TOP 10 2017 – Álbuns Nacionais

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Álbuns Nacionais que fizeram alguma diferença sonora em 2017, pelo menos para esses 2 meros mortais aqui. Sim, dessa vez somos dois…Bárbara e eu falando um pouco sobre cada um deles.

De diferente apenas o fato de que eu escolhi os álbuns que ela comentaria e ela escolheu os meus. Assim a gente se permitia ouvir um pouco mais daquilo fora da nossa área de conforto sonora (eu a fiz falar sobre rap de propósito e ela se empolgou!).

álbuns 2017

Não é um post inédito, nem original e muito menos super mega revelador, mas acho que serve como retrospectiva rápida para aquele momento preguiça em que você não sabe bem o que ouvir ou ainda não tenha tido tempo de acompanhar tudo o que saiu por aí.

E lá vamos nós…

1) Ramiro Mart & Goribeatzz – Áudio Mensagem (Bárbara)

Esse álbum já ganhou até um post aqui no Checklist. As letras do MC Ramiro Mart com os beats de Gortibeatzz, influenciado pelo boom bap, deram à Audio Mensagem uma mistura boa entre um clássico estilo do rap e o nosso jeitinho brasileiro de misturar vários ritmos e criar algo fora da caixa. Eu justamente gostei porque não é algo que você está acostumado a escutar por aí. Ele é intenso e suave ao mesmo tempo, dando a oportunidade de você ouvir cada verso com atenção.

Eu mudo o flow igual mudo de opinião
Entender que o mundo muda é uma lição
Da difícil missão, de sempre ser uma transformação
Eu mudo o flow igual mudo de direção

2) Macaco Bong – Deixa Quieto (Casé)

Macaco Bong é uma banda de rock que já tem mais de 10 anos de estrada e se mantém fazendo um som super original e na contramão da maioria das bandas que existem atualmente. Os caras fazem som apenas instrumental e nessa pegada seguem fazendo sucesso e atraindo atenção pela sua sonoridade típica e com influência própria dos músicos. A última empreitada dos caras foi fazer um álbum com versões muito bem rearranjadas do clássico disco Nevermind – Nirvana e que aqui ganha o nome de Deixa Quieto.

É um álbum que não da pra descrever. Você precisa ouvir.

3) Cícero – Cícero & Albatroz  (Bárbara)

Cícero & Albatroz tem um quê de algo novo com a sensação de familiaridade, como se a gente estivesse junto com os amigos fazendo uma jam session despretensiosa mas que dela saiu uma musicalidade sem igual. É uma mistura da nossa boa batucada com melodias mais clássicas, tocados no violino, trombone e piano, que Cícero organizou e executou com perfeição.

Vem ver
o tumulto do alto
nosso mar de asfalto, ferro e pó
Vem ver
a ferrugem de dentro
o mar de pavimento e fios em nó

4) Paulo Miklos – A gente Mora no Agora (Casé)

O cara saiu do Titãs e resolveu colocar mais um álbum na rua, 3º da carreira solo, e ao contrário da talvez excentricidade que ele carregava quando em bando (trocadilho ruim com banda) esse álbum está bem mpb. A meu ver ganha pontos pela qualidade das parcerias e letras que culminam numa pegada bem brasileira e principalmente pelos arranjos limpos e tranquilos. É um disco bem delícia!!

Trouxe o ontem no peito
Terra e sapato
Em cada passo
Do jeito que eu posso
A fonte do jeito
As coisas que eu cato
Puro e descalço
Mas nunca é tão nosso

5) Ricon Sapiência – Galanga Livre (Bárbara)

Esse achado, ao contrário de Ramiro Mart e Goribeatzz apresentando a mim por Casé e Jonas, foi por acaso durante um evento que estive em São Cristóvão, aqui no Rio. Comecei a escutar a música Ponta de Lança e ver as pessoas cantando cada verso e fazendo aqueles passinhos que lembrava da época do funk carioca dos anos 90. Corri pro meu WhatsApp para mandar pro Casé o vídeo com a música e ele logo me respondeu: Ricon Sapiência, álbum Galanga Livre. É a força do rap, somada ao rock e funk dos anos 70, que procurou enaltecer a cultura afro-brasileira. Ganhou espaço na minha playlist.

Tudo termina em samba, querem que toque salsa
Brasil vai virar Cuba, essa notícia é falsa
Vida sem dor e choro, o gueto sempre quis
Que chore só guitarras, tipo Jimi Hendrix

6) Ayrton Montarroyos – Ayrotn Montarroyos  (Casé)

Conhecido inicialmente pela participação no programa The Voice, Ayrton é um pernambucano de fala calma, quase frágil, e carregada de um gostoso ar bossa novista que serve de alento em meio a tanta repetição de fórmula que se vê no mundo musical. Um play daqueles que a gente aperta e quando vê já escutou o álbum inteiro.

