Carol Naine – Qualquer Pessoa Além de Nós: #EuOuvi

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– Roger… tô legal hoje não! Me manda uma musiquinha pra botar um sorriso na minha cara, pode to be?
(barulhos de engrenagens daqueles que você ouviria de uma Jukebox)
Dois minutos depois eu estava recebendo um link com a música ‘Canção Clichê’ da Carol Naine.
Vindo a indicação de quem vinha eu apenas apertei play e deixei o som chegar descompromissado até meus ansiosos ouvidos.

Foto: YouTube

E lá estava aquela bela voz carioca me surpreendendo lindamente e colocando o solicitado sorriso no rosto.

Eu que de música entendo apenas sobre tocar ‘cai cai balão’ na flauta doce, costumo avaliar o trabalho alheio de um jeito bem pessoal e criterioso que consiste em gostei e não gostei e confesso que nesse caso gostei bastante.

Pra você que está se perguntando a Carol toca MPB/Samba.

Eu escutei os álbuns Qualquer Pessoa Além de Nós (2016) e o homônimo Carol Naine (2013) álbum mais comportado voltado ao samba e choro, gêneros por onde Carol andou no início de sua carreira na Cidade Maravilhosa.

Bom…Canção Clichê é uma música bem acompanhada por arranjos de piano que servem de pano de fundo perfeito pra voz delicada que ela possui.

No entanto o que mais me agradou nas músicas, sem exceção, foi o conteúdo crítico-lírico do trabalho. Poderia ser só mais uma fofura de voz emoldura por umas letras que rimam paixão, solidão e coração…só que não!

Naine carrega em suas letras o caminho não comum das vozes mais doces e desce a lenha de forma ácida em ‘As Senhoras e Senhores’ ao falar sobre pessoas mais velhas que se comportam de maneira hipócrita a respeito de assuntos como racismo e sexualidade.

Na faixa Amanhã’ fala da sua própria experiência de artista contemporânea e sobre as influências que a geração dela recebeu e que diferem, e muito, das gerações anteriores e da mesma forma se diferenciará das futuras.

Em ‘Dizputa’ ela passeia dentro da ambiguidade que a palavra puta ganhou, ao menos no RJ, onde virou sinônimo de muito, quantidade, grandiosidade e alerta que homem de verdade não dizputa uma mulher.

Foto: capa do single Dizputa, de Carol Naine

E dessa forma ela segue o álbum quase inteiro, serena, porém com propriedade ao comparar o dia ’22 de Abril’ a um arrastão, ou ainda ao descrever o ‘Rio’ como a cidade deslumbrante e encantadora que é, porém cheia de mazelas as quais ela teme que a não deixem retornar nunca após ter tomado a decisão de morar em São Paulo, cidade onde atualmente reside.

Pesquisando mais sobre ela descobri também um projeto pessoal chamado Musiquice, que me ganhou de vez, no qual recebe fotos do Instagram e cria um pequeno versinho musicado, ao som de violão, para cada uma das fotos.
O resultado fica suavemente lindinho e confesso que cliquei em quase todas as fotos.

Carol é aquela voz gostosa, lúcida e segura que a gente joga na caixinha bluetooth e ouve ao lado de pessoas que se gosta!

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