e o olhar deslumbrado de uma pessoa que venceu um desafio pessoal, motiva a você querer correr atrás do seu.

Ah! A trilha sonora também é um grande plus. Você pode conferir os primeiros episódios de Minha Primeira Onda clicando aqui. Também tem pelo Canal Off, todas as quintas às 21h.

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Selton – Manifesto Tropicale #EuOuvi

Casé

1 de novembro de 2017

Se você já passou aqui pelo departamento #EuOuvi  dentro do Checklist, talvez já tenha notado que a preferência tem sido por bandas nacionais, com um ou outro desvio de percurso, mas a ideia é mostrar o que tem sido criado em território brasileiro e que nem sempre tem a atenção que merece nas terras tupiniquins.

Dessa vez dei uma roubada nesse critério, mas creio que vocês vão me compreender após a explicação sobre o grupo Selton. Formado por Ramiro Levy (voz, guitarra e ukelele), Ricardo Fischmann (voz, guitarra e teclado), Eduardo Stein Dechtiar (voz e baixo) e Daniel Plentz (voz, bateria e mpc)  o quarteto desde a década passada, ali por volta de 2007, vem fazendo um som bem bacana e cheio de pluralidade.

foto reprodução

São 4 brasileiros que se conheceram em Barcelona, resolveram fazer música juntos e de repente estavam fazendo uns covers, se apresentando nas ruas da cidade e fazendo alguns shows em pequenos festivais. Então, de uma hora para outra, foram convidados a produzir um disco próprio em Milão (Itália). Pois é…bem assim! Desde essa época não pararam de produzir e se firmaram na cena indie italiana.

E as letras das canções? São em italiano, inglês, espanhol e português.
Às vezes sai tudo junto numa letra só, e pasmem… fica bom o resultado!

O som dos caras é pra cima! Sabe aquela banda super descolada e com som gostoso que você não conhece mas se apaixona de cara quando a escuta tocando? São esses caras! A música deles tem cara de comercial novo de iPod! (cês sabem que isso é um puta elogio, né?)

O quinto álbum do grupo, Manifesto Tropicale (2017), permeia o tema ‘migração’ em suas canções e junto ao tema central surgem questões como a dura despedida dos que ficam para trás, de se integrar a novas culturas, assimilar outros costumes sem perder os seus próprios e no fim das contas admirar a beleza desse encantador e interminável processo.

Existe também a esse álbum inspiração no Manifesto Antropofágico (Oswald de Andrade) e por isso os temas decorrem nessa tentativa de assimilar os povos de culturas metamorfoseadas em que nos tornamos e desse ponto para trás remontar o caminho que esclarece qual a nossa origem e como o Brasil se apresenta a partir desse quebra-cabeças multicultural do qual ele é formado.

capa cd – Manisfesto Tropicale

‘Terraferma’ tem um violãozinho delicado e coral gostosos de se ouvir, numa canção que com o tempo cresce e ganha ares de aventura. Tal mudança é pertinente já que a letra tem esse tom de saída de casa, deixando o lar para trás e saindo em viagem para a descoberta do mundo.

Acho fenomenal quando a música transmite essa sensibilidade complementar de voz + melodias.

‘Luna in Riviera’ começa com um ar bem sessentista  (lembra as músicas da abertura do Amary Junior? Pois é!) mas rapidamente se volta a algo mais moderno trazendo uma espécie de eletro-pop com raízes fincadas numa sonoridade mais retrô como citei anteriormente.
Com baixo e percussão bem resolvidos dentro da faixa, essa talvez seja a canção do disco que melhor descreva o trabalho da banda, ainda que eu não ache que seja a mais acessível sonoramente.

Vale assistir ao clipe e sentir um pouco da vibe dos caras!

‘Sampleando Devendra’  tem violão carregadíssimo de brasilidade e uma mistura de idiomas que traz um ar super bacana ao resultado final.

As partes em espanhol tem um puxada mais swingada e lembram entre seus elementos, um deles as palmas, algo relacionado a cumbia ou a salsa, e certamente a lamentação da letra contribui com essa percepção. Tem uma latinidade mais forte aqui!

‘Cuoricini’ é bem tropical e alterna o tom leve do ukulele com um momentos mais pesados que acompanham a nada ‘politicamente correta’ expressão vaffanculo, mas não torna a canção agressiva.

Um som tropical-eletro-pop que casa muito bem com as letras e vozes e que rendeu um bom clipe!

‘Jael’ e ‘Bem Devagar’ não são letras complementares, mas ambas carregam uma carga grande de melancolia e trazem a tona a ideia de saudade e solidão. Seja por um amor que se perdeu com o tempo ou com a perda de um ente querido.

E como as letras dizem…É como perder uma parte de nós mesmos!

