Phill Veras – Gaveta #EuOuvi

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Se você esteve no Rock in Rio em 2013 e deu uma espiadinha no Palco Sunset naquele momento em que ouviu uma voz calma e carregada de uma paz diferente, daquela que vai do trágico ao feliz sem perder o tom, certamente você estava ouvindo Phill Veras.

Já aos 21 anos de idade esse moço, vindo do Maranhão, ganhou a disputa entre centenas de artistas para tocar no Rock In Rio e de lá para cá tem feito um trabalha autoral bem bonito.

A essa altura ele tinha apenas o EP Valsa e Vapor (2012), porém já contava com um fiel público na internet, o qual deu uma super força na hora de indicá-lo como um dos nomes a se apresentar no mega evento da cidade do rock.

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Eu que sempre tive como referência maranhense a voz potente da maravilhosa Marrom, capaz de derrubar os mais insensíveis e espezinhar os corações partidos, agora me deleito com a serenidade de quem parece que canta as aventuras do coração no doce embalo de uma rede ao fim de tarde.

Seu primeiro álbum, Gaveta (2013), foi muito bem recebido e teve aderência rápida junto ao público, pois algumas das músicas já haviam sido lançadas recentemente em vídeos do YouTube e tiveram enorme número de acessos, como de costume.

As faixas do CD tem uma ar de confissão e experiência de vida, principalmente as músicas sobre romances que deram certo ou não, e que certamente refletem as situações que esse jovem compositor vivenciou/vive.

O próprio músico explicou que Gaveta recebe esse nome pelo fato de usar músicas, poemas e fragmentos de escritos que estavam em sua gaveta e que tiveram agora a oportunidade de exibição.

Diz aí então…
É Indie? Aham!
É MPB? Também!
Eita…Deve ser bom!

As faixas, em sua maioria, são bem lineares e homogêneas. Não existem muitas surpresas na interpretação e nos arranjos, o que não vejo como um lado negativo. É a característica dele, que ainda não sabemos se por ser um artista novo de idade e de carreira ou se é um traço já evidente do seu estilo musical.

Google Imagens

O violão dá o tom em praticamente todas as faixas. Nos vídeos do YouTube ele se apresenta geralmente apenas com o violão, porém com um piano, outros instrumentos de corda e uma bateria na hora mais marcante, marcando o ritmo das canções, que acaba ditando o ritmo mais intenso de faixas como ‘Cambota’, ‘A Máquina’ e ‘Papo Banal’.

Gosto bastante do começo do álbum com  O Velho John Dizia e sua rebeldia de quem se joga na vida, conquista por provocação e ao fim se rende e entrega que seu maior defeito é não conseguir dizer NÃO a nenhuma das mulheres que cita na canção. Afinal de contas a vida é um Cabaré!

Em ‘Piano’ eu gostei de ouvir a música sem saber ao certo se sonho ou realidade estão em jogo. E essa dúvida fica no ar porque existe, ao se ouvir a faixa, uma ambiguidade em relação as palavras ‘corda’ e ‘acordar’.

“E tudo eu sonhei
Foi nesse tom que o piano tocou
Um breve susto que não me assustou
Ô meu irmão, acorda! Irmão, cadê a corda?”

Mulher’ é uma faixa de sonoridade mais forte. É o lamento de uma mulher ao narrar a partida de seu amor, de modo tão desapegado e rápido que de repente ela se viu sozinha enquanto o que lhe sobrou fazer foi assisti-lo ir atrás de outros amores. Me interessa essa ótica inversa da troca de papéis!

Enquanto isso ‘Já vou tarde’ soa como o outro lado da moeda (o masculino) e a constatação é de que os planos feitos, independente da boa vontade de uma das partes, acabou não funcionando da mesma forma.

Gaveta é um disco sem surpresas! Phill certamente não tentou reinventar a roda e fez um trabalho autoral justo, simples (não confundir com simplório) e ao alcance de todos os tipos de ouvidos, desde que você curta uma linha um pouco mais trágico-romântica e que fica ainda mais bonito e sonoro se você souber apreciar em uma tarde cinza de outono.

A propósito…abrindo a Gaveta aos senhores(as):

Ahhh…E Phill já possui um álbum posterior ao Gaveta, chamado Carpete (2014), igualmente bom de se ouvir! 😉

Sobre o disco Carpete segue a música que apresenta o álbum, só pra dar um gostinho de quero mais, e com referência fofa à dupla Claudinho e Bochecha.

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