Tais Feijão – #Todas #EuOuvi

Postado por

Sou neguinha e não sei sambar,
Sou neguinha-inha-inha e não sei sambar!

É com essa desconstrução de estereótipo que Tais Feijão se firma em uma de suas músicas cheias de brasilidades e verdades inspiradas no dia a dia.

Tais demonstrou cedo  interesse pela música, por volta dos 5 anos de idade, assim que pode ingressou na escola Villa Lobos dando seus primeiros passos mais sérios em sua relação com a música ao iniciar seus estudos sobre teoria musical.

Após formada foi tocar guitarra na Orquestra Sinfônica da Villa Lobos e tempos depois criou o grupo de Jazz ‘Feijão Com Tudo Dentro’ e com ele passou cerca de 3 anos fazendo shows no eixo RJ-SP.
Conheci o tempero dessa moça aí no palco da Virada Sustentável 2017 que rolou no Rio uns meses atrás (Pietá também tocou esse dia) e desde então estava me coçando pra poder falar sobre o som dela.

Casé, mas que tipo de música ela faz? Bicho, ela faz música boa!

foto: reprodução

Mas se quiser botar dentro de caixinhas da para chamar de mpb, samba, jazz, reggae, forró, pop e por aí vai. Foi inclusive levantando a bandeira da mpb e do samba que Taís foi vencedora do Festival de Música Instrumental da Petrobrás 2010 e passou a despertar muito mais olhares para seu trabalho que além de autoral é intenso, bonito e soa sincero. A voz de Tais combina bem com o que ela canta e isso torna a audição muito mais agradável.

Sua influências beberam da água de nomes como Aretha Franklin, Nina Simone, Djavan, Milton Nascimento, Elis Regina, Rita Lee e mais uma porção de gente. Sendo assim fácil entender a versatilidade da moça cantando em diversos gêneros.

O seu álbum de estreia se chama #Todas (2016) e se desenrola de forma bem agradável, com base mais marcante de jazz, mas sobrepondo estilos musicais de forma bem tranquila e mostrando uma brasilidade que fica explícita no som, nos temas (a letra de Curumin é um bom exemplo) e até no jeito como a voz de Tais soa.

A formação base das músicas fica por conta de Taís Feijão Voz (Guitarra; Violão); François Morin (Bateria); Samir Aranha (Baixo).

O Jazz é mais marcante nas faixas ‘Aquela Música’‘Farpela’ e ‘Rabo de Olho’ tendo essa última um swingado bem gostoso e uma introdução que me fez automaticamente lembrar de ‘Pagu’ da Rita Lee e regravado pela outra Rita, a Maria. Sendo as duas referências sonoras, eu talvez não esteja ouvindo coisas.

Com baixo e violão se sobressaindo e uma pegada vocal meio Elis Regina, em dados momentos, ‘Músculo Ímpar’ é talvez única faixa capaz de gerar alguma discussão, por falar Marijuana, mas não existe nenhum tipo de apologia ou incentivo. O intuito é apenas relaxar o músculo ímpar – coração – que anda aflito com esse pessoal que teima em chegar na hora errada e nos possuir.

‘Curumin’ é a faixa ao norte da região sudeste e tem letra carregada de palavras que fogem ao vocabulário carioca o qual a cantora respira. Segue em ritmo de forró e me agradou por não ter exageros.

”Fisguei você com meu caruri
Armadilha de pesca, minha armadilha de pesca
No Rio Negro, um canoeiro
Disse que irias me seguirTe esperei, debaixo d’uma seringueira
Não aguentei de tanta saudade
Vixe! Cadê meu curumim?Meu curumim, quando te vi atras de mim
Quase caí
Meu curumim, não faz assim, tenha dó de mim
Oh! Meu curumim”

Os cariocas em particular parecem ter uma enorme necessidade em falar sobre o Carnaval, eu mesmo já escrevi sobre essa feliz época do ano por aí, e um sambinha tranquilo e ritmado dão corpo ao som de ‘Fevereiro’  que fala sobre uma neguinha-inha-inha que é doente dos pés, mas ágil das mãos. Uma música que admite qualquer tipo de comportamento menos o de ficar parado sem sambar.

‘Dia Azul’ uma pop/balada com cara de poesia. É um som de arranjo simples e talvez a mais romântica do álbum. Violão e guitarra dão o tom certo para aquele momento rosto colado no meio do baile.

Tem jeito mais simples e direto de terminar um relacionamento ou cd do que com um ‘Tchau’ sonoro e decidido? [OK, para os relacionamentos fica um pouco feio, mas a faixa trata disso!]
Já que faz tempos que o casal não se vê, é melhor que um deles tenha a firmeza de dizer tchau, correto? Pois é o que rola aqui!

Sobre um riff bem tranquilo a voz de Feijão fica a vontade sobrepondo baixo, violão e guitarra e da até para sentir o gostinho de liberdade na voz de Tais enquanto a música se despede com lento um fade out.

#Todas é um cd bem curtinho, com músicas bem pensadas e certinhas em arranjo e voz.
É aquele som que toca e você pensa: Isso é bom, né? Porque não tá tocando nas rádios?

Mas a real é…Quem precisa de rádio com download no site, streaming no spotify e a promessa de um novo EP pintando por ai?

Pois é, em parceria com o produtor musical Szabe, em breve poderemos curtir 3 novos singles e esperamos que cheios de swing e carregados dessa voz versátil que Tais carrega. No mais, vale não perder as novidades acompanhando o Facebook dela! 😉

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Os campos obrigatórios estão com *