Nem que o chão se abra sob os meus pés
Nem que o céu derrame todo seu mar sobre mim
Eu não posso crer que o teu amor por mim morreu
Teu beijo ainda está nos lábios meus

7) Curumin – Boca (Bárbara)

O álbum tem algo que não consegui decifrar mas que achei bem interessante com tamanha a liberdade que Curumin se propôs para sua criação. Não tem um estilo meio definido. Ouvi um rock psicodélico, um samba tradicional, uns beats espalhados em algumas faixas…É um mix de ritmos que, olha, deu certo. Ouça e tire suas próprias conclusões. 😉

Bota água na panela
Abre a tampa da cabeça
Que o guizado das ideia
Mata a fome do planeta
A barriga tá roncando
Mais que uma cuíca velha
Osso duro, samba torto
E as cadeira quase quebra

8) Rodrigo Campos – Sambas do Absurdo (Casé)

Uma união bem acertada entre Rodrigo Campos, Juçara Marçal, Gui Amabis deu origem a esse álbum de samba que joga com a desconstrução do gênero e se apoia em letras forte e inspiradas sustentadas pela voz igualmente impactante de Juçara. Não é um álbum para os amantes de samba mais puristas, mas aos que flertam com o gênero sem preconceito, Sambas do Absurdo fatalmente será uma boa escolha.

Ei, meu coração
Vem me dizer o que entendeu, o que perdeu
As coisas são o que elas são
Tem sempre um som
Um semi-deus no meu colchão
Ladeira, ladeira, ladeira, mulher

9) Tetriz – Primeira Fase (Bárbara)

A parceria de Ramiro Mart e Goribeatzz continua, agora ao lado do MC Materia Prima. Em Tetriz o beat eletrônico ganha destaque (acho que tanto a capa como o nome do álbum entregam isso), com a bateria como base em várias canções. Mas ainda é notável um cuidado em deixar os versos como protagonistas das músicas. E mais uma vez também percebo nas letras um reflexo da vivência no mundo do rap. Desde os obstáculos enfrentados às pessoas que eles esbarram no caminho e que usam o rap para ostentar e não para mandar uma mensagem genuína.

Saga boom bap
Época dos baggy jeans e fat cap
E o som que mudou todo aspecto
De sentir a vida ao redor
Transformar a dor do mundo
Com muito estilo e intelecto
Fez do espaço urbano de minas e manos
Vivendo entre prédios ser o meu predileto

10) Luiza Lian – Oyá Tempo (Casé)

Luiza criou um álbum conceito meio difícil de se explicar, pois é uma narrativa mais falada do que declamada ou cantada. É poesia intima e conturbada (foram escritas num momento de questionamento sobre o que Luiza chama de ‘encostos’ ) que sai de dentro e do jeito que vem imprimi as impressões e sinceridades de Luiza no fonograma que nos chega ao ouvido.
O disco foi lançado como ‘álbum visual’, o que de certa forma mostra que a estética do trabalho vai além do que se ouve.
É um disco com sintetizadores, rap, jazz, funk e que flui do excêntrico ao natural.
Abaixo a faixa que me pegou pelos ouvidos, pelo ineditismo (pelo menos no que tenho ouvido) de sua construção!

É essa estrada que ensina?
Nela que se caminha ?
É nela que se mora?
É nela que se mora?
Na beira tem água cristalina?
Será que na estrada tem alguém agora?
Seu fluxo é um rio que me destina
Ou resultado de gente que chora
Por toda galáxia
Longe daqui?
Longe daqui…
É nela que se mora?
É nela que se mora?

A gente sabe que é uma pequena amostra do que rolou no confuso ano de 2017, mas a ideia era mesmo condensar a coisas que ficaram mais próximas dos nossos radinhos do lado de cá da tela.

Maaas…se você achar que a diversidade de sons ficou comprometida, eu confesso que tem bastante rap na lista, você encontrará uma lista maior, mais diversificada e dividida em duas partes, feita por mim e com todo o cuidado e mau humor que carrego diariamente (clica aqui para conferir). Chega lá pra ver o que rola! E deixa aqui nos comentários os álbuns que você acha que mereciam algum destaque e por algum motivo (culpa da Bárbara) não apareceram por aqui. 😛

PS da Bárbara: é que por influência deste colaborador/amigo/grande entusiasta do cenário musical, acabei escutando muito rap em 2017. Mas se você quiser ver todos os álbuns selecionados pelo Casé dê um pulinho no em sua página, o NaEscuta. Vale a pena! 😉

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