Lançamento do EP de Pedro Pondé – Licença #EuOuvi

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Responda rápido: De onde você conhece Pedro Pondé?

A – da banda Scambo
B – da banda O Círculo
C – da minissérie Velho Chico
D – do programa Superstar
E – todas as respostas anteriores

Talvez você não saiba, mas todas as opções acima são válidas. Se você acompanha de perto o que rola de música boa nacional certamente já ouviu a voz desse baiano que subiu ao palco pela primeira vez aos 20 anos de idade, com tanta vergonha que sequer abriu os olhos enquanto cantava.  Ao tomar coragem para encarar a platéia cantando junto teve a epifania de sua vida: preciso disso para viver!

foto: reprodução

Seu primeiro trabalho foi com a banda Scambo no início do ano 2000 e resultou na gravação de três álbuns que tiveram grande aceitação do público. A banda em questão ganhou notoriedade na Bahia, sua terra natal, para então rapidamente passar a correr os palcos nacionais ao lado de bandas como Los Hermanos, Cidade Negra, O Rappa, Nação Zumbi, Marcelo D2, Inner Circle e outros grandes nomes da música.

Tudo corria bem até que em 2006 um desentendimento entre os integrantes e as exigências do mercado acabaram por fazer com que Pondé saísse da banda e forme com outros ex-integrantes a banda O Círculo que teve tempo breve de vida, mas também com boa recepção da mídia e mercado fonográfico.

Eis que em 2011 Pondé e seus antigos companheiros se reúnem, deixa os problemas de lado e o Scambo volta com tudo, permanecendo em atividade até o começo desse ano de 2017.

É certo de que muitos fãs não gostaram da segunda separação, mas dessa vez não existia desavença entre os integrantes e sim um desgaste natural de convivência e interesses, segundo o próprio Pedro.

E o interesse de Pedro agora é bem nítido, pelo menos é como ele define essa nova etapa de sua vida musical, agora em carreira solo, e com abordagens sonoras um pouquinho diferentes.

Lançado recentemente, o EP Licença (2017) possui 4 canções autorais e são elas a expressão máxima da redescoberta em que Pedro se encontra nesse momento.

foto: reprodução

O cantor vive momento único de compreensão e redescoberta de si mesmo e da música baiana e esse ‘estado de espírito’ o permite estar a todo momento aberto para criar, entender e receber as novas sonoridades do jeito que elas vierem. Sendo esse trabalho realizado de forma mais fácil ainda estando acompanhado por Ricardo Machado (bateria), Ênio (guitarra), Tatiana Trad (baixo) e Ângelo Canja Daltro (guitarra).

Ao Mar é uma canção muita da gostosa cantada ao violão com uma pegada mais voltada ao reggae, porém sem as marcantes características do gênero e numa versão acústica.

Sabe aquela música bacaninha que a gente gosta e elege para ser a primeira para aprender a tocar no violão?  Ao Mar poderia facilmente ser essa música.

”Meu amor
Se soubesse a força que me dá
Todo dia ao amanhecer
Eu me lembro tanto de você
Me dizendo tudo vai dar pé
Veja só a vida como é
Ela é feito o mar é de maré
Tudo vai se acertar
Uma hora vai”

Pausa é outro reggaezinho, mas dessa vez conta com um baixo dando forma ao som e com uma metaleira – discreta – composta por sax, trombone e trompete.

Se você não curte o gênero talvez não seja o melhor som para se familiarizar com o EP já que a música soa um pouco arrastada e acaba nos dando a sensação de ser maior do que realmente é.

Seu eu curti? Certamente!

Licença chega com synth, mellotron e com efeitos que deixam a musicalidade de Pondé mais dramática.
A letra tem tom de protesto e fala sobre a dificuldade em se manter a sanidade em meio ao medo que a cidade nos impõe e como ficamos reféns dessa situação uma vez que polícia e bandido são vistos igualmente como inimigos.

A levada de Pondé aqui é meio rap e funciona muito bem com o tom que a música sugere. Eu que sempre escuto coisas demais, o que não quer dizer que eu as invente, posso te garantir (mentira, não posso) que no meio desses efeitos de ‘Licença’ existe uma micro pegada de Chemical Brothers que por sinal é uma ótima banda e essa música que coloquei o link é boa demais.

Afinal de contas, quem não quer ver um Baiacu fazendo beatbox?

O Vento fecha o EP com a sonoridade mais complexa dentre as 4 canções e entrega em diferentes camadas as influências que o baiano carrega consigo e demonstra musicalmente.

Existe uma influência de rock e dub, esse segundo percebido pelo suave reverb na voz de Pondé, porém as distorções de guitarra, sons de vento e outros efeitos sonoros deixam a faixa menos ‘rotulável’ do que de costume, quase como se cada músico tivesse feito sua parte intuitivamente e depois uniram o material produzido, sendo Pondé a cola que faz com que essas partes façam sentido depois de unidas.

“Sinto um vento…
No meu rosto..
Vejo de onde estou.
A cidade.
As pessoas..
Seus segredos..
Ninguém é tão bom assim.
Ninguém é tão ruim assim.
Ninguém é perfeito.”

Pedro Pondé tem DNA baiano, mas seu som é desgarrado de regionalismos e por isso suas músicas e jeito de interpretá-las soam bem, não importando se ele se apresentará apenas com voz e violão ou se com banda e efeitos sonoros compondo a sonoridade de suas canções.

Vale conhecer mais sobre o cantor e seus trabalhos anteriores? Vale! Siga a fanpage dele aqui e depois é só correr pro abraço, mas ó…lembra de pedir Licença! 😉

7 comments

  1. Cada palavra de suas músicas, reflete o que Pedro sente e pensa.
    Pedro é transparente, não consegue esconder seus sentimentos.
    As músicas são lindas expressões do seu ser.

    👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼

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