Mostra Muito Além dos Tenenbaums – #EuFui

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Essa semana fui até a Caixa Cultural do Rio de Janeiro assistir a mostra de cinema dedicada ao diretor e roterista Wes Anderson. Muito Além dos Tenenbaums apresenta uma retrospectiva de sua carreira, com a exibição de filmes e palestras para que a gente conheça um pouco mais sobre seu estilo característico de direção de arte e storytelling.

Mostra Muito Além dos Tenebaums - Wes Anderson

Nascido no Texas, EUA, Wesley Wales Anderson deu seus primeiros passos no mundo cinematográfico quando ainda cursava filosofia e conheceu o ator Owen Wilson, que também estava estudando essa matéria. Em 1994 os dois criaram juntos seu primeiro filme, o curta metragem Bottle Rocket, (que mais tarde virou um longa) que no Brasil ganhou o nome de Pura Adrenalina, e logo de cara foi recebido com sucesso durante o Sundance Film Festival.

De lá para cá Wes Anderson conquistou um público bem cativo com sua forma de dirigir, escrever e acima de tudo, apresentar suas histórias. Desde seu jeito para a fotografia, escolha do figurino e trilha sonora, tudo leva sua assinatura que se tornou bem característica, mas vou falar mais pra frente. Primeiro vamos aos filmes que tive a oportunidade de assistir e que nunca tinha visto antes: Hotel Chevalier e Viagem a Darjeeling.

Hotel Chevalier e a complexidade de um término (ou não)

Neste dia a mostra começou com Hotel Chevalier, um curta estrelado por Jason Schwartzman e Natalie Portman e que se passa todo dentro de um quarto de um hotel de Paris. Jason interpreta Jack Whitman, um homem que aparentemente está passando um tempo nesse hotel fugindo de sua namorada (ou ex-namorada porque a relação não tá muito bem definida), protagonizada por Natalie Portman.

Durante 13 minutos você é testemunha de um relacionamento que não tem mais como continuar mas que os dois de vez em quando voltam a cometer o erro de querer estar juntos, mesmo trazendo dor e arrependimento. É uma mistura de tristeza com alegria, desejo com sofrimento e que você torce para que eles terminem logo, de uma vez.

Viagem a Darjeeling e a chance para um novo recomeço

O longa, de 2017, está ligado ao Hotel Chevalier porque lá está Jack tendo que lidar com outros relacionamentos ruins: neste caso, com sua família. Tudo começa com uma viagem planejada por Francis (Owen Wilson), irmão de Jack, com o próprio Jack e seu outro irmão, Peter (Adrien Brody).

Jack e Peter acham que essa é uma oportunidade para criar laços entre os irmãos, que já não é lá essas coisas e ficou ainda pior depois do falecimento do pai deles. Mas o que eles não sabem é que a verdadeira razão desta road trip é para que os três encontrem sua mãe, que virou monge em algum lugar longínquo do Himalaia e que sempre teve esse hábito de fugir das coisas e nunca teve uma boa relação com seus filhos.

O filme, assim como Hotel Chevalier, fala do desapego aos relacionamentos tóxicos e do sentimento de culpa, raiva e ressentimento que acabam fazendo com que as pessoas não se deem uma chance de recomeçar e quem sabe redescobrir a felicidade. Eu já vi alguns outros filmes de Wes Anderson como Os Excêntricos Tenebaums e Três e Demais e eles têm em comum com Viagem a Deerjaling essa dinâmica superficial entre as famílias e os sentimentos mal resolvidos entre eles. Não sei se é uma espécie de terapia para Wes mas rende sempre boas histórias para a grande telona.

A direção de arte de Wes Anderson

Ao final das sessões assisti a uma interessante palestra sobre o estilo fotográfico e artístico de Wes Anderson, apresentado por Felipe Muanis, professor de Cinema e Audiovisual da Universidade de Juiz de Fora.

Felipe diz que no começo os filmes de Wes tinham um estilo mais realista e que a partir de Três é Demais você começa a nota uma expressão mais poética e lúdica surgindo. Um dos fatores que você mais percebe esse elemento fantasioso é no figurino. Os personagens estão sempre vestindo a mesma roupa, só mudando um elemento aqui e acolá.

Os Excêntricos Tenenbaums é o exemplo mais forte. Royal Tenenbaum, o patriarca interpretado por Gene Hackman, está sempre com seu terno risca de giz, só mudando a cor da camisa. Margot Tenenbaum, a filha protagonizada por Gwyneth Paltrow, tinha seu vestidinho listrado indefectível, acompanhado de um casaco de pele.

As cores são também um elemento bem característico nos filmes de Wes. Amarelo, rosa e azul, em tons mais pastel são muito vistos. No filme Hotel Budapeste os tons foram elementos essenciais para mostrar a passagem do tempo. Na década de 30, o rosa era destaque. Já nos anos 60 você via o amarelo em todo o lugar.

Hotel Budapeste
Cena de Hotel Budapeste. Imagem: imdb.com

Eu cheguei a conclusão que em filmes nada é por acaso e cada detalhe é milimetricamente planejado. No trabalho de Wes Anderson você nota que a perfeição é mesmo levada a sério e cada objeto do cenário foi colocado lá com um propósito. Depois dessa mostra eu com certeza vou passar a ver seus filmes com outros olhos.

Se mora ou está no Rio e quer conhecer mais sobre a obra deste cineasta a mostra Muito Além dos Tenenbaums vai ficar em exibição até o dia 18 de janeiro. Para saber os filmes de cada dia e as próximas palestras é só clicar aqui e conferir a programação.

Bom filme!

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