Shrill

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Comecei a essa semana ler um livro sobre conteúdo para marcas, que é área em que trabalho, e nele fala sobre o processo de formação de identidade e como nossas experiências vividas na infância e na cultura em que estamos inseridos podem ser determinantes para a nossa personalidade. Por coincidência terminei de assistir às temporadas de Shrill, no HBO Max, e o que estou lendo faz muito sentido com o que eu vi nessa série.

foto: divulgação

Apresentando um pouco de Shrill para quem ainda não assistiu

Anne é uma moça de 20 e poucos anos, quase chegando aos 30, que trabalha em um jornal impresso local (algo bem raro hoje em dia) e mora junto com sua amiga de longa data. Ela vive um relacionamento bem mais ou menos com um cara que não a assume para os outros e eu também não classificaria como um bom parceiro.

O relacionamento com seus pais é um tanto quanto distante, especialmente com a sua mãe, que desde de criança tenta cuidar do peso de Anne dizendo que é “para seu bem e sua saúde”. Por conta de estar fora dos padrões estéticos impostos pela nossa sociedade tóxica, Anne vive uma luta diária entre seu peso e sua autoestima e acompanhamos essa sua luta a cada episódio.

O que eu achei de Shrill

Shrill seria uma série de drama com boas pitadas de comédia e no começo eu não entendia muito o comportamento de Anne para com ela mesma e para com os outros. Ela é impulsiva, parando para analisar as situações 0,00001% das vezes, e era sempre muito rude com as pessoas que estavam a sua volta, especialmente àquelas que ela tinha uma relação de afeto.

Mas, terminando as duas temporadas, eu comecei a entender o porquê ela é assim e o porquê de sua vida estar estagnada, justamente por conta de tudo que ela passou ao longo vida, ela inconscientemente, ou consciente mesmo, acabava dizendo para ela mesma que nunca será boa o bastante para nada.

Shrill é interessante porque não foca tanto na questão do peso em si. É mais nessa questão de que sua personalidade acaba sendo construída por um acúmulo de coisas vividas e que o processo de auto avaliação e de querer buscar o melhor para si não acontece da noite para o dia. É comum continuar a cometer os mesmos erros, por um momento, esperando que a vida ofereça tudo que sempre quis quando não se oferece nada para ajudar a vida nessa realização.

Mas esse processo de mudança é possível. O primeiro passo é começar a parar de dar valor tanto ao passado para focar no presente. Acredito que Anne vá conseguir e espero ver isso nas próximas temporadas.

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