No Mundo do Jazz: #EuLi

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Tem, mais ou menos, uns 2 anos que passei a me interessar pelo jazz. Antes eu escutava muito de vez em quando mas nesses últimos anos estou ouvindo com mais frequência e adorando. Dos percursores até os novos artistas de hoje em dia, esse ritmo além de ser música para os meus ouvidos, tem uma história e tanto. O livro A Vida Cotidiana: No Mundo do Jazz conta um pouco dessa trajetória.

No Mundo do Jazz

 

Encontrei esse exemplar durante um evento no Malha (que já falei sobre ele por aqui) em um stand de livros e discos antigos. Escrito por François Billard, No Mundo do Jazz faz uma cronologia completa sobre o surgimento do jazz, de sua origem até a década de 50, com trechos de entrevistas com grandes nomes como Louis Armstrong, Billie Holiday, entre outros.

A origem do jazz

Não se sabe muito bem o início do jazz mas muitos apontam a década de 10, quando o estilo musical ganhou o nome de jass, com “s” mesmo. Mas o lugar todos sabiam: Nova Orleans. Um grande porto, fundado em 1718, que era próspero até a chegada das redes ferroviárias,  com que o tráfico fluvial, sua principal base, perdesse a importância. A pobreza tomou conta do lugar e Nova Orleans já não era um lugar mais tão bem visto.

A música se tornou a válvula de escape para o povo que vivia lá, composto por franceses, africanos, martiniquenhos, cubanos e americanos. Especialmente para os afroamericanos que passaram a fazer do jazz seu contador de histórias e lutas. Pode-se dizer que o jazz seria o filho do ragtime, um ritmo que se inspirou na música erudita europeia e na música africana e antilhana para criar algo repleto de muita sonoridade e ginga.

O jazz e a luta do povo negro

Muitos artistas negros, que tinham excelência musical, não eram reconhecidos e viam grandes oportunidades de carreira sendo entregues a pessoas de pele clara.  O violinista Eddie South é um desses exemplos. Estudou violino clássico em Budapeste e Paris e poderia ter feito uma grande carreira na música clássica, mas por ser negro, South não teve seu espaço e voltou-se para o jazz encontrar nesse estilo um lugar para expressar seu talento.

A música era a única arte que o povo negro, nos EUA, tinha acesso naquela época e fizeram do jazz a sua escola. É impressionante ver a idade que alguns começavam. A pianista Mary Lou Williams já se apresentava aos 6 anos de idade e Duke Ellignton, um dos pioneiros do jazz, já era um destaque na adolescência. Comprando materiais de segunda mão, todos aprendiam sozinhos as notas e passavam a compor suas próprias melodias.

Essa força de vontade de ir atrás sem esperar dos outros uma oportunidade era praticamente um lema do jazz. O sociólogo George B. Murray, autor do livro Le jazz moderne et la grande cité, escreveu que

o jazz moderno exprime melhor a sensibilidade das grandes metrópoles contemporâneas do que qualquer outra forma musical.

Também destaca expressões como How you makin man? Ou What´s shakin?, mostrando que ninguém nunca “chegou lá” que é preciso sempre seguir em frente e que parar é retroceder.

Esse modo de improvisar e juntar vários ritmos para criar algo novo e completamente diferente é mesmo a essência do jazz. Fazer do limão uma limonada em batidas mais aceleradas e que exemplificam bem os contrastes de uma sociedade desigual.

Para quem quiser conhecer um pouco mais da história do jazz e também da história norte-americana entre as décadas de 10 e 50, A Vida Cotidiana: No Mundo do Jazz narra muito bem esses fatos. Vale a pena dar uma olhada e perceber que realmente, música importa e transforma.

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