Curtindo A Vida Adoidado, Freud e tudo mais: #EuVi

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Quem tem a minha idade lembra muito bem do filme Curtindo A Vida Adoidado passando na Sessão da Tarde. Nele, Ferris Bueler cria um plano muito mirabolante para matar aula e se divertir em NY com seu amigo, Cameron e sua namorada Sloane.

Eu já tinha visto esse filme milhares de vezes só que dessa vez eu reparei em algo que daria uma bela análise e que resolvi compartilhar por aqui: a personificação do id, ego e superego através de Ferris, Sloan e Cameron.

foto: reprodução

Sou formada em Publicidade e Propaganda e umas das matérias que tive na faculdade foi Psicologia. Lá eu conheci  essa “classificação” que  Sigmund Freud, o criador da psicanálise, deu para o que se passa em nossa mente e o que faz a gente pensar, agir e sentir em relação a certas coisas e situações.

Vamos lá então. O id seria nossas forças instintivas, o impulso que faz a gente querer satisfazer nossos desejos. O superego é a nossa consciência moral, a esponja que absorveu todas as regras passadas por nós ao longo da infância e adolescência. O ego seria o moderador, digamos assim. A parte de nós que recebe a mensagem do id que quer satisfazer uma vontade mas também recebe um relatório do superego de tudo que poderia dar errado se essa vontade fosse satisfeita. Aí ele avalia se vale a pena ou não.

E vendo o filme Curtindo A Vida Adoidado pude ver cada um desses aspectos da nossa psique representados nos personagens.

Aviso: se você ainda não viu o filme, tem alguns spoilers!

Ferris é claramente o id. Quer realizar todos os seus caprichos e não tem o menor remorso de criar várias tramoias e mentir para os pais. Só para você ter uma ideia era a nona vez que ele inventava que estava doente. Uma de suas frases mais marcantes e que destaca bem esse modus operandi é: “A vida passa bem depressa. Se de vez em quando não parar para aproveitar, vai acabar não vivendo”.

Cameron é o superego todinho. Tem medo de enfrentar o pai e acaba obedecendo a tudo que ele fala. E tanto stress acaba fazendo com que ele fique doente de verdade. E calhou de que uma dessas vezes que Ferris inventou estar doente Cameron estava realmente doente. Ferris mesmo assim o convidou para sair e Cameron, claro, não aceitou.

Ainda mais que o amigo queria dirigir o carro caríssimo de seu pai (uma Ferrari). Uma das cenas que achei que mais expressa esse lado superego é a batalha que ele traça com ele mesmo para sair de casa.

Já Sloane por sua vez é o ego. Ela adora o jeito divertido de Ferris e topa algumas aventuras com ele mas tem o pé no chão e não tem medo de dizer para ele quando ele passou dos limites ou se está errado.

Durante uma visita a Bolsa de Valores ele pergunta se ela quer se casar e ela diz que sim. Mas quando ele diz se quer se casar agora, ela acha um absurdo e diz não. E quando ele pergunta por que não, ela diz a frase: “Como assim por que não? Pare e pense!”

O que mais gostei de ver no filme foi a parte que Cameron começa a deixar seu lado superego para trás. Ele começa a perceber que errar faz parte e que a gente tem que lidar com isso nas cenas finais quando todos achavam que dando ré o indicador de quilômetros rodados ia voltar a numeração original, deixada pelo pai.

foto: reprodução

Mas não é isso que acontece. Cameron surta. Mas depois tem uma epifania: viver com medo, o tempo todo, é ridículo. Ferris se oferece para assumir a culpa, já que ele que convidou mas Cameron diz algo que você percebe que o superego está virando ego, como Sloane:

Eu preciso enfrentar. Você falou para eu sair com o carro do meu pai mas eu aceitei. Preciso tomar as rédeas da minha vida.

Quando terminei de ver o filme parei para pensar o que poderia tirar dos 3 personagens:

Vale a pena correr riscos e se aventurar como Ferris? Vale.

O medo é um sentimento que vale a pena escutar como faz Cameron? Vale.

Vale ter um pouco dos dois e aproveitar a vida do jeito que ela merece ser vivida como faz Sloane? Vale!

Quando a gente se torna adulto é inevitável. Temos responsabilidades a cumprir. Temos que pensar no futuro. Mas também temos que se divertir e se permitir viver as pequenas alegrias do cotidiano. Senão não tem graça. Senão não faz sentido. Nessa hora é bom relembrar de vez em quando a frase de Ferris:

“A vida passa bem depressa.

Se de vez em quando não parar para aproveitar,

vai acabar não vivendo”.

E curtir adoidado, uma vez ou outra.

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