”Perder você é ter mais tempo livre, não conseguir fazer nada
É perder a memória a prestação
Perder você é acordar num travesseiro desconhecido
Descobrir tudo de novo bem devagar”

‘Stella Rossa’ é cantada em italiano e português e vai sendo calmamente declamada ditando um ritmo de brasilidades nas cordas do violão. É uma música mais paradona e conceitual, que leva a umas viagens ou momentos mais introspectivos.

”Oooh sei tu
Stella rossa
Che mi fai guardare su
Oooh sei tu, sei tu
Stella rossa
Che mi fai cantare

Eu quero evaporar
Chegar mais longe do que o sol
Pra ver de novo como a Terra é azul
Preciso te falar
Falta uma estrela no céu do hemisfério sul”

foto reprodução

‘Tupi or Not Tupi’ remete a uma sonoridade ao norte do Brasil que ainda de forma bem sintética é facilmente identificável e perceptível. Existe também uma porção de referências e jogo de palavras dentro dela, seja no emprego das palavras ‘índio’ e ‘indie’ ou na referência de uma das atuais rainhas do pop ao cantarem a frase ‘Bitch better have my money’.

É outra canção que parece sonoramente datada, mas ao mesmo tempo trabalha com elementos atuais  no liricismo e no emprego dos elementos eletrônicos incluídos.

No fim das contas fica com cara de canção tipo exportação, daquelas com um monte de referências juntas e que agradam aos ouvidos de fora do Brasil justamente pela exoticidade.

‘Lunedi’ constata a dura verdade de que querendo ou não o tempo e a vida passam e não há como se desfazer isso. A faixa questiona se vale mesmo a pena ver a vida passar pela janela.
Cantada toda em italiano a música parece ganhar um sopro mais erudito em alguns momentos. No fim das contas ela soa como uma viagem solitária (com sorriso de canto de boca no rosto) de lambreta pelas estradas italianas enquanto se repensa a vida e o que ela nos presenteou.

‘Avoar’ começa cheia de inserções aleatórias de falas comuns, todas em português, assim como a canção minimalista que compõe-se mais a frente, de apenas quatro frases.

A música segue quase toda num dedilhar gostoso de violão com ares de interior do Brasil e começa e termina sem alardes, com cara de despedida e dessa forma encerra bem os poucos, porém bem aproveitados 33 minutos de álbum.

poster com arte da capa do cd

Selton entrega um som que só pelo ineditismo do modo como é cantado (vários idiomas na mesma música) já é bem original. No entanto engana-se que essa é a cereja do bolo do trabalho deles, pois existe uma preocupação real em se fazer música com qualidade e principalmente que comunica algo.

A música deles tem um dedo no futuro ao mesmo tempo que rola um resgate do passado, não o musical e sim o deles. Como se as letras estivessem ‘maturando’ durante esse tempo em que estiveram fora do Brasil e agora elas estão saindo em etapas, conforme ficam prontas.

Se você ficou à vontade com Manifesto Tropicale vale muito a pena conhecer o resto da discografia deles! E aproveita para acompanhar o que eles andam fazendo aqui pelo Facebook.

Un grande bacio! 😉

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Nova turnê de John Mayer no Brasil: #EuFui

Bárbara Gaia

30 de outubro de 2017

Eu havia prometido, no post passado, falar sobre a experiência de assistir a um show ao vivo de John Mayer pela primeira vez. E isso aconteceu no último sábado quando o cantor/compositor/guitarrista passou pelo Rio de Janeiro com a sua nova turnê chamada The Search of Everything.

Show John Mayer Brasil 2017. Estou em algum lugar por aí. 🙂 Foto: facebook.com/johnmayer

Antes que eu dê minhas impressões sobre o show vamos voltar um pouco no tempo para eu explicar o quanto este momento foi especial para mim. Precisamente uns 15 anos atrás. Bem, acredito que foi há uns 15 anos atrás porque se bem me lembro comecei a escutar John na faculdade.

Assim como descobri os Backstreet Boys na adolescência assistindo à MTV, com John Mayer não foi diferente. Quem tá na casa dos 30, assim como eu, vai lembrar do tempo que a Music Televison Brasil passava vídeo clipes o dia todo. E numa dessas tardes em casa, lá no começo do ano 2000, estava passando o clipe de Your Body is a Wonderland. Minha reação foi parar o que estava fazendo para escutar um cara meio magrelo, meio charmoso, com uma voz rouca, suave e que me fascinou.

Desde então, assim como tinha dito no meu post anterior que falo das minhas músicas preferidas de John, são alguns CDs e milhares de horas escutando esse norte-americano, nascido em Connecticut, que desde muito pequeno já demonstrava talento e muita paixão pela música.

