Farm na rua – #EuOuvi

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Domingo retrasado (25/06) rolou um evento em comemoração a marca de roupa feminina Farm, que completou 20 anos, e a celebração contou com feirinha, desfile de coleção e bastante música!

Tudo isso ao longo da orla do Leblon até Ipanema e com uma diversidade musical bem interessante e distribuída ao longo de 7 palcos e 12 atrações que atraíram e agitaram gratuitamente os cariocas que estavam pela praia.

A Gaia esteve por lá comigo e fala com muito mais propriedade sobre o evento aqui. Eu como ainda não sou onipresente, mas sou todo onipreguiça, consegui assistir parcialmente o show da Tássia Reis, vi deslumbrado o show da Ava Rocha e curti de perto o show Junino do Marcelo Jeneci.

Abaixo eu vou falar um tiquinho de algumas músicas só para você sacar a pegada de cada um deles e depois ir desbravando por contra própria os trabalhos alheios.

foto: reprodução

Tássia Reis é bomba relógio pronta pra explodir, mas não daquelas onde a força da energia liberada desloca uma massa de ar que projeta as coisas e pessoas para longe. A Tássia explode na sua frente e quanto mais forte impacto mais você se sente tentado a dar um passo a frente e ficar próximo a ela. O que na verdade deve ser o intuito, pois é um show convite a todo tempo.

Ela quer que a galera faça parte, se mexa, participe…ela dá sentido a expressão ‘junto e misturado’!

foto: reprodução

Criada desde cedo no circuito rap-hiphop-jazz, Tássia traz essas influências para suas músicas e imprime em suas letras temáticas como feminismo, política, racismo, amor e desapego. Tudo isso revestido com uma voz doce e de afronta ao mesmo tempo.

Gosto do jeito como ela trata do tema amor na música ‘Se Avexe Não’ onde ao invés de ditar as regras do que se deve fazer, como a maioria dos artistas faz, ela é bem sincera ao dizer que a pessoa tem que sofrer mesmo e do jeito dela, pois é ela quem sabe a dor que sente. Depois ela chega de mansinho e fala que talvez tenha até sido necessário aquele momento de sofrimento, mas que ele não é para sempre e que nem precisa ser.

A faixa é um jazz-samba bem gostosinho de ouvir e com letra de igual característica:

“Não que eu lhe deva dizer
Como é que se deve sofrer
Chore se quiser chorar
Corra se quiser correr
Mas saiba que amor quando é dor
Mais pra dor do que amor vou dizer
Não vale o seu desgastar
Já que há tanto pra se viver”

Com arranjos de piano, cordas e harpa na primeira parte da produção dessa track dupla ‘Da Lama/Afrontamento’ (part. Stephanie) as letras falam das dificuldades enfrentadas pelo povo mais humildade que vive lado a lado com o descaso e a falta de assistência. Esse cenário é responsável por desencaminhar e desencorajar a maioria das pessoas que vivem essa realidade, mas ao mesmo tempo é o que dá mais forças para que existam histórias de superação como a da própria Tássia.

A segunda metade do som ganha outra pegada e mostra uma rapper habilidosa cuspindo rimas de forma segura, consciente e carregada de crítica social.

Ficou claro que ela transita com facilidade por universos bem diferentes, né? Aproveita para conhecer mais do trabalho dela, que já conta com Tassia Reis (2014) e Outra Esfera (2016)  disponível para download aqui.

foto: reprodução

Quem conhece Marcelo D2 certamente conhece a frase:
”Cês tão prontos pro rolé? Cês tão prontos, prontos mesmo?”

E gente…eu não estava!
Eu não sabia o que esperar de Ava Rocha e ainda que eu tentasse não estaria pronto para a apresentação dela e da banda que a acompanha.

Ava Rocha é bruxa…isso eu te dou de barato!

Fazendo alquimias sonoras com sua banda que nos deixam perplexos, a filha de cineasta, tendo ela também trabalhado como diretora e atuado em teatro interpretando e cantando, fica a vontade em sua performance que dura praticamente do início ao fim do show, onde caras, bocas, danças, cânticos, invocações e provocações estão presentes a todo momento.

Ava Patrya Yndia Yracema (2015), seu primeiro álbum solo, foi basicamente de onde tirou o material da apresentação na Orla Carioca, porém músicas inusitadas como Índia (essa mesma da década de 50) também estavam presentes!

