Profissão de Urubu – Profissão de Urubu #EuOuvi

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E se eu dissesse que Tom Jobim era aficionado por urubus, sim aquela ave que ninguém gosta, a ponto de conhecer bastante sobre esse animal e lançar o álbum Urubu (1976)?

Foi de posse dessa informação e assistindo a uma entrevista do Maestro Tom Jobim, juntamente com Chico Buarque, onde o nosso Maestro mais brasileiro de todos de repente solta:
– Profissão de Urubu é ser alegre e tristonho!

Pronto! Foi o suficiente para que Paulo Mello e Bruno Jéfter tivessem a ideia de nomear como Profissão de Urubu a banda que haviam formado recentemente.

A banda brasiliense tem em suas referências artistas como Caetano, Chico e Los Hermanos, e possui uma pegada bem tranquila, autêntica e autoral que culminou no gostoso álbum Profissão de Urubu (2015) e  em breve nos presenteará com outro álbum.

Capa do CD. Foto: reprodução

Composto basicamente por violão, baixo, guitarra e baterias, o álbum segue uma linha folk/mpb e apresenta composições, segundo Bruno e Paulo, que não falam nada além das próprias experiências de vida, e talvez seja por isso que as letras nos soem tão familiares, pois sentimentos como amor, saudade e outros sentimentos ligados ao coração e as relações estão presentes ao longo das 11 faixas de duração desse voo sonoro.

O Álbum começa com ‘Até’ e de forma bem tranquila fala sobre o alívio que o retorno ‘dela’ trouxe e o desejo de que a agonia da sua ausência não mais volte. A faixa que concede espaço para os sopros, alterna momentos de um Paulo quase que declamando a música com breves entusiasmos sonoros que acompanham o ritmo de ‘ainda bem’ que a música carrega.

As vezes o amor mesmo intenso é bem curtinho (por que não um mês?) e a gente precisa aprender que esse tipo coisa acontece e que a vida quer de nós coragem e confiança para saber que mesmo um término aponta que as coisas vão ficar bem e vai dar tudo certo. ‘Setembro’ fala disso!  É uma música mais saudosa, com coral de vozes conferindo o sentimentalismo que ela quer passar e uma levada folk imprimindo ritmo mais calmo.

‘Tá Sol’ inicia de um jeito bem desconfiado e você não espera mais uma canção romântica. Na verdade a palavra ‘romântica’ pode conferir um peso meio antiquado a música de Bruno Jefter, pois suas canções carregam um jeitão mais malemolente do que apenas derretido, porém falando do mesmo tema. Sendo bem conduzida por guitarras e com bateria de marcação leve, Tá Sol  é aquela canção que já nasceu com cara de música indispensável no luau entre amigos.

Responsável pela capa do disco e pela letra de ‘Cigarro na Orelha’ Camila Maia presenteou a voz de Paulo com uma canção bem nostálgica. Com ar bem carioca, não só pela letra que tem um misto de malandro arrependido, mas existe uma narrativa que me remeteu a Noel Rosa em ‘Conversa de Botequim’ pelo jeito como a conversa discorre.

Gosto muito desse som, no entanto não acho que seja o melhor para apresentar a sonoridade dos caras.
Confesso que fiquei achando que a letra dizia ‘Te levar pro pinel até fechar’  até que busquei a letra oficial e descobri que é ‘Te levar pro Pinella até fechar’ e Pinella é um bar bacana de rock que fica em Brasília.

‘Pinheiros’ acompanha o ritmo do álbum e floresce como mais uma canção calma, com arranjos de cordas delicados e servindo de cama para a voz de Bruno. Fica na letra de forma explícita a confirmação de dias melhores, contrários ao que o rapper Criolo entoa ao falar que ‘não existe amor em SP’.

”Mais uma vez
Não me canso de vocês
Viu que já passou das seis
Ninguém dormiu
Ah meu Deus do céu
Que sorte grande
Até o sol sorriu
Se abriu

Que delícia de café
Que beleza essa mulher
Olha o sábado provou
Que em são paulo agora
Existe amor”

Com boa colocação de sopros abrindo a faixa, ‘De Verdade’ é talvez a canção mais bonita do álbum e parte dessa beleza é porque no seu decorrer presenciamos a dobradinha entre os vocalistas ao sustentar o refrão. Pra mim uma aposta que poderia aparecer mais vezes dentro das músicas.

foto: reprodução

‘Cai Céu’ tem clima mais noturno e sombrio e com marchar ritmado da bateria como se uma procissão andasse pela rua dando mais legitimidade às palavras que entoam o nome da música e conferem um ar celestial as palavras cantadas.

‘Par’ traz um clima mais folkeado que bebe na fonte dos filmes de bang bang, talvez, não aquele western sisudo do Clint Westwood, mas algo mais leve ainda que com determinados momentos de tensão. Talvez a graça do Profissão de Urubu seja essa. Lembra do alegre e tristonho? Aqui acho que rola um alegre, tristonho e desconfiado!

”Se você me deixar
Não tem mais café
Pra dois nem pão
Recado no espelho
Cigarro no cinzeiro
Um tinto pelo meio
E roupa pelo chão”

‘Para Sempre’ tem um clima gostoso, quase interiorano, e mais uma vez levanta a bandeira do amor como tema principal, no entanto a canção tem dois caminhos que falam sobre finitude e continuidade. Aparentemente a escolha fica por conta de quem ouve.

‘Embora’ é um pop rock que não desponta muito devido a calma que a interpretação carrega e que tem uma pegadinha reggae em determinado trecho, mas volta ao ritmo mais animado em seguida.

‘Fala’ fecha o álbum com um dedilhar suave de violão, interrompido brevemente por uma bateria enérgica, sem muito a apresentar liricamente. Uma ‘semi faixa’ quase funcionando como um ‘outro’ comum em discos internacionais e que podem conter pedaços de conversa, trecho de música nova ou apenas experimentação do artista para outras sonoridades. É apenas uma despedida rápida e apaixonada e não mais do que isso.

Profissão de Urubu é uma banda nova, com bastante consciência do caminho que pretendem seguir musicalmente e no momento (me refiro ao 1º álbum) queriam fazer aquilo que os agradava. Acredito fortemente que conseguiram e que seguem orgulhosos do resultado conseguido!
Não parecem ser o tipo de banda que toca apenas pela projeção no meio musical ainda que seja um desejo inerente a todas elas.

Com promessa de nos próximos meses lançar o álbum novo, fica aqui a expectativa a respeito de qual caminho os rapazes vão seguir dessa vez.

Em entrevista para o programa ‘Refrão’ eles disseram que o álbum está mais complexo, com mais texturas sonoras, no entanto o amadurecimento adquirido na primeira entrada de estúdio deles fez com que as coisas agora corressem de forma mais simples e natural.

Abaixo da pra dar uma conferida nos dois singles que a banda disponibilizou ano passado e que possivelmente farão parte do que está por vir.

Aqui uma homenagem de Jéfter à sua terra natal falando sobre as belezas de Mossoró, conhecida também como ‘Terra do Sal’, cidade a qual morou até os 7 anos de idade.

E ‘Vamo Combinar’ teve seu clipe feito inteiramente por vídeos do Snapchat criados por amigos, famílias, fans e quem mais se dispusesse a mandar um vídeo para a banda.

E obviamente vale ficar ligado no site dos caras que disponibilizaram o cd pra donwload https://www.profissaodeurubu.com/

De cá aguardamos o próximo voo!

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