Zimbra – Azul #EuOuvi

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Zimbra é uma banda de Santos formada por Rafael Costa, Vitor Fernandes, Guilherme Goes e Pedro Furtado e que tem um caminho sonoro curioso. Seus primeiros trabalhos possuem uma sonoridade mais heterogênea do que o último lançado pelo grupo.

Não, eles não mudaram o gênero musical adotado. Dá pra dizer que eles estão ancorados no pop-rock. No entanto o trabalho mais recente dos caras segue uma linha mais ‘afetuosa’ do início ao fim.

Esse álbum mais recente se chama Azul (2016) e obedeceu o que parecia ser o caminho natural da banda mais cedo ou mais tarde. Tem uma sonoridade bem produzida, porém é o trabalho mais linear em relação ao que já foi feito.

Os fãs do Zimbra comentaram que existiu um choque inicial mas que foi natural também a aceitação deles em relação a essa nova fase com um norte apontando para relações interpessoais a.k.a relacionamento.

O Zimbra ajustou os ponteiros musicais e ficou mais reto e melódico, sem soar como mais uma bandinha pop que fala de amor por não saber explorar com segurança outros temas.

Elas já falaram de amor antes? Sim!
Então porque o povo falou tanto? Porque dessa vez só falaram disso!

Aparentemente o nome do álbum em si foi uma escolha bem pensada e o azul que tem a conotação de tristeza na língua dos americanos da parte de cima do mapa aparece em algumas músicas do grupo.

Muita gente diz que o álbum segue a fórmula ‘Los Hermanos’ de sucesso, sobretudo pelo tom das composições e uso dos metais (trompete e trombone rolando solto nas faixas), mas acho que não é justo reduzir o trabalho dos caras a essa comparação.

Existem semelhanças sim, eu por exemplo já no primeiro verso de ‘Trem’ acho que o Amarante vai cantar Sentimental e estou certo de que a faixa ‘Não Sei Lidar’ poderia estar no Ventura (2009) mas é uma questão de percepção e a gente sabe que isso varia de pessoa para pessoa.

foto: reprodução

Há similaridades entre os sons de Azul, não que sejam iguais, mas são carregados de um formato que a todo momento conversa com a música seguinte. É quase uma história sequencial e sendo assim as faixas possuem momentos de interseção entre elas, mesmo que fora de ordem.

Vou abaixo falar apenas das faixas do novo álbum do Zimbra que mais me chamaram a atenção, seja pela letra, melodia ou apenas porque sim!

‘Azul’ é também a faixa que dá nome ao álbum é segue bem tranquila. O azul aqui além de ser o nome da canção aparece em forma de vestido e tem referência musical ao blues americano (fica evidente com as guitarras) e minha aposta é que azul certamente é a música certa pra você começar a escutar o álbum e captar de cara o que vem pela frente.

É aquela musica pra cantar no show a plenos pulmões de olhinho fechado? É sim!

‘Sinais’ abre o álbum com um rock baladinha romântica, bem encorpado sobretudo pela forma como os metais preenchem a sonoridade da banda. A letra é bem melancólica, mas a interpretação de Rafael Costa não torna a canção monótona de forma alguma.

Achei uma escolha acertada para abrir o álbum sem entregar muito e sem ‘assustar’ os fãs.

‘Deixa Assim’  é a faixa onde os metais estão beeeem presentes e a gente sabe que eles tem o poder de deixar uma música muito animada ou muito down. Bom, aqui seguimos a segunda opção e a banda que mais uma vez conta com o suporte de Cassio Peixoto e Tulio Mendes na metaleira entrega um som íntimo e cheio de sentimento.

Confesso que nos primeiros segundos eu juro que esperei um sonoro: Eeeeeeee eu, gostava tanto de você!!!

Mas como sempre deixo as conclusões por sua conta.

‘Riso Leve’  aparece meio do álbum e configura como a faixa mais arrastada do grupo. Possui um tom mais depressivo e soa como arrependimento das escolhas feitas ‘para’ o casal e não ‘pelo’ casal.

As consequências nessa caso das decisões unilaterais costumam ser mais pesadas de se carregar e resultam geralmente em auto conhecimento. (sim, eu tb filosofo)

Abre o vinho, acende o seu cigarro artesanal e escuta!

”[…] Sou Assim
Riso Leve Depressão[…]

E amanhã você já se foi
Não quero acordar só
Pra sentir dor
Ao lembrar que eu não sou

Quem achei
Que era sim
Me enganei
Nunca fui […]”

‘Redator’ é uma boa música, e o redator que vos fala gosta bastante, talvez alguma identificação, mas o fato é que ela tem um lado mais visceral que contrasta bem com a calma do início da mesma. Vamos combinar que amor se resume a isso, certo!? Calmaria e Fúria em forma de sentimentos, sejam eles ditos, escritos ou guardados no peito.

”Eu vi você pulando a minha página
Talvez você só queira ler depois
Não fiz tanta questão de ser direto assim
Talvez você perceba isso depois

Eu sempre fui tratado muito bem
Nos meios dessas linhas que eu já fiz
Seguiam pelas coisas que eu falei
Mas a metade mesmo diz
Que é tudo versificação de alguma história que eu refiz”

Azul é um álbum bem construído, porém pode cair na prateleira do ‘mais do mesmo’ caso você não esteja no mood correto para curtir o som dos caras.

É um álbum romântico e evoca sentimentos da relação amorosa entre duas pessoas que não estão mais juntas e que viveram o processo de união e afastamento de forma bem intensa.
E se você se identifica com o momentos, com as guitarras dos caras ou com as letras, aproveita que no fim desse mês rola show aqui no RJ, sendo assim fica ligado pra garantir seu ingresso e fica de olho na fanpage da galera do Zimbra.

Ahhh… escuta também A Cidade (2017)  single que os caras lançaram esse ano. 😉

Aquele abraço e vamos colorir o dia mesmo que seja nesse tom meio tristinho de Azul!

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