Os beats africanos, latinos e brasileiros – Bixiga 70: #EuOuvi

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Esses últimos 2 anos estão sendo bem ricos para os meus ouvidos. Estou tendo a oportunidade de conhecer novos sons e me surpreendido com o fato de estar curtindo muito essa novas descobertas. O Bixiga 70 foi uma delas.

Bixiga 70
Foto: facebook.com/bixiga70

A música desse grupo paulista foi apresentada para mim por um amigo e passou a fazer parte da minha playlist de concentração no trabalho. Eu explico.

Quando você está em uma sala com muitas pessoas é mais que normal que essas pessoas conversem entre si. Eu também conversava. Mas quando você tem zilhões de tarefas para cumprir, fica complicado. Aí nessa hora eu colocava a minha playlist de música instrumental para ajudar na concentração.

Bixiga 70
foto: facebook.com/bixiga70

Se eu preciso fazer algo que requer muito da minha atenção e coloco uma canção no Spotify acabo viajando na letra. Para isso conto com uma playlist esperta de música instrumental e algumas das faixas do Bixiga 70 estão inclusas. Só um aviso: esse som pode tanto relaxar, quanto concentrar, quanto fazer você sair dançando por aí se levando na percussão, trombone, trompete, sax e afins.

A lista de membros da banda é extensa: Décio 7 (bateria), Rômulo Nardes (percussão), Gustávo Cék (percussão), Marcelo Dworecki (baixo), Mauricio Fleury (teclas e guitarra), Cris Scabello (guitarra), Cuca Ferreira (sax barítono), Douglas Antunes (trombone), Daniel Nogueira (sax tenor) e Daniel Gralha (trompete).

O nome Bixiga 70 vem do encontro desse coletivo na gravadora Traquitana (amei esse nome!), que fica no número 70 da rua Treze de Maio, de que bairro? Bixiga claro!

Essa galera toda se juntou em 2010. A ideia veio depois que um dos integrantes, o Décio 7, foi convidado para fazer a bateria e percussão de uma faixa para um projeto de Mauricio Flery com o trompetista de Chigaco, Ben Lamar. Todos curtiram tanto o groove que criaram, que a decisão foi quase que unânime: montar uma banda que celebre os arranjos, riffs, melodia e beats. Onde todos os elementos de base ganhe destaque, sem letra, nem vocalista.

O groove musical desta pequena orquestra vem um pouco da África, da América Latina e claro, do Brasil. O afrobeat e o jazz se tornam uma mistura em perfeita harmonia. As influências são muitas: a música malinke, do músico e ativista político nigeriano Fela Kuti e do etíope Mulatu Astatke e grandes nomes da nossa música como Gilberto Gil, Luiz Gonzaga, Baden Powell, Hermeto Pascoal e  Chico Science.

The Copan Connection: Bixiga 70 meets Victor Rice

 The Copan Connection: Bixiga 70 meets Victor Rice
capa The Copan Connection: Bixiga 70 meets Victor Rice

O último álbum da banda, lançado em 2016, contou com a participação do produtor Victor Rice que pegou músicas do álbum III, de 2015, e criou uma nova sonoridade a lá Jamaica com o dub music.

Eu fui atrás para conhecer mais sobre o dub music que confesso não sou muito familiarizada. O estilo, que anteriormente comentei que vem lá da Jamaica, é do final da década de 60 e faz uma nova variação do reggae, intensificando os sons da bateria e baixo. Sua base é bastante utilizada, até hoje, especialmente no cenário do rap.

Aí eu fui perceber que realmente tem uma diferença entre as músicas do álbum III e do The Copan Connection. A música 100%, minha favorita, no álbum de 2015 começa mais suave com violão e o som de metal dos triângulos. Lembra até um pouco o ritmo do forró.

Já na versão produzida por Victor Rice ela já vem forte no som do trombone e de uma bateria que você escuta ao fundo e depois ganha destaque ao longo da faixa. Nas duas versões a bateria é bastante ouvida mas na versão de The Copan Connection ela vem com uma pegada mais forte, como se fosse a protagonista da música.

Vou deixar aqui a playlist dos dois álbuns para você comparar os sons. Dá para perceber em III uma pegada mais brasileira e em The Copan Connection algo mais jamaicano e latino. Tire sua conclusão ouvindo os dois. 😉

Se você estiver em São Paulo pode ter a oportunidade de conferir de perto o som do Bixiga 70 no Baile do Bixiga no Mundo Pensante, que vai acontecer no próximo dia 16. O link do evento é esse aqui.

Jazz, afrobeat e a nossa musicalidade brasileira? Você precisa ouvir isso! 🙂

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