Snarky Puppy no Circo Voador: #EuFui

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O final de 2017 está sendo inesquecível para mim na parte musical. Realizei um dos meus grandes sonhos quer era assistir a um show ao vivo do John Mayer, me surpreendi com a apresentação de Bruno Mars na Apoteose, aqui no Rio, e na última sexta fiquei maravilhada com Snarky Puppy no Circo Voador.

Circo Voador

No meu post anterior contei um pouquinho sobre a trajetória dessa banda/coletivo/orquestra mas vale recapitular. Com uma ideia na cabeça de Michael League, baixista e compositor, e um encontro entre amigos de faculdade de música veio a vontade de criar um projeto voltado para a grande paixão de todos: o jazz.

Só que de um outro encontro, em Dallas ao som de R&B e gospel, o Snarky sofreu uma transformação e incluiu um pouco mais de funk em seu repertório. E é isso que curto no som deles: essa mistura. Você vê o jazz clássico e o jazz big band. Percebe as influências da música regional e da internacional, a técnica com a visceralidade e a criatividade, o que tornam suas composições algo que vai além das palavras. Tem que ouvir e sentir.

E pude ver tudo isso pessoalmente durante sua turnê pela América Latina. Uma das paradas foi no Rio de Janeiro, no Circo Voador. Achei a escolha bem acertada porque esse lugar tem muita história para contar e é a cara do Snarky Puppy.

Snarky Puppy no Circo Voador 2017

Não via eles tocando em uma grande casa de show ou em um estádio gigantesco. Além do som ser mais intimista, você percebia, durante a apresentação, o amor que eles têm pela música e mesmo sendo uma das bandas referência do jazz atual, não agem com estrelismo. Pelo contrário. São muito humildes, tanto que chamaram o PRD Mais, a banda de abertura, para tocar com eles algumas vezes.

O PRD Mais foi para mim uma grata surpresa. Não conhecia a banda mas as primeiras músicas já foram suficientes para eu ficar encantada. O nome é uma sigla para Pandeiro Repique Duo e o projeto, idealizado por Bernardo Aguiar e Gabriel Policarpo, começou em 2009 e após 7 anos na estrada pela EUA, Europa, África, América do Sul e Ásia, os dois retornam com a ideia de chamar mais gente para levar ao Brasil a força do nosso ritmo, através da percussão.

Seu estilo tem mesmo as influências brasileiras de nomes importantes como Hermeto Pascal e Carlos Malta, somados a bandas de fora como o Snarky Puppy. O resultado é algo que assim como o Snarky, é difícil colocar em palavras. Precisa ouvir.

Depois dessa apresentação surpreendente, o Snarky entrou no palco do Circo Voador e meu coração ficou a mil. Acho que era por estar mais perto de um artista quanto jamais estive.

A grande maioria dos shows internacionais, como disse, é com grandes estruturas e você vê o músico bem pequenininho, acompanhando mais pelo telão do palco. Como a proposta do Snarky não é essa, a sensação que você tem é que ao mesmo tempo que você está diante de uma grande banda, você está junto de amigos em uma grande roda de música.

A maioria das composições apresentadas são do álbum Culcha Vulcha, entre elas Gemini, GO, e Palermo mas se eu tivesse que escolher entre os pontos mais altos do show foram Semente, com a participação do PRD Mais e o grand finale com Lingus (que é de outro álbum, o We Like it Here) e todo mundo “cantando” junto. Coloquei entre aspas porque o pessoal ficou reproduzindo os sons dos instrumentos.

O show começou meia noite e pouco e terminou lá pelas duas e pouca. Entre a troca da PRD Mais para o Snarky Puppy estava com fome, sede, cansada e com calor. Mas foi só a banda entrar que esqueci tudo isso. Foram quase duas horas de boa música e vendo uma galera de 20 e poucos curtindo jazz. Isso também achei sensacional. Era um pessoal jovem que estavam ali se divertindo e admirando cada nota produzida pelo Snarky.

Foi uma noite que fecha com chave de ouro esse ciclo de bandas internacionais que tive a honra e a alegria de assistir de perto. 2017, você está de parabéns. E que venha 2018 com outras atrações para surpreender, emocionar e trazer aquela tal de felicidade, que no fim das contas, é o que importa.

Música importa. E muito. 🙂

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