Patti Cake$ – Festival do Rio: #EuVi

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Patti Cake$ é um daqueles clássicos filmes que mostra a jornada do herói. Você conhece o conceito? Criada pelo antropólogo Joseph Campbell, revela que todos os grandes mitos têm uma mesma estrutura. 1) Começa com a partida do herói em busca de sua jornada. 2) todas as aventuras que o herói enfrenta ao longo do caminho. 3) o momento do retorno, quando ele volta para casa totalmente diferente de como ele saiu.

O roteirista Christopher Vogler aprofundou ainda mais esse conceito em seu livro Os 12 Estágios do Herói. Esse livro é famoso em Hollywood e usado em quase todos os filmes.

Nele Vogler fala do medo do herói em aceitar o desafio. Da ajuda que ele encontra em um mentor para treiná-lo. Os testes que o herói enfrenta guerreando com inimigos e o encontro com aliados que o faz aprender ainda mais. O êxito nesses testes. O surgimento de uma grande crise no decorrer da aventura. A recompensa por ele ter enfrentado a grande crise. O aparecimento de uma crise final que faz o herói ressurgir totalmente diferente de como começou e o que ele aprendeu usa para ajudar os outros na volta para casa.

Em Patti Cake$, o segundo filme que assisti durante o Festival do Rio, você consegue ver todo esses passos descritos por Campbell e Vogler. E devo dizer, que você torce ainda mais porque olha, a trajetória de aventura de Patti não é nada fácil. Mesmo.

Foto encontrada em: imdb.com

Criada em New Jersey, Patti trabalha em um bar e sustenta tanto sua mãe quanto sua avó. Sua mãe teve uma breve carreira de sucesso como cantora quando jovem mas as decepções e os fracassos resultaram em uma dependência no álcool. Sua avó no momento está com problemas graves de saúde. A válvula de escape de Patti está na música e seu grande sonho é se tornar uma MC no mundo do hip-hop. Ela até já criou seu nome artístico: Killa P.

Foto: Jeong Park

Para isso ela conta com a ajuda do seu amigo Jheri, um atendente de farmácia que nas horas vagas é o MC Jheromeo. Eles estão em busca de um produtor para fazer seu CD e apresentar para DJs e rádios locais, mas está bem difícil.

Só que um acaso do destino faz com que Patti conheça Bastard, um músico que faz uns sons, digamos, peculiares. Mas ela percebe que ele entende de música e poderia ser o que ela precisava para produzir o tal esperado primeiro CD.

Foto: Jeong Park

Patti Cake$ é um daqueles filmes que você fica torcendo para a heroína conseguir vencer as batalhas e voltar para a casa com a devida recompensa. E olha que são muitas batalhas que ela precisa vencer.

Tem o preconceito por ser uma menina branca que não tem o corpo ou a imagem exigida pela indústria para ser uma cantora “comercial”. A falta de apoio da mãe que só quer que a filha pague as contas de casa e não acredita nem por um minuto que ela possa se tornar uma cantora de rap. E, principalmente, a batalha interna que ela traça com ela mesma achando que não é capaz.

Mas, como a gente sabe, vencer não é fácil. Vai ter gente (muita gente) que não vai acreditar em você mas cabe a você mostrar que eles estão errados.

Patti Cake$ tem um bom roteiro, uma boa direção, bons atores e principalmente, uma boa história para uma boa jornada do herói. E tudo isso ainda cercado por uma boa trilha sonora.

O filme deve estrear aqui no Brasil no começo de novembro. Vale a pena assistir.

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