Segundo Ava retomar o contato com a natureza, os índios e a sabedoria deles é a única forma e única chance que temos de concertar o caos que criamos para o mundo atual. Psicodelia, mpb, ciranda, jazz, uma tapa indie aqui, uma cheiro de tropicália acolá e por aí o som vai se organizando de forma natural e avançando por dentro dos ouvidos.

Infelizmente é impossível perceber o enorme canyon existente entre a apresentação ao vivo se comparada a gravação de estúdio, mas ainda sim tenho duas indicações para quem quer conhecer a sonoridade de Ava.

‘Você Não vai Passar’ é um exemplo bom de jazz, com uma sobreposição de bateria, de fácil digestão e ritmo mpb bem tranquilo incorporado. A canção foi a primeira a ser lançada antes do álbum oficial.

‘Hermética’ tem um arranjo de cordas bem bacana, com violino a frente lembrando bastante o som da galera texana do Tosca Tango Project.

A letra ficou com cara de crítica sobre o material pasteurizado que o indústria impõe aos artistas, fazendo-os entregar um produto de qualidade duvidosa por diversas vezes.

”Esse som cabeça oca
Miolo mole
De concreto solitud sound
Não serve se for hermético”

Ava Patrya Yndia Yracema possui um caldeirão sonoro vasto, no entanto os efeitos mais arrebatadores de sua poções não podem ser ministrados a distância. Sugiro que na primeira oportunidade você veja uma apresentação dessa cantora carioca e se deixe impressionar.

O site dela taí para você explorar: http://www.avarocha.com/

foto: reprodução

Marcelo Jeneci talvez seja o artista mais conhecido do circuito Farm e apesar de ter caído no encanto dos cariocas, pelo menos do público mainstream, há apenas poucos anos, o seu disco de estreia está próximo de completar 10 anos em breve.

Feito pra Acabar (2010) possui 13 faixas e somente as 3 mais conhecidas do grande público tocaram. Todo o resto do show de quase 2 horas foi com músicas com temas juninos.

Tocando sanfona desde muito moleque (sua primeira foi dada de presente por Dominguinhos) Jeneci trouxe para o cenário atual a sua sonoridade não só com as raízes fincadas no nordeste, mas também passeando por vertentes que remetem muito ao tango.

Se você já ouviu o nome, mas não consegue fazer conexão com nenhum som, fica abaixo o primeiro estalo que poderá te ajudar e resgatar essa memória.

Acredito que ‘Pra Sonhar’ tenha sido o primeiro sucesso, e se não o foi, certamente serviu como grande alavanca, pois a canção foi exibida no horário nobre televisivo em uma matéria sobre ‘casamentos’.

E falar o que…a música é super bonitinha mesmo! Segue o clipe que foi feito, de forma colaborativa, com cenas de casamentos reais!

‘Felicidade’ parceria entre Jeneci e Chico César (o vídeo a seguir fala da relação entre eles) é a canção que abre o álbum de Marcelo e tem um clima nostálgico na letra e na gravação do clipe, pois Marcelo retorno a casa onde viveu por anos para poder gravá-lo.

Percussão, bateria, cordas e um discreto sintetizador são plano de fundo para o som logo abaixo.

‘Jardim do Éden’ não tocou, mas da uma visão boa de como Jeneci perambula em outras praias sonoras. Nesse caso literalmente porque o som tem uma levadinha praiana havaiana gostosíssima.

O som de Jeneci é por vezes introspectivo, mas ainda que carregue esse ar de ‘vamos pensar na vida’ ele é suficientemente aberto para que amantes da mpb em geral se sintam a vontade ao ouvi-lo.

Marcelo tem muito tempo de estrada, muito conhecimento musical e certamente muito tempo de carreira pela frente! Ficamos aqui no aguardo de em breve poder ouvir muitas músicas novas!

Não deixa de passar por aqui: http://www.marcelojeneci.com.br/

Ahh…e nessa domingueira também rolou o som dessa galera animadíssima aqui:

Mãeana – Júlia Vargas – Domina
Laura Lavieri – Banda Flor de Sal – Forró do Kiko
Minha Luz é de Led –Trio Flor de Manacá – Grupo Zanzar

Aproveita que Julho começou agora e se divirta com esse tanto de gente boa!

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