Sinara – Menos é Mais #EuOuvi

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Seguindo aquela história que filho de peixe peixinho é, acho que você ficaria mais à vontade se eu falasse que a banda Sinara carrega consigo um pequeno cardume.

São pelo menos 3 integrantes na mesma família, com laços artísticos fortes, que tem proximidade com outros músicos de peso, e que vieram das guelras do peixe rei conhecido como Gilberto Gil.

A banda Sinara é formada pelos músicos: Luthuli Ayodele (vocalista), Magno Brito (baixo), Francisco (guitarra), João (guitarra) e José Gil (bateria) e teve uma estreia rápida nos palcos mas demorou cerca de 3 anos até lançar o seu primeiro trabalho.

Banda Sinara
foto divulgação: Banda Sinara

Ainda com muito de reggae em tudo o que faz, ritmo fortemente presente em seu primeiro trabalho, a banda Sinara dessa vez diversifica um pouco mais as músicas e faz um esforço a mais para não ser enquadrada como uma banda de um só gênero musical.

A banda lançou Menos é Mais (2017) que tem pouco mais de 30 minutos de duração e se estende por 10 faixas bem homogêneas em qualidade e amarradas entre si em sua estética.
Não é um álbum com surpresas ou inovações, mas as músicas seguem corretas dentro da proposta e apontam para um caminho de maturidade da banda.

Transitando pelo reggae, rock, samba, mbp e ritmos africanizados, a produção do álbum ficou a cargo de Sergio Santos e Pedro Baby.

Sinara - Menos é Mais
capa cd – Menos é Mais

‘Sem Ar’ é a faixa de nº 1 e já mostra a diversidade sonora que a banda promete trazer ao cenário nacional. A trilha faz parte da temporada nova de Malhação e caminha pelo reggae, rock e possui uns momentos mais hardcore contrapondo com a voz tranquila de Luthuli Ayodele.

‘Fim dos Tempos’ é uma delícia de afoxé bem ritmado e convidativo aos que tem corpo dançante. Bateria bem marcante abrindo espaço para as guitarras darem a leveza que a letra da canção exige.

‘Menos é Mais’ é homônima ao álbum e tem uma pegada bem romântica, mas pendendo mais pro lado da gentileza e afeto do que do exagero. É novamente uma canção tranquila, com guitarras que se impõem por vezes, mas não retiram a mensagem sonora da banda. É uma new mpb que vale a pena!

”Meu coração, tornou seu latifúndio
No fundo do meu ser, abalou profundo
E a ilusão, essa não existe
Vou me preparar
Pro que hoje consiste

Indecisão abalou meu pranto
Se isso é querer, logo me espanto
Logo senti, era necessário
Não me perdi, mas me atrasei no seu horário”

‘Ei Pai’ é um rock que deixa bem clara umas das influências do grupo que era a banda Charlie Brown. Os riffs de guitarra remetem a fase mais pop dos rapazes de Santos e depois dividem o peso com a bateria.

A letra em si não vai te pegar, mas acho que dessa vez por falta de ‘força’ vinda da voz que a canta.

Vale ouvir e tirar suas próprias conclusões sobre o som dos caras!

‘O Tempo Passa’ é um reggae bem gostoso e cheio de energia. Dessa vez com uma letra mais marcante e caráter mais pessoal e intimista do que as anteriores. Fala sobre a conexão com a vida e como a gente se integra a ela e passa a fazer parte do todo quando se sabe/reconhece essa energia.

‘Luz de Sofia’ é para mim a melhor faixa do álbum! A mais rica musicalmente, inclusive pelo vocal e coral que o acompanha, cheias de sinuosidades e insinuações.

A música começa com um tom mais dramático, afinal de contas Sofia partiu, e durante o seu desenrolar vai ganhando outros ares até que fica extremamente charmosa e com um jeitão de samba rock.

‘Victoria’ uma canção bem pulsante e também baseado na pegada do reggae, que diga-se de passagem é onde a banda transita com maior tranquilidade e segurança.

A palavra vitória aqui usa a ambiguidade por ser o nome da mulher amada e também serve para concretizar o desejo de ‘vitória’ ao amor do casal.

‘A vida é Qualquer Coisa’ é uma música tranquila e tem um swing bacana. As guitarras são as responsáveis pela atmosfera contemplativa do som e Luthuli Ayodele parece estar à vontade para conduzir a música sem pressa e comunicando bem a mensagem.

”A vida é um rio, belo horizonte, quando a Bahia tinha baleia
A vida é simples, é natureza, como afirmar sem ter certeza
O sentimento: A solidão
Tesão da vida: Separação
Abrindo espaço pro seu destino, quando o meu pai era menino
Abrindo espaço pro seu destino, quando meu pai”

‘Barra Vento’ Uma canção pop com momentos de rock e flow bem impregnado de reggae.
A palavra ‘pesada’ não cabe nas descrições de Sinara, mas fosse esse o caso essa seria uma das músicas com esse rótulo.

‘As Coisas Vão Mudar’ é super pra cima e tem aquela pegada de música que dá um super gás na galera na hora do show. Acho que deixa transparecer bastante autenticidade e sinergia entre os músicos.

Gosto bastante desse som e para mim está entre os melhores do disco, sendo uma mistura de sonoridades com características regionais diferentes, mas que se complementam bem na mão dos músicos.

Se chegou até aqui confortável e tranquilo com o que ouvir, nós estamos no mesmo barco!
Sinara é uma banda nova, com músicos novos e que passo a passo começa a trilhar seu caminho de forma independente, autoral e segura.

Já estiveram em festivais importantes de música e se apresentaram no Rock in Rio como se fizessem esse tipo de apresentação há anos, ou seja, a naturalidade de quem sempre esteve perto dos palcos desde criança se mantém e isso certamente é um forte ponto a favor da banda, que aponta como boa aposta dentro do cenário nacional.

E se quiser saber mais da banda Sinara é fácil, basta acompanhá-los por aqui

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