Afrojazz – African Brothers: #EuOuvi

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Recentemente falei aqui no blog sobre o livro A Vida Cotidiana: No Mundo do Jazz (se você ainda não leu a minha resenha é só clicar aqui) e a história e a trajetória dos percursores do jazz em levar esse estilo musical para os EUA, em uma época que a desigualdade e o preconceito eram ainda maiores do que a gente vê hoje, emociona e impressiona.

Pensando nisso e ainda embalada pelo som de Nova Orleans resolvi colocar um pouquinho da história brasileira nesse ritmo, escutando o Afrojazz. Se você ainda não conhece, vale a pena. Em 2012 um grupo de músicos resolveu levar o jazz para as ruas do Rio, realizando algumas apresentações na Lapa, um dos grandes centros boêmios cariocas eu diria, e a receptividade superou a expectativas de todos eles.

Com muita criatividade, persistência e talento o Afrojazz foi ganhando seu espaço. O grupo, que é composto por Eduardo Santana (Trompete), Daniel Conceição (Bateria), Rodrigo Ferrera (Contrabaixo), Roque Miguel (Percussão), Felipe Chernicharo (Guitarra), Oswaldo Lessa (Sax Tenor) e Negralha (DJ), mistura música africana, brasileira e latina ao funk, o hip hop e claro jazz.

Essa mistura de sons e estilos, com uma boa dose de improvisação que é característicos do jazz, é que chamou minha atenção. Todos esses elementos estão presentes no álbum African Brothers, lançado em 2016, e que vou falar um pouquinho das minhas impressões de cada música.

Ska Jazz traz o estilo musical do ska que também chama minha atenção pela sua intensidade e alegria constante. Originário da Jamaica, o gênero acrescenta nos ritmos caribenhos tradicionais como o mento e o calipso um pouco de jazz, blues e r&b. E na música Ska Jazz ainda ganhou um solo de guitarra sensacional que me pegou de surpresa e fiquei encantada quando escutei.

De Volta tem os beats do hip hop aparecem logo no começo da música e casam muito bem com som do trompete e com os scratchs que os DJs adoram fazer e fazem com maestria em seguida. Depois vai ganhando aos poucos um ar mais funk, bem anos 70. É para colocar na pista e curtir com os amigos!

Caminhos Abertos é bem curtinho, tem só 1:05 de duração, mas se destaca pelo som dos trombones que aqui ganham um ar mais sublime. Acompanhado do que me lembra se também os scratchs do hip hop, a música é uma introdução à African Brothers.

African Brothers, que leva o nome do álbum, tem os elementos da música africana junto ao jazz, ritmo que tem como influência a musicalidade da África. Junto com batuques e o som de vozes que parecem entoar um canto tribal, African Brothers ganha no meio da faixa uma canção, diferente das outras que são puramente instrumentais. A letra é inglês e confesso que preferiria em português por ser um grupo brasileiro.

Dance como Quiser ainda mantém um pouco da pegada funk que agora ganha uns riffs de guitarra e assim como African Brothers, traz uma letra mas dessa vez em português (gostei!). A música fala daquele sentimento bom de você dançar sem pretensão e como essa energia pode contagiar e quem saber levar você a uma revolução interna que também pode acabar contagiando a todos para uma grande revolução comunitária.

Energia pura

tá na dança

sempre que seu corpo inflama

liberando a emoção.

Movimento que nascido do vento

faz crescer o sentimento

de fazer revolução.

Avalanche volta a trilha da musica instrumental e sinto mais a presença da bateria e do contrabaixo que fizeram toda a diferença para aquele jazz bem gostosinho de se escutar. No meio da música aparecem o som de batuques que foram a cereja do bolo.

Aflitos começa com uma guitarra que lembra um pouco o estilo do maracatu de Chico Science. O som típico do Nordeste vai ganhando espaço com triângulos, trompetes e bateria. Ficou uma proposta bem interessante e fecha o álbum com aquela sonoridade brasileira que deve ser sempre valorizada porque é rica demais.

Se você tiver Spotify, segue a galera do Afrojazz que você não vai se arrepender. Fique atento também à página do grupo porque além de anunciar a sua agenda de shows, eles, durante o Carnaval, tem um bloco criado por eles que agita a cidade durante a época de folia.

 

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