Playlist especial Mulheres na Música: #EuOuvi

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Amanhã é Dia Internacional da Mulher e hoje é dia de trazer um dica de música. Então nada melhor que juntar as duas datas em uma e criar uma playlist com mulheres que foram além do seu tempo e lutaram para ter espaço no mundo da música em um época que ela era predominantemente masculina.

fotos: divulgação

Com coragem, talento e ousadia elas foram lá, mostraram a que veio e fizeram história, desbravando um caminho para que outras mulheres pudessem trilhar e viver daquilo que sempre sonharam em viver e que se não fosse por essas mulheres pioneiras, seria difícil.

Ella Fitzgerald

Estou lendo um livro chamado No Mundo do Jazz (que já, já terá uma resenha por aqui) e lá é citado algumas musicistas que fizeram parte da revolução do jazz nos EUA, que antigamente era visto como algo marginal. Uma das frases que me chamou a atenção foi dita pelo saxofonista Lenny Popkin e que vou transferir aqui:

Excluindo as mulheres do jazz, perdemos uma dimensão na música; seria como se as excluíssemos de nossa vida […] O que as mulheres exprimem no jazz é totalmente diferente e isso me influenciou muito. [….] A mesma coisa também no caso de Louis (Armstrong): uma mulher tocava o piano de sua primeira orquestra. […]

Ella Fitzgerald foi uma dessas mulheres que contribuíram para a disseminação do jazz e ajudou a tornar esse ritmo conhecido e adorado por milhões. Nascida em meados da década de 10, Ella na adolescência foi problemática. Morava com a tia porque a mãe havia falecido quando ela tinha 15 anos. Depois de fugir de um reformatório passou a viver nas ruas de Nova York e cometer alguns delitos. Tudo começaria a mudar quando, convencida por um amigo, participou de um concurso de artistas amadores e cantou uma canção que ouvia quando era criança.

O saxofonista Benny Carter estava na plateia e convenceu o baterista Chick Webb a colocar Ella como parte de sua orquestra. Depois disso ela gravou seu primeiro disco e em meados dos anos 40 começa a desenvolver seu estilo, que se tornou sua marca registrada: o scat singing. Nesse estilo, criado por Louis Armstrong, o cantor improvisa sons com a boca que não são necessariamente palavras.

Com isso Ella Fitzgerald vai ganhando notoriedade em meio a um estilo musical que era 99,99% feito por homens. Seu diálogo com trompetes, trombones e saxofones a fez ganhar o título de Rainha do Jazz.

Dona Ivone Lara

Olha, se tem uma pessoa além do seu tempo é Dona Ivone Lara. Orfã de pai e mãe na infância, estudou em um internato, na Tijuca aqui no Rio, até os 16 anos. Aos 12 ganha de presente dos primos um passarinho que serviu de inspiração para seu primeiro samba de partido alto que ganhou o nome de Tiê, Tiê.

Seus professores do internato já sabiam que ela tinha um talento para música, especialmente sua professora Lucília Villa-Lobos, esposa do maestro Villa-Lobos e Zaíra Oliveira, primeira esposa de Donga. Elas indicaram Dona Ivone Lara, ainda adolescente, para participar do Orfeão dos Apinacás, da Rádio Tupi, cujo regente era o próprio Heitor Villa-Lobos.

Juntando isso ao dom de também tocar instrumentos, como o cavaquinho, que aprendeu com seu tio, a jovem, agora com seus 20 e poucos anos, se muda para Madureira e começa a frequentar a Escola de Samba Prazer da Serrinha e compor letras de samba para esta escola. Foi difícil no começo devido ao preconceito de ser uma sambista mulher e suas letras eram assinadas pelo primo Fuleiro, que também era compositor.

Somente em 1970 consegue gravar seu primeiro disco Sambão 70, produzido por Sargenteli e Adelson Alves. Aos poucos e com talento de sobra, vai ganhando o respeito e a notoriedade que merece recebendo vários prêmios e se tornando enredo da Escola de Samba Império Serrano, em 2012.

Joan Jett

A rock star já teve o começo de sua carreira, ao lado da sua banda The Runaways, representada nos cinemas e vendo o filme você também percebe a batalha que foi entrar no mundo rock com uma banda inteiramente feminina, na década de 70/80.

