Até quando você vai E.M.P.A.C.A.R?

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Minha irmã me deu de presente de Natal o livro A Síndrome da Impostora, de Rafa Brites. Eu, a princípio, achava que não precisava do livro, que era àqueles de autoajuda cheio de clichês que a gente vai lendo e revirando os olhos, sabe? Mas minha irmã acertou no presente. Eu sou mesmo uma impostora.

Vou explicar. A síndrome da impostora é aquela voz chata que você escuta dizendo que você não é boa suficiente para conquistar os seus objetivos e nem merecedora suficiente para realizar os seus sonhos.

Eu, por exemplo, tenho um sonho que está na gaveta há mais de 10 anos: meu livro de ficção. A ideia eu tenho, já até escrevi alguns capítulos mas não terminei. Acabo procrastinando, deixando de lado para dar atenção às coisas do dia a dia e acabo “esquecendo”.

Lendo o livro da Rafa Brites me deparei com um exercício que ela fez desmembrando a palavra EMPACAR em 7 situações ou sentimentos que faz você querer parar na realização das suas metas.

São eles: E(vidência), M(achismo), P(oder), A(valiação), C(onfronto), A(ascensão), R(econhecimento).

Vamos entender porque nós, mulheres, costumamos EMPACAR

A primeira situação que ela descreve é a evidência. Quando você se torna o centro das atenções, na visão da impostora, é quando você se coloca em teste para provar a que veio e se torna vulnerável. Mas como, eu escrevi há um tempinho, em outro texto sobre A Coragem de Ser Vulnerável, de Bené Brown, a vulnerabilidade é uma coisa boa.

Nós somos programados a sucumbir à opinião alheia e ao medo de fracassar. Mas temos o poder de decidir se essa opinião é importante, analisando se ela vai trazer aprendizado. E o fracasso não é algo ruim. É mais uma chance de aprendizado.

A segunda é o machismo. Nós mulheres, cedemos mais a síndrome da impostora, por carregar costumes e tradições vindos láááááááááá de outros séculos e que permanece até hoje em nossa sociedade. Uma das maiores é que as mulheres devem ser subservientes e que não têm voz, tampouco espaço para a realização de outros objetivos que não seja casar, ter filhos e cuidar da casa.

A próxima é o poder, que é uma consequência também do machismo. Uma pessoa em um alto cargo deve estar sempre disponível para a empresa e precisa tomar sempre a decisão certa. Saber de tudo. Ser quase um deus.

Para nós, mulheres, o sentimento de tomar uma decisão errada, de ser questionado e desagradar acabam aparecendo. E a culpa também. Especialmente àquelas que são mães e trabalham. Por quê? Porque a sociedade, mesmo estando no século XXI, em 2021, ainda acredita que a mulher tem a função exclusiva de cuidar dos filhos.

Em seguida vem a avaliação. Ser colocar à prova faz com que a gente automaticamente pense: vou fracassar. E quando a gente consegue, diz: foi sorte. A gente nunca considera outros fatores fundamentais para o nosso sucesso que são o nosso esforço e a nossa capacidade.

Depois vem o confronto. A impostora acha que dizer sua opinião vai colocar a prova o seu conhecimento e mostrar para todo mundo que ela, na verdade, não tem (quando tem!). E aí ela fica calada.

A penúltima é a ascensão. Que mesmo com o reconhecimento e o sucesso, a impostora não acha é que merecedora, quando é. Ela sente a pressão aumentar ainda mais, como se cada degrau que ela subisse, ela sentisse que não está preparada.

Chegamos ao fim, com o reconhecimento. Se alguém elogia, ou está mentindo ou, se a impostora meio que acredita, não sabe reagir e acaba se depreciando com um: “ah! isso não é nada”.

Agora vamos entender, de uma vez por todas, porque merecemos BRILHAR

Achei interessante que Rafa Brites fez um novo jogo de palavras para substituir os medos anteriores por motivações futuras. Trocar o E.M.P.A.C.A.R por B.R.I.L.H.A.R, que seria Basta, Reconexão, Informação, Luta, Hábito, Acolhimento e Rede de apoio.

O primeiro passo seria dar um basta à voz da impostora e reencontrar a sua própria voz. Para isso, devemos trilhar pelo autoconhecimento que vai fazer a gente baixar a guarda e se livrar da armadura da autodepreciação. Não vai ser fácil e rápido mas vai valer a pena.

Em seguida é hora de fazer uma reconexão à sua história e seus talentos que por muitas vezes negligenciamos. Quando criamos padrões do que seria o sucesso e a felicidade, baseados na experiência e na vida de outras pessoas, perdemos a chance de nos ver.

Depois vem a informação. Quando dizem que conhecimento é poder, é porque é mesmo. Uma parte importante desse quesito, e que eu concordo, é para você ir em busca, sim, mas já trabalhar com os recursos que tem. Ficar adiando algo porque você acha que não está pronta só vai fazer a sua realização nunca ser realizada.

Chegou a vez da luta. Concordo quando ela diz no livro que nenhuma mudança vem sem confronto. Mude o ambiente ao seu redor.

A mudança gera um novo hábito e é preciso continuar se exercitando para não voltar aos velhos hábitos que não fazia bem para você. Em um momento de medo ou ansiedade, a impostora vai querer aparecer mas cabe a nós mantê-la afastada.

Outro fator importante, que completa a penúltima letra, é o acolhimento. A gente tem uma mania de ser tóxica com nós mesmas ao invés de encontrar dentro de si um porto seguro. Seja generosa e solidária consigo mesma.

Cuidado com os seus pensamentos, pois eles se tornam palavras.

Cuidado com suas palavras, pois elas se tornam ações.

Cuidados com as suas ações, pois elas se toram hábitos.

Cuidados com os seus hábitos, pois eles se tornam o seu caráter.

E cuidado com o seu caráter, pois ele se torna o seu destino. 

(Frank Outlaw)

Por fim, vem a rede de apoio. Quando compartilhamos, encontramos pessoas que podem se identificar conosco e a partir daí passamos a dividir e rever.

O aprendizado é uma coisa boa mesmo. Pensei em todas as desculpas que dei para não completar o meu livro, tentando me enganar, achando que eu não conseguiria fazer algo que sempre sonhei em fazer.

Mas, vendo a impostora que fui, vou dar espaço ao meu verdadeiro eu e terminar esse meu livro de ficção. Sem desculpas. Nem receios.

Espero que você dê também espaço ao seu verdadeiro eu para ele brilhar em 2021.

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