O Salmão da Dúvida

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Eu não lembro, exatamente, quando comecei a me interessar pelos textos de Douglas Adams. Acredito que tenha sido após eu assistir à versão cinematográfica do livro O Guia do Mochileiro das Galáxias. O Salmão da Dúvida, o livro que vou contar brevemente daqui a pouco, foi uma grata surpresa e vou explicar o porquê.

Eu ganhei de presente de aniversário da minha irmã o box completo da série de O Guia do Mochileiro das Galáxias, com os outros títulos que terminaram de falar sobre a saga interplanetária de Arthur Dent de impedir que a Terra fosse demolida, para dar lugar a uma via expressa hiperespacial.

O último livro que está nesse box se chama O Salmão da Dúvida e fiquei confusa, porque eu já tinha lido o final de toda essa aventura. Quando eu li a orelha, entendi o porquê e confesso que fiquei meio tristinha, no começo. O Salmão da Dúvida era um compilado de outros textos escritos por Douglas Adams, que veio a falecer ainda jovem, com 49 anos, vítima de um ataque cardíaco.

Vamos à sinopse

Bom, na verdade, não tem beeeeeeem uma sinopse porque, como falei é um compilado de textos de Douglas Adams publicados em veículos de comunicação, outros não-publicados pelo autor e dez capítulos de um novo romance de sua série Agência de Investigações Holísticas Dirk Gently, que não chegou a ser terminado, infelizmente, devido ao seu repentino falecimento.

Em mais de 300 páginas (que passam em um piscar de olhos!), você vai encontrar algumas histórias de infância de Adams, entender mais sobre sua paixão por biologia e tecnologia, seu estilo de escrita sarcástico e reflexivo, fruto de seu lado roteirista de esquetes e por ser fã de Monthy Phyton, descobrir a saga que foi transformar O Guia do Mochileiro das Galáxias em filme e seu lado protetor da natureza, onde até já participou de uma escala ao Monte Kilmanjaro, no Quênia, para uma campanha de preservação dos rinocerontes.

O que eu achei de O Salmão da dúvida

Acredito que meu julgamento não seja imparcial por eu ser fã de Douglas Adams mas achei o livro uma boa tentativa de mergulho na mente deste autor que até então não era tão profunda para mim. Eu pude compreender mais sobre porque ele escrevia do jeito que ele escrevia, que era fruto de um grande conhecimento em ciência e inovação (que explica muita coisa da série O Guia do Mochileiro das Galáxias) e das conclusões que ele tirava da vida, vindas de experiências pessoais.

Apesar de cada texto não ter uma continuidade com o outro, você percebe uma conexão entre tudo, no final. As escolhas bem orquestradas para formar esse compilado é realmente uma viagem nos anos que Douglas Adams passou aqui na Terra, tentando desvendar seus mistérios ou apenas seguir com o fluxo.

A escrita de Adams sempre deixava com aquela pulga atrás da orelha, especialmente no que se referia ao modo do ser humano ser do jeito que ele é, pensar do jeito que ele pensa e acreditar nas coisas que ele acredita. Com o seu bom-humor característico ele convidava as pessoas a lerem algo divertido mas que, no fundo, era mais um convite àquela boa e velha reflexão sobre a vida, o universo e tudo mais.

Se você conhece e gosta dos livros de Douglas Adams, leia O Salmão da Dúvida. Se não conhece, leia também.

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