Glue Trip – Glue Trip #EuOuvi

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Bossa Nova, Rock Psicodélico, Dream Pop, Rock Indie, muita experimentação e outras viagens sonoras. Aos ouvidos mais atentos remetem ao ambiente de origem da dupla Glue Trip, João Pessoa (PA), e nos apresentam sonoridades mergulhadas num ‘praianismo’ embebido num belo pôr do sol alaranjado e roxo. Tipo de coisa que só um Tigre e um Guerrilheiro podem nos oferecer, não é?

foto: reprodução

Talvez seja um pouco complicado de entender com a descrição acima o que a banda nos entrega. O fato é que a dupla Lucas e Felipe, criadores da banda Glue Trip lançaram o álbum de mesmo nome há pouco tempo atrás, Glue Trip (2015), e criam um som com uma aura diferenciada e repleto de sinestesias que nos evocam diferentes sensações em cada faixa.

O álbum foi gravado no ‘home estúdio’, também conhecido como apartamento 307. Tem as faixas cantadas em inglês e composições da própria dupla, abordando temas como amor e o término dele sem ser meloso, cansativo ou algo do tipo.

Glue Trip é um álbum com 8 canções, sendo 5 já lanças em EP anterior e 3 novas composições que completam essa obra de aproximadamente 45 minutos de duração. As faixas novas são: New Place To Start, Old Blood e Solomon.

foto: reprodução

‘La Edad del Futuro’ é a faixa que abre o álbum com um arranjo de ukelelê (eu acho, mas pode ser outra coisa ) órgãos e com flautas fazendo referências diretas a bossa nova. Talvez seja esse o som que primeiro caiu nas graças do público e um dos responsáveis do grande sucesso que a dupla vem fazendo.

É uma viagem tropical que beira o alucinógeno e isso nada tem a ver com o uso de alguma substância química. É um estado musical que a dupla conseguiu atingir apenas com o som.

‘Old Blood’, também com a dupla cantando, é a faixa é mais calma e trabalha a sonoridade de forma lisérgica e introspectiva. É uma canção que exige uma resposta do ouvinte, pois não foi feita para ser consumida passivamente. Sendo assim é preciso que a pessoa que a escuta traga a tona sentimentos e situações que sirvam de estopim sensorial dentro do espaço tempo da música.

Do meio pro fim da faixa ela muda de rumo e além de sopro da flauta transversal que traz uma certa leveza ao som, Old Blood ganha uma cara mais fechada com a presença da percussão e riffs.

‘Lucid Dream’ é uma mar de teclados que derrama onda após onda de viagem simples e contemplativa em sua sonoridade e nos reverbs em cima da voz da dupla. Os últimos minutos de música certamente vão te remeter a um sonho. Se existe lucidez ou não eu não posso afirmar.

”Searching new places to go
Darling you’ll find me
Darling I’ll find you

Turning pages way too fast
Honey, I’ll try to
Slow my hands

Sleeping longer makes me tired
Sun is shining
But not for me

They say it’s not right to see you.
They say it but I won’t leave you soon
Anymore”

‘Birds Sings Lies’ pra mim é a faixa mais gostosa do álbum. Mistura entre os sons da banda cantos de pássaros e diversos outros sons de natureza.

Também cantada em inglês a letra fala sobre mentiras e o jeito de lidar com elas, que simplesmente é fingindo que elas não existem, ainda que estejam a nossa frente em tempo integral. Guitarras e bateria tem peso enorme após a metade do som, o que não significa ares mais agressivos.

foto: reprodução

O som de ‘New Place to Start’  ficou ótimo com a pegada dos violões da dupla e pode ser um bom começo para você que chegou até aqui sem ter ouvido alguma coisa da banda. É menos experimental que as demais e mesmo assim carrega fortemente o DNA que os paraibanos imprimem em seu som.

‘Solomon’ contém uma característica dentro dos sons da dupla que é a habilidade em mudar o mood sonoro de uma hora para outra, até te fazendo duvidar que está ouvindo a mesma faixa. Não sei representa a junção de duas diferentes mentes musicais (Felipe e Lucas) mas é um tipo de apelo que funciona, ao menos para mim, e não atrapalha meu interesse pelo som.

‘Tropikaos’ é toda instrumental e aponta em tantas direções que o melhor jeito de saber do que se trata é dando play no vídeo abaixo.

‘Elbow Pain’ figura como a última mas certamente a melhor faixa do álbum. Talvez por ser a mais pop e fácil de digerir. Temos esse sonzão carregado de boa vibe, uma dose na medida de guitarras flamencas, Felipe e Lucas usando a voz de forma mais ousada, e uma inexplicável sensação de “parem o mundo que eu preciso aproveitar isso aqui e precisa ser agora”.

O próprio clipe (feito pra ver em tela cheia e com bons fones de ouvidos) em si remete e induz a um estado de relaxamento diferente do resto do álbum e para mim soa como se fosse o somatório ou resposta a todas as outras faixas. Algo do tipo…taqui o álbum resumido em 5:34 minutos.

Com ilustrações e conceitos criados por Daniel Vincent, o próprio tenta elucidar o que rola nesse clipe que é totalmente hipnótico:
“Posso dizer que é uma experiência, agora coletiva, cognitiva. Uma viagem interdimensional dentro de tudo que nós somos. Como saber qual vida ver e viver? Como ter a resposta que nenhum dos deuses podem ter? Os seres muitas vezes não sabem o que realmente podem ser.”

Glue Trip é a música brasileira chegando de cara nova, sem os estereótipos de que precisa tocar isso ou aquilo para conseguir chamar a atenção do trabalho feito.

Os paraibanos são a prova de que música de qualidade pode ser feita a qualquer hora, em qualquer lugar e sem a necessidade de cravar pés no chão no intuito de associar raízes ligadas ao antigo ou ao já estabelecido. E tem mais…a música pode sim ser mais contemplativa e te fazer viajar ao acompanhá-la.

Querendo saber mais do trabalho dos caras, tem promessa de disco novo até o fim do ano, é só ficar de olho aqui e acompanhar o que rola de lançamento e datas de shows!

Dito isso…Boa Viagem!

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