Setlist turnê The Search of Everything Rio de Janeiro 2017. foto: facebook.com/johnmayer

Formado pela prestigiada Berklee College of Music, dita como a maior faculdade independente de música do mundo, John Mayer começou a carreira com um pé no rock mas aos poucos foi mostrando sua versatilidade, entrando de cabeça no blues. Mas esse estilo musical já tinha ganhando o coração de John desde a adolescência, quando ele ganhou sua primeira guitarra elétrica e um fita cassete do Stevie Ray Vaughan.

Os traços do blues podem ser vistos em seu ábum Continnum (2006) que rendeu um Grammy de Melhor Álbum Pop Vocal e também de Melhor Performance Vocal Pop Masculina pela música Waiting On The World to Change. Mas o reconhecimento vem desde o álbum Room for Square (2001) que rendeu seu primeiro Grammy de Melhor Performance Vocal Pop Masculina por adivinha qual música? Acertou se pensou Your Body is a Wonderland.

Anos se passaram e John Mayer ganhou o destaque e o respeito de grandes e lendários músicos, aos quais ele já fez algumas colaborações. Dentre eles estão nada mais nada menos que Eric Clapton e B.B. King. Ao longo de sua carreira já recebeu 6 Grammys , fez parcerias históricas como disse anteriormente e viajou ao redor do mundo em várias de suas turnês.

E finalmente pude ver de perto todo esse talento ímpar quando ele chegou em terras cariocas para a turnê de The Search of Everything. Eu não tinha conseguido assisti-lo quando ele veio para o Rock in Rio de 2013 então imagine a empolgação e ansiedade que estava sentindo.

O Rio de Janeiro foi a última parada por sua passagem pelo Brasil. Ele passou por São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba e Porta Alegre e em cada estado seu setlist mudava, algo que não tinha visto sendo feito por outro artista. Para o Rio ele trouxe algumas músicas do seu último álbum, que leva o mesmo da sua turnê, e outra canções de outros álbuns.

Ele dividiu o show em atos. O primeiro era com toda a banda, o segundo um acústico, o terceiro uma parceria que ele fez com o baterista Steve Jordan e o baixista Pino Palladino, intitulada John Mayer Trio, o terceiro com toda a banda novamente e o quarto e último aquele famoso bis que a gente acha que o cantor vai embora mas volta para delírio do público.

John abriu o show com Helpless, do novo álbum, mas meu coração disparou mesmo com o medley seguinte, de duas canções lá de Room for Squares (2001): Why Georgia e No Such Thing. 

Mas reparei que todas as músicas eram cantadas por todo mundo, que acompanhavam cada acorde e letra dita por John com uma alegria que só estando lá para entender. Alegria que inclusive eu vi do próprio John. Ele parecia realmente feliz em estar tocando no Brasil.

E por falar em tocar, os solos de guitarra eram um caso à parte. Ele sempre foi conhecido por ser um excelente guitarrista e para algumas músicas ele ia ora para a guitarra, ora para o violão (especialmente para a parte acústica) e percebi que alguns instrumentos pareciam já antigos e fiquei imaginando se eles acompanham John desde o tempo em que ele imaginava que um dia poderia chegar aonde chegou.

A apresentação do John Mayer Trio foi onde ele mostrou como ele é um ás na guitarra. Ele dava uns solos de arrepiar e fazia você viajar junto. Eu não tenho vergonha em dizer que fazia uns air guitar durante as músicas Crossroads, Vultures e Wait Until Tomorrow.

A parte acústica foi também emocionante, especialmente com a canção Daughters, que a galera cantava com todos os pulmões. Para mim a melhor parte foi quando ele cantou Love is a Verb, uma das minhas músicas favoritas dele. É surreal você se dar conta que você está cantando a alguns metros do criador dessa canção que você já se emocionou escutando e que já cantarolou umas milhares de vezes.

John Mayer não deixou mesmo a desejar. Começou o show na hora. Conversava com o público com muita simpatia (até umas piadinhas ele fez, rs). Mostrava aquele entusiasmo elétrico, parecendo que tinha 20 e poucos anos, mesmo sendo um homem com seus 40 anos recém-completados.

Tanto que as duas últimas músicas In the Blood e Gravity fecharam com chave de ouro. A primeira contou com o estádio Jeneusse todo iluminado com luzes dos celulares. A segunda com um solo de guitarra ESPETACULAR. Arrisco a dizer que foi um dos melhores do show.

The Search of Everything foi mesmo tudo que eu procurava nesse encontro que estava esperando há quase 15 anos. Foram algumas vezes que eu quase chorei porque você estar perto de um artista que você curte tanto a sua música já emociona. Mas comigo foi mais que isso. Suas músicas alegraram muitos momentos bons meus e me ajudaram em alguns não tão bons. Mas é isso que é o poder da música. Inspira, motiva, cura e faz bem ao coração.

E o meu coração estava em festa no último dia 27.

Obrigada, John.

Aproveita e confira a turnê em outros estados brasileiros na página do John Mayer no Facebook.

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Bárbara Gaia

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