ColaborAmerica: #EuFui (na verdade #EstouIndo)

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Ontem foi dada a largada para um festival que pretende conectar várias pessoas para uma grande discussão sobre inovação social e a nova economia. Assim é o ColaborAmerica que além do Rio, apresenta uma série de encontros, palestras, workshops e outras fomentações ao redor do mundo, mais precisamente Paris e Barcelona.

Por aqui serão 3 dias de eventos com mais de 150 palestrantes de 30 países diferentes. A ideia esse ano é debater nossa responsabilidade sobre o que estamos deixando para o mundo e as futuras gerações através do manifesto “Inovar é regenerar”. Com recursos cada vez mais escassos, precisamos mais que nunca utilizar a inovação como uma ferramenta de reconstrução.

Nesse primeiro dia participei de algumas palestras e workshops e achei a divisão de conteúdo bem interessante. Como a proposta é a regeneração, nada mais justo fazer um percurso de dentro para fora. Assim foram criadas 4 vertentes que orientariam a programação: Indivíduo, Organização, Sociedade e Planeta.

A primeira palestra que assisti foi sobre a cultura do diálogo. O cientista social Dominic Barter levantou algumas questões. A primeira delas é que antes era bonito falar sobre empatia. Hoje virou uma responsabilidade. O olhar para o outro é preciso para que juntos criemos algo novo. E nessa hora o diálogo é importante, mas ele vai muito além que uma simples conversa. É fazer que algo tenha sentido, colaborativamente.

Eu não sabia mas ele disse que a palavra Inteligência significar ler entre as linhas. Não só escutar as palavras, é essencial escutar a pessoa que está dizendo estas palavras. Daí uma outra palavra, respeito, passa a fazer sentido. Respeito significa olhar de novo.

Depois dessa aula sobre diálogo fui a um encontro chamado Luz e Sombra do Empreendedorismo Autêntico. Se no primeiro encontro o foco era o outro, neste o foco era o indivíduo. Durante 1 hora e meia escutei Max Nolan, fundador da agência Humans, que tem uma modelo de gestão diferente das agências tradicionais. Lá o modelo de gestão é de autogestão, sem hierarquia. Cada um é responsável pelo seu trabalho e não precisa responder a um chefe.

Nolan chama isso de empreendedorismo individual em rede e acredita que tem o maior potencial de desenvolvimento já que não depende de recursos especiais. Somente de pessoas. Para ele existem 7 bilhões de empresas em potencial, no caso, nós habitantes deste lindo planeta chamado Terra. E qual a habilidade que cada um tem? A sua verdade. Ele defende que se você trouxer algo certinho, engessado e sem a sua verdadeira essência está fadado a perder espaço.

E para terminar o primeiro dia assisti a um workshop sobre Intraempreendedorismo com a diretora de marketing da Farm, Taciana Abreu. Antes de explicar o conceito por trás desse nome, Taciana fez uma panorama da realidade que vivemos hoje, em termos de trabalho. O modelo tradicional de empresa, que está enraizado nos moldes da Revolução Industrial, não faz mais sentido.

Para as próximas décadas vamos presenciar mudanças cada vez mais rápidas que vão testar a resiliência de cada empresa, sociedade e pessoa. Estamos saindo de algo que antes era centralizado para algo distributivo, e a Internet é um grande exemplo disso.

Ela mencionou também a escassez como uma realidade que está impactando o modo de consumo. No lugar de fazer os melhores produtos, é preciso fazer o melhor impacto na vida das pessoas. Com isso ela apresentou as novas lógicas éticas e morais:

Antes – Lógica Competitiva: ter, fazer; ter posse; foco no curto prazo; vale tudo; direcionamento egoísta; mais e maior é melhor; hierarquia; autoridade central; vida segmentada; ética regional.

Hoje – Lógica Cooperativa: ser; compartilhar; sustentabilidade; transparência; direcionamento coletivo; pouco pode ser bom; igualitarismo; respeito mútuo; vida integrada; ética planetária.

Então ela apresentou o Intraempreendedorismo para ajudar nesse novo cenário. O termo nada mais é que trazer o propósito e a paixão do empreendedorismo para dentro de uma empresa. É investir no indivíduo e no impacto positivo que ele pode trazer para a empresa e mais ainda para a comunidade a sua volta.

Foram algumas horas de novas ideias, vários insights e cabeça a mil. Além dessas palestras tiveram várias atividades cujos temas giravam em torno da tecnologia, cidadania e sustentabilidade. A gente também encontra uma área para relaxar e aproveitar o dia, com direito a massagem (feita com pessoas com deficiência visual que eu achei incrível!) e shows musicais.

Então quem estiver no Rio até o próximo sábado aproveite para dar um pulinho no ColaborAmerica e encher a cabeça de ideias para o presente pensando no futuro. O evento é de graça e as inscrições são feitas pelo site.

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