Cohen & Marcela – MIM, um Disco Romântico #EuOuvi

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Como é que você escuta música?

Eu não tô falando o meio, pois não me importa muito se você coloca um bolachão para tocar ou se você escuta as playlists que aquela marca de caipirinha criou no Spotify…não é isso!

Minha pergunta é: Em que você presta atenção depois de meter o dedo no play?

Parece uma pergunta boba, mas te garanto que não é! E posso te garantir também que isso influencia demais na sua relação com os artistas, com a qualidade do que o mercado produz e até mesmo em como os fabricantes de players e qualquer outro acessório que sirva de meio para lhe entregar música é criado.

Eu acredito muito que tem que rolar um experiência daquelas que te aproximam do que tá rolando, sacas? Música é arte e arte exige esse esforço por parte de quem aprecia!

Casé…pelamor, né? Você tá romanceando demais uma parada que é para ser simples.
Não tem mistério! É dedo do play, no shuffle, no volume e correr pro abraço!

Eu tô sim romanceando e isso não é um trocadilho terrível com o álbum de hoje, mas é que se você escutar direitinho e na ordem o álbum MIM, um Disco Romântico (2010) da dupla Cohen & Marcela você perceberá entre outras coisas que ele é uma história de amor entre os protagonistas e tem início, meio e fim. E na boa…não foi por acaso! Os caras pensaram isso e quando você escuta de qualquer jeito ou no shuffle você está f@#(*%#$ com a experiência.

Então separa uns 40 minutos do seu dia e vai escutando faixa a faixa, na ordem, pode ser até depois de ler aqui e me diz nos comentário se eu não tô com a razão!

imagem: reprodução

Vindos de carreiras independentes, a combinação da cantora e compositora baiana de voz delicada Marcela Bellas, com o dj e compositor paulistano Daniel Cohen, resultou em um álbum daqueles que já sai do forno nostálgico.

É um belo encontro de rock, mpb, indie e jazz numa roupagem vintage-moderna e que acaba por ser ao mesmo tempo algo que atrai a atenção e tem o efeito chiclete (no bom sentido) te fazendo não querer parar de ouvir.

Isso porque as faixas carregam um ar meio retrô, como se tivessem sido produzidas em décadas passadas, e você percebe isso já na primeira faixa com uma introdução de sopro, batera e uma guitarra bem escondidinha que depois ganha destaque e mantém o riffzinho junto a sopros de trombone que dão corpo a música.

A faixa se chama ‘Pra Longe’  e nela começa a história que falei acima. É um casal na fase bem apaixonado e que não se imaginam separados um do outro, não importam as condições, desde que estejam juntos. Os dois cantam nessa faixa e isso mostra que o amor estar é correspondido! Vai sacando…

”Perto de você qualquer lugar parece o céu.
Longe de você..não!
Pra longe de você, eu não”

‘Vai Dizer’ tem um pesar no ar e um ritmo mais lento e arrastado. A faixa tem pegada de blues que confere a tristeza que junto ao coro que rola durante o som complementa bem a voz de Marcela. Só ela canta dessa vez, ao lamentar uma briga séria entre os dois ou, a meu ver, fim do relacionamento.
Vai Dizer carrega uma melancolia daquelas de relacionamento ‘contemplação + solução’ que culmina em entendimento do desgaste desnecessário entre o casal.

”Pra quê?
Causar toda essa confusão
Não vou ficar com pedra na mão
Pois é, pra quê?”

Sabe quando o namoro acaba e você ainda ‘vê’ a pessoa por ai, mesmo sem contato com ela?
Você até anda pelos mesmo lugares de antes, mas como eles não fazem mais sentido com vocês separados o que acontece é que você fica querendo saber ‘Onde foi Parar’ a outra pessoa, e esse é o nome auto explicativo da terceira música desse álbum ‘narrativo’.

”Passo por aí
Não te vejo mais
Não vejo mais ninguém
Ando a espiar
Praças, postes muros
Mas vejo só você”

‘Sai Dessa’  é a minha música preferida do álbum, cantada por Daniel, e tem pegadinha reggae/ska bem animadinha. Não é daquelas pra sair dançando, mas certamente toca no carro durante aquela trip sem desagradar ninguém. Sugere uma nova pessoa na vida dele ou é apenas uma tentativa de substituir um amor por outro. Me digam vocês!