A trajetória não foi mesmo nada fácil, com elas precisando provar o tempo todo que sabiam de música. Somado ao fato que Joan não tinha o padrão de beleza imposto pela sociedade onde a mulher tem que ser completamente feminina, e que ela não fazia a menor questão de adotar o look girlie ou sexy para chamar a atenção do público. Ela queria seguir mesmo com o look rock’n’roll e deixar sua marca nos acordes das guitarras.

Seu talento como guitarrista foi reconhecido pela revista Rolling Stone que apontou Joan como a 87º melhor guitarrista de todos os tempos e a sua música I Love Rock’n’Roll, foi eleita pela Billboard como a 28º maior música de todos os tempos.

Nina Simone

De uma rejeição de um conservatório da Filadélfia, EUA, Eunice Waymon não se deixou abater e juntou força, garra e determinação, se tornando Nina Simone, um dos grandes nomes do jazz.

A jovem pianista sonhava em fazer parte de um prestigiado conservatório de música e toda a sua comunidade, liderada por sua mãe, uma reverenda batista, juntou dinheiro para que ela pudesse viajar até a Filadélfia mas teve sua vaga recusada. Nina suspeitava que o fator que a impediu de entrar era a cor de sua pele. Mas continuou ao lado do piano, e em um trabalho em Atlantic City surge a oportunidade dela virar a Nina Simone.

O dono do bar queria que além de tocar o piano, Nina cantasse e assim ela fez. O blues, o jazz, o soul, o funk e o gospel eram o seu background e suas composições começaram a chamar a atenção mas a cantora/pianista/compositora manteve seu emprego em segredo dos pais, que não iriam concordar com seu estilo de vida. Em 1957 assina seu primeiro contrato com uma gravadora e após seu sucesso com a música Little Girl Blue (1958) ganhou mais espaço e uma série de novos discos.

Nina também era conhecida pela sua luta pelos direitos civis, especialmente pela igualdade racial. Ainda criança, se apresentando em um recital de piano na biblioteca onde morava, viu seus pais sendo obrigados a sentar mais ao fundo por serem negros. Esse episódio marcou Nina e quando teve a chance não mediu esforços para fazer sua voz valer também para passar uma mensagem política.

Em 1964 gravou a música Mississippi Goddamn onde falava sobre a desigualdade racial e a partir daí esse tema passou a fazer parte do seu repertório. Em 1969 Nina Simone se torna uma itinerante, viajando para vários países, dentre eles o Brasil, em 1985 para um festival de jazz e em 1997 onde gravou com Maria Bethânia a música Ready to Sing.

Aretha Franklin

Se Ella Fitzgerald é conhecida como a Rainha do Jazz, Aretha Franklin tem o título de Rainha do Soul. Filha de um reverendo, a diva começou a cantar na pequena igreja de seu pai, em Detroit nos EUA. Com 14 anos gravou seu primeiro CD, com músicas gospel, mas aos 19 foi descoberta por John Hammond e assinou um contrato com a Columbia Records.

O começo de carreira não foi como ela esperava e a cantora não conseguia emplacar no topo das paradas musicais. Ela mudou de gravadora, a Atlantic, e passou a cantar o estilo musical que mudaria a história da música para sempre: soul e R&B.

A música Respect se torna um hit no começo da década de 60 com uma letra que como o título da canção explica, falava de respeito. A música original era sobre um homem que queria o respeito da mulher quando ele chegasse em casa mas Aretha inverteu os papéis e continuou com a letra e com o recado: eu sou independente, eu ganho o meu dinheiro e você tem que lidar com isso e respeitar isso.

Respect se tornou um hino das mulheres naquela época e Aretha a porta-voz da independência feminina. A Revista Rolling Stone a elegeu como uma das maiores cantores da história e seu reconhecimento veio em vários prêmios da indústria musical, incluindo a de ser a primeira mulher a integrar o Hall da Fama do Rock and Roll.

Claro que preparei uma playlist com essas mulheres que enfrentaram muitos obstáculos até atingir seus objetivos e provar para o mundo que lugar de mulher é mesmo onde ela quiser!

A todas nós, mulheres, que o Dia Internacional da Mulher seja sempre lembrado com uma inspiração para lutar pelo o que a gente acredita. #girlpower

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