Valor presente: uma resenha e uma reflexão

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Nós somos mesmo complexos. Já reparam que vivemos mais no passado e no futuro, do que verdadeiramente no presente? Esse é um dos questionamentos que Pedro Salomão teve durante o período de quarentena e o resultado de suas reflexões se transformaram em páginas do seu livro Valor Presente – a estranha capacidade de vivermos um dia de cada vez.

Eu já tinha ouvido falar do Pedro através da Rádio Ibiza, que cuida da identidade musical de marcas e é comandada por ele. Não demorou muito para conhecer também o seu lado escritor pelo livro Empreendendo Felicidade, que rendeu até um post neste humilde blog.

No Natal passado meus pais e minha irmã perguntaram o que eu queria ganhar de presente e eu respondi: livro. Para 2021 eu queria levar com mais empenho o hábito da leitura e dei como uma das sugestões o novo livro do Pedro Salmão, Valor Presente.

Pedro começou a escrever seu novo livro em março de 2020, durante o ápice da pandemia por aqui. Por ser uma época que muitos planos futuros tiveram que ser adiados, para manter o distanciamento social, e a correria do dia a dia simplesmente parou, para que todos permanecessem em casa, ele ficou pensando sobre esse tempo que gastamos sempre com foco na vida lá na frente, negligenciando a vida de agora.

É como se estivéssemos dirigindo nossa própria vida no piloto automático: sem prestar atenção ao caminho, à qualidade do asfalto, à beleza da paisagem, aos sinais de trânsito, ao pedestre que atravessa. Quando chegamos ao fim, sentimos que não aproveitamos a viagem (Pedro Salomão, Valor Presente)

Com isso temos a sensação que o tempo voa porque, na verdade, não estamos prestando atenção nele.

A pressa é inimiga do presente

Estamos cercados de muito mais tarefas e distrações. A internet trouxe praticidade mas também um volume absurdo de informações e dividimos a nossa atenção com mil coisas ao mesmo tempo. Essa aceleração trouxe algumas consequências ruins como a ansiedade e de estarmos menos presentes com nós mesmos e com as pessoas a nossa volta.

“A medicina prolongou a vida, e o sistema emocional contraiu o tempo emocional” (Augusto Cury)

Acabei associando tudo isso ao que Alvin Toffler, escritor e futurista norte-americano, falou em seu livro O Choque do Futuro, escrito na década de 60. Ele dizia que as pessoas do futuro viveriam em uma condição de alta transitoriedade, onde a duração dos relacionamentos seriam encurtadas e a rotatividade das conexões seriam extremamente rápidas, havendo um ponto de esgotamento bem mais rápido.

Por que é tão difícil esperar?

Essa é uma pergunta que faço todo dia e tomo como exemplo quando você manda uma mensagem no WhatsApp. Se demorou mais de 5 minutos para responder você já fica olhando o telefone a cada segundo esperando a tal da notificação chegar. O tempo, hoje em dia, realmente se tornou algo fugaz.

Além da falta do olhar para o presente, Pedro também questiona a intolerância que parece estar em um movimento acelerado. Ele fala que o distanciamento social já vinha acontecendo bem antes do surgimento do COVID-19 e que o remédio para isso seria o afeto.

Os livros nos trazem conhecimento, mas não sabedoria: está só o afeto, a escuta e o diálogo podem produzir (Pedro Salomão, Valor Presente).

A leitura de Valor Presente é bem leve e você leria tudo em uma tarde de domingo, com calma e tranquilidade. Pedro convida as pessoas a reverem o modo como elas tratam o presente e como isso reflete no mundo a sua volta.

Até porque o futuro consegue esperar. O presente não.

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