”[…]Não queira mais não te faz bem
Já não te serve já não dá
Sei que é difícil mas passou[…]

Que eu quase penso em te falar
Me dá vontade de dizer
Vai
Sai dessa
Deixa eu quero entrar[…]”

‘Por Outro Lado’ é aquela canção baladinha-romântica, bem minimalista, com arranjos privilegiando a interpretação da dupla, que agora passa pelo momento dos casais que ainda que separados carregam um carinho entre si, e com isso nada mais natural do que se interessar e querer ter notícias sobre o outro. Ainda que já exista um novo affair na área.

”Como você vai?
Sua mãe seu pai?
Por aqui tudo em paz
Por aqui tudo bem”

‘E Eu Aqui’ Foi a primeira música que conheci da dupla beeeem lá atrás nas minhas peregrinações por blogs e sites procurando música nova e de qualidade. Por onde ando? Isso é segredo!
Com uma combinação tranquila de guitarras, teclado e bateria esse som vai fechando a trama com aquele abrir de coração doído de quem está com saudade, mas não pode fazer muita coisa.
Marcela e Daniel dividem as vozes, ele em momentos específicos, e conseguem imprimir com clareza o sentimento da música.

”Se o tempo pára pra você ficar
Um pouco mais
Saudade vem
Trazer a noite a dor
E eu aqui, amor”

Em ‘Pela Cidade’ o Trombone é a estrela da canção e confere tanto um clima de cotovelo cravado no balcão de bar a.k.a fossa, como também é quem deixa o clima de reaproximação mais explícito.
Eu confesso que aqui dou uma viajada ao ouvir as ‘sujeiras’ do som criado pelos dedos correndo pelas cordas da guitarra. Proposital ou não, eu acho que confere em certos casos uma beleza diferente…tipo aquele chiado que a galera curto dos LP’s, saca?
Dá uma afinada no ouvido que depois que você repara a primeira vez você repara todas.
E sim, ambos cantam e o previsível final do casal já desponta!

”[…]Tranquei, saí
A buscar, sem você saber
Tento te encontrar[…]”

Pois é que no fim do meu caminho
Em um suspiro bem baixinho
Eu me conformo eu não ter de vez o amor
E viro, vejo uma mão a me puxar
E vamos pela cidade, voltar”[…]

‘Fools Rush In’ é uma regravação da década de 40 que já foi interpretada por Elvis, Sinatra, Dean Martin (versão que mais gosto), Etta James, Peggy Lee (melhor versão feminina) e outro sem número de artistas. Ela inclusive virou sample de rap num álbum póstumo do B.I.G.

É aqui que a gente volta ao começo! A letra é bem explícita e diz que o casal tá naquela paixão boba como a do início e diz mais…tudo bem por estarem assim!
Não há jeito melhor de se sentirem vivos e, por que não, completos!

-Da na minha cara!
– Eu também..já errei várias!
– Eu também, vamos voltar! rs

(Esse é o diálogo que apresenta a faixa na versão Spotify. É tipo um unncut e serve pra mostrar o entrosamento da dupla e de como o processo certamente foi divertido)

”Fools rush in, where wise men never go
But wise men never fall in love
So how are they to know
When we met, I felt my life begin
So open up your heart and let
This fool rush in”

Diferente ouvir um álbum assim faixa a faixa prestando atenção nas letras, nas melodias entregando o sentimento da canção e percebendo as harmonias entre instrumentos para compôr tudo de um jeito bem sensorial, né?

Palmas para essa dupla que pensou em tudo isso e conseguiu entregar um resultado interessante, agradável e diferente do que a maioria dos artistas do mainstream fazem atualmente.

Aproveita que está por aqui e escuta a faixa desse projeto que deu cara nova as músicas dos barbudinhos que sacudiram a molecada na virada de século.

Cohen & Marcela  cantam Los Hermanos

Não deixa de conferir o trabalho solo da dupla:
https://www.danielcohen.com.br/artista
http://marcelabellas.com.br/

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