Paralamas do Sucesso – Sinais do Sim #EuOuvi

Postado por

Mês passado saiu o novo álbum de inéditas dos Paralamas do Sucesso. Apesar de anunciado em julho desse mesmo ano, o que não faz tanto tempo assim, era aguardado por seus fãs desde 2009, ano de lançamento do último trabalho do trio.

Sinais do Sim (2017) é um álbum totalmente ‘Paralamas’ e fica evidente que os caras não quiserem se reinventar conforme o mercado pede ou alguns fãs acreditam que deva ser o caminho natural das bandas. Isso não torna o álbum em nada monótono, apenas reconhecível aos que já acompanham o trabalho dos músicos Herbet Vianna, Bi Ribeiro e João Baroni.

Segundo os próprios integrantes eles poderiam fazer facilmente uma turnê apenas tocando os clássicos que já possuem, mas não era essa a intenção. Ainda existe muita musicalidade dentro dos caras e imagino que deve dar um puta tesão criar algo novo, entrar em estúdio para gravação, decidir o que fica,  ensaiar com a banda para os shows e finalmente cair na estrada.

foto: reprodução

O trio já se apresenta junto há 36 anos e isso por si só já é motivo para não duvidar da qualidade do álbum apresentado recentemente. Porém acho que dependendo da idade a qual se conheceu o grupo é possível que o interesse musical do ouvinte tenha mudado ao longo do tempo e com isso exista algum estranhamento ao ouvir Sinais do Sim.

São 11 músicas das quais 9 são cantadas em português e 7 delas são inéditas. A sonoridade continua sendo rock, ainda que com uma pitada aqui e ali de reggae/ska (certamente vinda do Bi Ribeiro que tem um projeto bacana de reggae) mas a predominância da guitarra de Herbert ainda chama a atenção nas faixas, seguida pela bateria de Baroni e pelo baixo do Bi.

E se você entrar numa de comparar o que foi feito agora como que já foi produzido antes, vai rolar aquele sentimento de ‘é exatamente o mesmo só que diferente’ ou seja, nem acho que vale a pena.

Sinais do Sim foi produzido por Mario Caldato, que carrega nas costas bandas como Nação Zumbi, MD2 e Beastie Boys, e que foi convocado não para dar nova sonoridade a banda mas para olhar de fora e de alguma forma complementar a beleza que já existia na sinergia do trio.

A música que dá nome ao álbum Sinais do Sim é aquela injeção de otimismo regada com boa dose de ousadia entregue pela guitarra de Herbert.

É um musicão inconfundivelmente como cara de Paralamas do Sucesso, assim como outras do disco, e como a própria canção afirma ‘o melhor ainda está por vir’.

foto: Zô Guimarães

Itaquaquecetuba é a faixa seguinte e tem predominância dos metais (trombone e sax) e segundo o líder da banda a letra nada mais é do que uma viagem a sua infância onde os meninos da sua idade que também haviam mudado de cidade (acontece muito quando se tem pai militar) tinham por brincadeira tentar falar, sem errar, o nome difícil da cidade para onde foram transferidos.

Medo do Morro é a versão de um rap português (Portugal) da cantora Capicua em parceria com João Ruas e fala de forma assertiva sobre o maior medo dos governos atuais. Esse medo é sobre o dia em que a população passar a não mais temê-los.

Bom, essa versão também tem pegada rock e de rap não restou nada!
Confere a versão original aqui:

Não Posso Mais é uma música do Ruivão a.k.a Nando Reis e que também prioriza os sopros.
Em algum canto da internet eu li que se você fechar o olho e se concentrar essa faixa tem momentos meio Los Hermânicos e eu concordo, ainda que a voz do Herbet fuja muito do que os barbudos faziam, porém a convite de Mario Caldato você encontra um coro bacanudo nesse álbum feito pelo próprio Rodrigo Amarante. Em qual faixa? Descubra!

Teu Olhar também tem DNA 100% Paralamas e segue a linha amorzinho…cês vão curtir!

[…]Teu olhar
Teu doce mirar
Tua boca de mel
Teu gosto de mar
Teu calor
Teu doce sabor
Me faz viajar
Vou seja onde for […]

Constraste é bem delicinha, sem exagero de voz, de guitarra, sem letra complicada. Eu fui com a cara de primeira! Escutaí e diz o que você acha.

Existem duas faixas em diferentes idiomas e são elas Blow The Wind (letra do Herbert com cara de baladinha rock) e Cuando Pase El Tambor outra versão, dessa vez do grupo Soda Stereo (Argentina) e achei que o resultado ficou bem caído, mas…a regra que eu aprendi a duras penas sobre música é que não existe música ruim e sim música que eu não gosto, sendo assim vale procurar e ver qualé.

Corredor é um som com uma pegada de blues e fica dificil ainda sim dizer que não é um som com a cara da banda, pois parece que eles possuem um raio ‘Paralamizador’ que acaba deixando as músicas com jeitão de Paralamas do Sucesso, mesmo as que não costumam aparecer em seus repertórios. Mas relaxa que no fim tudo da certo e você acaba gostando!

Olha a Gente Aí podia abrir o Sinais do Sim, pois é um sonzão com cara de ‘Voltamos e estamos cheios de gás’ e tenho certeza que no show deve empolgar demais.

O trio se completa de um jeito que só a exata formação deles poderia conseguir! É um som firme em cada frase e com a segurança de quem chegou até onde chegou a passadas firmes e conscientes.
De quebra rola uns versos de Fernando Pessoa e o som fica ainda mais bacana.

Sempre Assim é o reggae/ska o qual citei no começo do post e achei uma escolha estranha pra fechar o álbum, pois é um som morno, sem charme, sem apelo lírico ou sonoro, mas taí para que vocês tirem suas próprias conclusões.

Ao fim desses 40 minutos de Sinais do Sim a sensação que rola é de alívio e você pensa: que bom que tenho aqui meu porto seguro quando eu quiser dar um voltinha ali pelos 80’s e 90’s sem tomar sustos.
Não que seja um álbum parado no tempo, acho que não é o caso, e sim o som de uma banda que como poucas tem uma identidade bem definida e que compreende com perfeição qual a melhor maneira de extrair de si mesmos um resultado de qualidade e agradável.

A turnê deles começa dia 30/09 em Curitiba, vai para Sampa e da um pulo rapidinho aqui no Rio de Janeiro em outubro, sendo assim fica ligado aqui para não perder a data!

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Os campos obrigatórios estão com *