Béla Fleck e seu banjo: #EuOuvi

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Antes de falar de Béla Fleck vou falar a forma que conheci o músico. Não é novidade (se você acompanha esse singelo blog) que eu amo a música do Snarky Puppy. Esse coletivo, que para mim mas parece uma incrível orquestra moderna, me conquistou por completo e tive a oportunidade no ano passado de assistir a um show deles aqui no Rio.

Há um tempinho atrás descobri que eles idealizaram um festival chamado GroundUp Music que aconteceu no começo desse ano em Miami, nos EUA. A ideia era criar um ambiente que conectasse ainda mais os artistas e o público, para uma experiência musical completa. Eu fui direto pro line up para dar uma olhada em quem iria se apresentar (já que infelizmente uma viagem internacional não estava nos meus planos).

Béla Fleck
foto: facebook.com/belafleckbanjo/

Reuni todos os músicos em uma playlist no Spotify e sai a escutar quando fiquei encantada com o som de Béla Fleck. O músico traz uma mistura entre o tradicional e o criativo, ao tocar o seu banjo de um jeito ímpar. Eu até me surpreendi porque nunca me interessei por banjo mas Béla Fleck me fez dar uma chance ao instrumento e meus ouvidos agradeceram.

Se você não conhece Béla Fleck

Pode ser que muitas pessoas não estejam familiarizadas com esse nome, afinal a música de Béla Fleck não é algo, digamos, mainstream que vai tocar na rádio, em uma boate ou no Top 50 Mundo do Spotify. Vamos então à biografia desse músico.

Nascido e criado em Nova York, Béla Fleck lembra que começou a se interessar por banjo após assistir a um episódio do seriado Beverly Hillbillies (que aqui ganhou o nome de A Família Buscapé), quando era garoto. A comédia contava a história de uma família caipira que se torna milionária do dia pra noite e vai morar no bairro chique de Beverly Hills. Um dos personagens da série tocava banjo e Béla disse que o som entrou no seu cérebro como faíscas.

Béla Fleck
foto: facebook.com/belafleckbanjo/

Anos se passaram até que esse Béla foi atraído de novo pelo som do banjo quando, coincidentemente, seu avô comprou um de presente para ele. Na mesma época ele entrou para o High School Music & Arts mas como o banjo não era uma dos instrumentos ensinados na escola, resolveu aprender por conta própria.

Durante um concerto, nessa época, ele conheceu o rock e o jazz e resolveu incorporar esses estilos ao banjo e no final da década de 70 começou a se apresentar profissionalmente. No final da década de 80 ele se junta a outros músicos e se tornam o Béla Fleck and The Fleckstones. Essa junção trouxe um grande reconhecimento com o seu segundo álbum sendo eleito o número 1 pela Billboard Jazz Chart.

Béla Fleck and The Fleckstones

A parceria de Béla Fleck com o pianista Howard Levy, o baixista Victor Lemonte Wooten e o baterista Roy Wooten começou de uma forma inusitada. Durante uma apresentação em 88, Béla contou com a ajuda de Howard, Victor e um computador Macintosh. Faltava ainda um baterista e Victor sugeriu seu irmão, Roy e nesse dia, que ainda contou com uma falta de eletricidade inesperada mas que eles resolveram com uma versão acústica, nasceu o Béla Fleck and The Fleckstrones.

Béla Fleck and The Fleckstones
foto: facebook.com/TheFlecktones/

O lançamento de um álbum estava nos planos de Béla que ele mesmo financiou para que isso pudesse acontecer. Então em 1990 é lançado o álbum Béla Fleck and The Fleckstones, que trazia uma mistura de jazz e bluegrass. O material não chamou só a atenção da gravadora Warner Bros. como foi indicada a um Grammy.

A banda sofreu alguns hiatos entre 92 e 2006, quando lançou o álbum The Hidden Land,  que além de ter sido indicado a um Grammy, ganhou na categoria Melhor Álbum de Jazz Contemporâneo. O som desse álbum, particularmente, foi o que mais me chamou a atenção. O banjo dá uma ar meio country, que misturado com a bateria e o baixo dá uma ar meio rock e com o saxofone ganha um ar mais jazz. Ou seja, é uma mistura boa que fica bem harmônica, apesar de você achar que não ficaria.

Essa mistura é uma particularidade do Béla Fleck and The Fleckstones que você percebe desde o primeiro álbum, de 1990. É legal que eu vejo também uma harmonia entre os próprios músicos. Ninguém tem mais destaque. No decorrer das canções todo mundo tem seu espaço e aparece na hora certa, dando às músicas um estilo eclético, complexo e muito bonito.

Béla Fleck é aquele tipo de músico que você consegue escutar sozinho, para relaxar, ou na companhia de muitas pessoas, sendo a trilha sonora de um churrasco, à tarde, ou em uma noite de pizza com a família ou amigos.

Vou deixar aqui a playlist completa do álbum The Hidden Land para você ouvir, apreciar e depois me contar o que achou. 😉

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