Sobre a Escrita, de Stephen King

mmPostado por

Conheci o Sobre a Escrita quando pedi indicações de livros técnicos em uma sala do Clubhouse chamada “escritores no ch”, criada pelo escritor André Carvahall. Recebi alguns bons títulos, dentre eles, esse do Stephen King.

No primeiro momento confesso que fiquei meio receosa em comprar. Quando eu penso em Stephen King logo me vem o gênero terror na mente, que é algo que nunca atraiu muito a minha atenção e por isso achava que ele não me ajudaria. Mas larguei o preconceito e comprei o livro.

Eu me lembro, desde muito pequena, do fascínio que eu tinha em ouvir boas histórias. Meu pai sempre criava contos incríveis e fazia a minha imaginação e a da minha irmã borbulharem com mil aventuras. Não sei se foi por conta da infância mas a vontade de escrever foi crescendo em mim, tanto que eu me tornei redatora. Uma escritora, no entanto, ainda não.

Em 2009 comecei a esboçar um livro de ficção que acabou ficando na gaveta, mas o meu lado de querer ser uma escritora sempre me lembrava dele. Até que esse ano criei coragem e saí a procura de ferramentas que pudessem me ajudar a desempacar.

O que eu achei de Sobre a Escrita

A primeira coisa que já gostei de cara no livro foi a divisão que o Stephen King fez. Em “Currículo”, a primeira parte, Stephen apresenta algumas situações, em sua vida, que ele acredita que tenham contribuído para ele se tornar um escritor.

A segunda parte e terceira parte, intituladas “Caixa de Ferramentas” e “Sobre a Escrita”, que seria uma espécie de respostas às perguntas que sempre fazem a ele sobre a sua metodologia e outras que ele gostaria de ter respondido. E por fim vêm a quarta, e última parte, chamada “Sobre a Vida: Um postscriptum”, falando sobre os dias atuais e dando dicas de livros para a gente ler.

O “Currículo” é bem autobiográfico mesmo. Ele, claro, não conta sobre todos os acontecimentos e lembranças marcantes mas cita alguns muito importantes em sua vida. Uma dele fala do começo mesmo, quando ele era bem pequeno e desde muito novo já enfrentava dificuldades. Sua mãe o criou, junto com o seu irmão, praticamente sozinha e tinha que se desdobrar em mil empregos para que seus filhos tivessem o mínimo de conforto.

Para se desligar das adversidades, ele conta que sempre gostou de filmes de terror e que ia com o seu irmão aos cinemas mais chinfrins para assistir o que queria.

A escrita serve para despertar, melhorar e superar.

Stephen King, Sobre A Escrita

Uma vez ele viu um filme que achava que daria para dar uma continuidade à história e saiu a escrever. Não demorou muito para Stephen começar a escrever mais e mais, criando até um jornalzinho na escola com contos e notícias. Com o passar dos anos viu que queria ser mesmo escritor mas recebia muitos nãos de editoras.

Acabou se tornando professor de literatura para pagar as contas, ao lado de sua esposa, melhor amiga e melhor dupla, a Tabitha, que conheceu na faculdade. Ela sempre apoiou Stephen e que, mesmo com sérias dificuldades financeiras, nunca quis que ele desistisse do que realmente queria ser.

O livro conta também da reviravolta que teve a sua vida e carreira, após Carrie, a Estranha, que foi o primeiro manuscrito de grande sucesso. Mas ele divide com o público os seus obstáculos pessoais, em especial o vício que ele tinha com o álcool. Seu vício, inclusive, foi tema em seus livros, como quando ele escreveu O Iluminado, em que o personagem principal é um escritor e ex-professor alcóolatra, e Stephen se deu conta que estava escrevendo sobre si mesmo.

Depois de toda essa saga de lutas, fracassos, vitórias, redenção e superação, é chegada a hora dele falar sobre seu modus operandi na escrita. Ele fala desde de técnicas para ter concentração, passando sobre dicas de como construir um bom enredo, personagens sólidos e narrativa consistente, passando pela importância da revisão e, especialmente, da disciplina.

Eu me surpreendi em como Stephen King é engraçado. Eu, que não sou fã do gênero literário em que ele é mais famoso, achava que ele seria um cara muito sério mas eu ri com as tiradas que ele tem com a vida e com as “fórmulas mágicas para escrever um livro best-seller”.

Você pode, você deve e, se tomar coragem para começar, você vai.

Stephen King, Sobre a Escrita

Para quem quer ser um escritor e para quem é fã de Stephen King, eu recomendo muito Sobre a Escrita. Você vai ler uma boa história de não-ficção, acompanhada de boas lições.

2 comments

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *