Julian Lage – Arclight: #EuOuvi

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Já falei aqui algumas vezes que nos últimos dois anos tenho escutado muita coisa nova que conquistou meus ouvidos. Bandas, cantores, melodias e ritmos que eu nunca achei que iria ganhar um espaço permanente na minha playlist mas que surpreendentemente (ainda bem!) ganhou. Julian Lage foi um desses músicos.

Casé, meu grande amigo e colaborador desde humilde blog, tem recheado meu Spotify com músicas sensacionais mas dessa vez o mérito desta maravilha musical se deve a outro grande amigo, chamado Nick. Trabalhei com ele durante algum tempo e nesse período me apresentou ao incrível mundo do jazz. Ele que me fez conhecer o Snarky Puppy, que virei fã incondicional, e Julian Lage que agora vou apresentar a você.

Julian Lage
foto: facebook.com/julianlage

Nascido na Califórnia, Julian sempre se mostrou uma criança prodígio. Seu talento fora da caixa rendeu até um documentário intitulado Jules at Eight. O filme gira todo em torno de Julian, com 8 anos, e sua incrível habilidade com a guitarra. No ano seguinte a esse documentário, Carlos Santana convida o menino para um show em sua cidade natal e aos 11 anos Julian entra em estúdio para gravar junto com David Grisman.

Com o passar dos anos Julian se apaixonou pelo jazz e não é de se admirar que passou a se dedicar a aperfeiçoar ainda mais a sua técnica, lançando álbuns de fazer você dizer: “uau!”. O primeiro, solo e sem fazer parte do álbum de outro músico, foi Starpoint, de 2009. Mas o álbum que vou comentar aqui hoje é Arclight (2016), já que foi primeiro álbum dele que escutei.

Arclight - Julian Lage
foto: facebook.com/julianlage

O álbum, como todos os outros, é inteiramente instrumental. Possui 11 faixas em estúdio e mais 5 com apresentações ao vivo, que ganhou outro nome: Julian Lage: Live in Los Angeles.

Fortune Teller tem forte presença das guitarras com um batuque de fundo que acompanha o ritmo de forma primitiva e complexa ao mesmo tempo. Você percebe uma crescente da guitarra como se ela quisesse berrar algo para você. É forte, intenso e bem bonito. Como uma grande tempestade que depois, na calmaria, surge um belo arco-íris no horizonte.

Persian Rug ganha destaque especial porque foi a primeira música dele que escutei. Aqui a bateria bem de leve segue a melodia da guitarra que é também suave mas bem melódica. Parece aqueles riffs tradicionais havaianos, sabe? Se você fechar o olho pode se imaginar em Honolulu. É uma música bem festiva.

Nocture é para quem gosta de uma pegada mais smooth e um tanto quanto sensual. A bateria dá o ritmo de dois pra lá, dois pra cá, com a guitarra fazendo uma verdadeira declaração ao seu objeto de desejo. Parece seguir o ímpeto do coração. Começa delicada e romântica e vai ganhando força no decorrer da canção.

Supera você percebe um sambinha bem tímido mas até que jeitoso no começo da faixa. Tive a impressão de escutar aquele barulho gostoso do afoxé, típico das nossas batucadas made in Brazil com a guitarra também tentando acompanhar esse ritmo.

Em Stop to Start os pratos dão o tom nessa canção, tornando-a meio misteriosa, com o baixo acompanhando a guitarra. Eu tive a sensação de parecer aqueles momentos onde o herói de uma história realmente pára para (re)começar. Onde você deixa a música trazer um flash back das coisas que você fez no passado para pensar nos próximos passos do futuro.

Activate tem uma harmonia completa com piano, guitarra, bateria e pratos. A bateria dá o ar com rebeldia, querendo fazer o que quiser e a guitarra vem para mandar na mesma moeda. O resultado é um mix de sons sem igual.

Presley é uma montanha russa de emoções musicais. Começa tranquilo e depois vai reverberando com uma potência absurda, voltando ao seu estado calmo. Eu gostei deste elemento surpresa porque faz você sentir a intensidade da música tanto em seu ritmo mais frenético quanto em seu ritmo mais acalentador. Não sei se faz uma alusão à Elvis Presley que ora tocava músicas calminhas no violão, ora vinha com seu balançar de pernas em um rock mais animado.

Prospero tem uma bateria mais um vez destemida mas dita o tom de uma marcha em um ritmo que anuncia que algo estrondoso que virá a seguir. A guitarra vai junto desse clamor, se destacando em notas mais altas.

I’ll be Seeing You é aquela magia do jazz que sempre me emociona e faz viajar com meu fone de ouvido. Tem o bater dos pratos bem ritmados, no tradicional ritmo de New Orleans, e a guitarra sendo a estrela total dessa música. Ela parece que está até cantando.

Harlem Blues não é o típico blues de B.B. King e companhia mas tem o seu valor. A guitarra, sempre comandada por Julian, faz toda a diferença guiando os outros instrumentos e tornando essa canção aquela que você escutaria em uma roda cercada de gente feliz e dançando até o sol raiar.

Ryland vem para finalizar esse álbum com chave de ouro, com uma melodia espetacular da guitarra de Julian que parece chorar diante de você, expondo todo seu sentimento, que lembra muito um blues bem característico. Essa sim é daquelas faixas que você escuta e chega a conclusão que Julian Lage é um ás com as cordas.

Em seu site você encontra mais detalhes sobre os primeiros álbuns e uma prévia de seu último lançamento, chamado Modern Lore (2018). No Spotify a música Splendor Riot já está disponível e achei um estilo diferente das músicas de Arclight (2016). Tem um pouco mais de rock na melodia, uma volta de Julian às seus gostos musicais da infância.

Para quem curte uma boa guitarra, tem em Julian Lage uma excelente escolha. Espero que você tenha gostado tanto quanto eu. 🙂

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