Tribalistas – Inéditas #EuOuvi

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Exatos quinze anos após o lançamento do primeiro álbum, os Tribalistas (2002) anunciaram retorno através das redes sociais e tal qual Los Hermanos dividem os brasileiros entre ‘Eu Amo’ e ‘Eu Odeio’ em relação ao trabalho do trio Carlinhos Brown, Arnaldo Antunes e Marisa Monte.

Ame você ou não, isso é sinal de que em algum momento você os ouviu e acredito realmente que o efeito Los Hermanos ocorreu pelo simples fato da músicas ‘Amor I Love You’ e ‘Velha Infância’ terem tocado a exaustão e testado a paciência de todos lá no início dos anos 2000 assim como fez ‘Ana Júlia’.

Composto pelo mesmo time que fez o primeiro cd acontecer, os Tribalistas voltam com sonoridade que apostam no mais do mesmo e reforçam assim a identidade do trio que tem entre suas características um poder de criação conjunta, que segundo os próprios integrantes continuou sendo usado ao decorrer desses 15 anos, até que algumas músicas lhes saltassem a cara na urgência de um trabalho novo.

“Gravamos uma música por dia, tudo filmado, é um disco que você escuta melhor assistindo.” Disse Marisa Monte em uma das entrevistas já concedidas sobre o retorno da banda.

Com data de lançamento marcada para o fim de Agosto e 4 faixas já disponíveis nas plataformas de streaming, o trio que vendeu quase 2 milhões de cópias na primeira empreitada se prepara para o lançamento do disco e aparentemente sem turnê promocional outra vez.

Lembrando que alguns anos antes rolaram uns boatos sobre essa volta com o lançamento da faixa ‘Joga Arroz‘, mas ficou tudo por isso mesmo. Confere aí embaixo as músicas que já estão disponíveis.

‘Um Só’ Aqui eles mostram que continuam subversivos a sua forma, e que não tem nada a ver diretamente com o jeito em fazer música, e que eles compreendem e fazem bom uso dessa sinergia que existe entre suas forças criativas.

No fundo não é questão de mostrar ser mais e sim de poder ser mais quando unidos!
Som tranquilo e letra de construção fácil para ser repetida em forma de ‘hino’, porém sem a pretensão de sê-lo.

”Somos todos eles da ralé da realeza
somos um só, um só
123, somos muitos, quando juntos
somos um só, um só”

‘Fora da Memória’  Me lembrou um tiquinho de Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão (1994) talvez pelo uso maior de percussão, ainda que sutis, e violão calmo dando um clima quase – eu disse quase – interiorano.

”fora da memória tem
uma recompensa 
um presente pra você
você que não pensa
no que foi, no que será
no que foi, no que viria

fora da memória tem
uma regalia
para quando você acordar
todo dia”

‘Diáspora’  Usa aquele fórmula ‘voz grave + citação’ que até dá um charme para a música, mas não é de fato parte da música, né? É um som mais plural e talvez a ideia seja essa mesma. Explicitar as tormentas internas e dúvidas perante um Deus que parece não responder e para isso usar a pluralidade na hora de comunicar com vozes, timbres e realidades, assim como plural é a sua criação.

As partes com ênfase na voz do Arnaldo Antunes são – Citações: início do Canto 11 de *O Guesa*, de Joaquim de Sousândrade e trecho de *Vozes d’África*, de Castro Alves)

‘Aliança’  É a música sentimental até o momento, ou seja, a Velha Infância 2.0, porém mais melancólica como Marisa Monte costuma fazer em parte de suas canções.

É aquela que traz para perto, que abre o jogo, que vislumbra algo lá na frente e que sonha as possibilidades.

”Se um dia
Eu te encontrar
Do jeito que sonhei
Quem sabe ser seu par perfeito
E te amar do jeito que eu imaginei

Ao virar a esquina
Atrás de uma cortina
Me perder
No escuro com você
Fogo na fogueira
Seu beijo e o desejo em seu olhar
As flores no altar

Véu e grinalda
Lua de mel
Chuva de arroz
E tudo depois
Dama de honra
Pega o buquê
Ninguém mais feliz que eu e você”

Música no geral tem a vantagem, pra quem concorda, de nos deixar sentir e interpretar da forma que quisermos e com base em nossas vivências e conhecimentos.

No caso do retorno dos Tribalistas eu não vi nenhum comentário morno ou em cima do muro, ou seja, ou as pessoas gostam muito ou detestam com todas as forças. Não estou certo se fazem realmente algum esforço para entender o que escutam ou se apenas saem distribuindo selos de amo e odeio e deixam esse burburinho no ar.

Eu escuto Tribalistas e não amo, mas gosto! Acho que ao contrário do discurso dos artistas esse trio perde força ao se juntar, mas essa é minha leitura. No geral vale a regra básica do ‘se não curtiu vai escutar outra coisa’ porque já tem muita gente chata por aí, né não?

Informação Adicional: (Que ninguém pediu)

Acrescentando mais uma para uma boa discussão, li recentemente, enquanto pesquisava sobre o burburinho causado pela letra de ‘Tua Cantiga’ do Chico Buarque, que no geral música não é datada e sim o entendimento que temos dela. Claro que músicas de 1 século atrás são resultado do que se viveu na época, mas música ao ser criada pode utilizar o recurso do anacronismo, enquanto as realidades de interpretação são bem pontuais e representativas para aquele momento. E o artista não tem como prever o que vai ser entendido em relação a sua obra!

Eu sei…eu sei…esse assunto da muito pano pra manga, mas vale a pena a gente saber identificar quando estamos usando a ‘roupa do rei’.

Se quiser ler um review bem água com açúcar e sem polêmica, eu já debati demais pelo whatsapp nesses últimos dias, sobre o novo single do Chico Buarque é só dar uma conferida aqui!

Informação Adicional 2: (Voltando aos Tribalistas e sem polêmicas dessa vez)

Ahhhh…vai rolar um especial dos Tribalistas na tv Globo e diz a lenda que no dia 31/08, sendo assim fica ligado!

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