Geração 30 e Poucos

Bárbara Gaia

23 de julho de 2021

Não sei se foi uma feliz coincidência ou se a Netflix planejou isso, mas quando começou essa “guerra” entre Geração Millennials e Geração Z, apareceu na grade de programação uma série de comédia chamada Geração 30 e Poucos.

Eu, sendo uma Millennial, logo me identifiquei e fui correndo assistir. Foi uma volta ao tempo, para uma época mais simples, onde as únicas preocupações eram passar de ano, na escola, e não ultrapassar o limite de pulso da conta telefônica com o acesso à internet, que na minha época era internet discada e só poderíamos usar depois das 14h nos fins de semana que era mais barato.

Mas antes que eu me prolongue e faça uma sessão nostalgia por aqui, vou contar o porquê você, sendo dos 30 e poucos ou até mesmo mais novo, deveria assistir à Geração 30 e Poucos.

Geração 30 e Poucos
foto: netflix.com

E vamos de sinopse!

Daniel é um cara italiano, de 30 e poucos, que junto com mais dois amigos de infância trabalham em uma empresa especialista em aplicativos para smartphones e precisam criar um app revolucionário para manter os seus empregos.

Um dia seus pais o chama para ajudar na mudança de sua antiga casa e ao pegar objetos pessoais do seu quarto, encontra o seu diário que o faz voltar ao passado e relembrar da sua época de escola, em um longínquo ano de 1998.

Era a era do video cassete, da internet discada, dos fliperamas e claro do seu primeiro amor. Ao longo dos episódios acompanhamos as aventuras, dilemas e descobertas de um Daniel de 12 anos versus as aventuras, dilemas e descobertas do Daniel de agora. Será que saiu tudo do jeito que ele imaginava ou a vida o surpreendeu?

O que eu achei de Geração 30 e Poucos

A primeira coisa que me trouxe surpresa foi com o fato da série ser italiana e ter um timming perfeito para a comédia. Não tenho o costume de acompanhar filmes e séries da Itália e Geração 30 e Poucos foi um belo achado nesse aspecto. Os atores são muito bons e o roteiro é muito bem escrito, fazendo você querer ver um episódio atrás do outro.

Outro ponto que eu achei positivo foi a fotografia, especialmente quando temos os flashbacks da infância de Daniel, que se passa em uma ilha longe do agito da capital. Acompanhar o dia a dia do menino com sua família e seus amigos faz a gente voltar também no tempo.

Também gostei que a série faz reflexões sobre o uso constante, acelerado e intenso da tecnologia e como a vida pode surpreender você. Não vou falar mais porque tem um belo de um plot twist na trama e não quero estragar o final para quem for assistir à série.

Geração 30 e Poucos tem atualmente uma temporada disponível no Netflix com somente 8 episódios. Eu estou torcendo para que seja renovada e garanto que depois que você assistir, vai torcer também.

Os animes do Studio Ghibli

Bárbara Gaia

9 de julho de 2021
Foto encontrada em: https://studioghibli.com.br/

Eu tinha comentando no post anterior, sobre Yasuke, que iria falar sobre os animes do Studio Ghibli e cá estou cumprindo a minha promessa. Eu sempre tinha ouvido falar sobre esse estúdio mas até então nunca tinha visto nenhum filme. Quando a Netflix incluiu alguns títulos em seu catálogo a curiosidade apareceu e decidi assistir.

Eu cheguei a ver, se não me engano, um filme durante umas duas semanas direto. Era sempre na hora do jantar, o que acabava combinando com a temática porque uma das características dos animes do Studio Ghibli é com a apresentação de pratos, preparados pelos personagens, que parecem sempre deliciosos.

Os títulos mais famosos são A Viagem de Chihiro, Meu Amigo Totoro e Meu Castelo Animado. A Viagem de Chihiro, aliás, foi um dos animes do Studio Ghibli que mais recebeu prêmios internacionais, incluindo o Oscar de Melhor Animação, em 2003. Meu Amigo Totoro foi o primeiro que eu vi e que deu o start para eu maratonar os outros.

Eu não assisti a todos ainda mas tem alguns que se tornaram meus favoritos. Os cinco que eu vou citar por aqui não são os mais famosos mas ganharam o meu coração pelo seu enredo. Então, sem mais delongas, vamos aos melhores animes do Studio Ghibli, em minha humilde opinião.

Sussurros do Coração (1995)

Shizuku é uma estudante aficcionada por livros. Um dia descobre que um menino retira sempre os livros que ela quer antes dela e decide descobrir quem ele é. O que ela acaba descobrindo vai mudar sua vida para sempre. Essa é uma daquelas histórias que você torce pelo protagonista do início ao fim, especialmente na sua saga por novas aventuras e realizações.

O Serviço de Entregas da Kiki (1989)

Kiki é uma aspirante à bruxa e com 13 anos sai de casa para começar o seu treinamento. Em uma nova cidade ela enfrenta novos desafios e descobre que além dos seus poderes místicos, existem outros poderes transformadores como a amizade, a empatia, e principalmente, a resiliência. Eu não sei se é uma característica de países orientais em incentivar a independência dos mais jovens mas já reparei ser comum em alguns animes crianças saindo por aí desbravando o mundo.

Meus Vizinhos, os Yamadas

Esse anime, além de ser muito divertido, é cheio de reflexões sobre a vida: os momentos bons que apreciamos, os difíceis que enfrentamos e acima de tudo os momentos de superação e aprendizado que temos. E como a família se torna o nosso barco robusto para enfrentar alguns desses mares turbulentos que podem surgir e também o vento que ajuda a trilhar por essas águas com mais tranquilidade.

Memórias de Ontem (1991)

Nesse anime acompanhamos a vida e os flashbacks da infância de Taeko. De volta ao campo, onde ela passava as suas férias escolares, ela acaba relembrando momentos marcantes do seu passado, que acabaram a impactando sua vida e em sua personalidade. Diante disso, ela tem uma importante decisão para tomar: seguir o que ela acha que tem que fazer ou seguir o seu coração.

Da Colina Kokukiro (2011)

O foco dessa história está em dois estudantes em meio ao Japão da década de 60: a certinha Umi e o destemido Shun. Ao mesmo tempo que estava todo mundo na expectativa da vinda dos jogos olímpicos para Tóquio, Shun e outros estudantes de um clube de estudos estavam preocupados com a possibilidade do prédio em que os abrigavam ser demolido “por não seguir os padrões de um escola exemplar”.

Yasuke

Bárbara Gaia

2 de julho de 2021

Já faz um tempo que tenho assistido a alguns animes. Tenho visto vários do Studio Ghibli (que vai ganhar um post por aqui em breve), mas a minha escolha de hoje é Yasuke. A série animada é idealizada por Leasen Thomas, que tem um currículo bem extenso e interessante. O animador, produtor, diretor, escritor e quadrinista já colaborou em algumas animações, dentre elas Homem-Aranha, Os Guardiões das Galáxias, Avatar: A Lenda de Korra e Batman.

Quando li a sinopse de Yasuke, sobre um samurai negro que precisa resgatar sua essência heroica para proteger uma menina, que tem grandes poderes, logo coloquei na minha lista do Netflix.

imagem encontrada em imdb.com

Vamos à sinopse de Yasuke

O anime começa com uma introdução para explicar melhor o cenário da história de nosso herói e reproduzo aqui:

“Depois de 150 anos de caos feudal, três heróis surgiram para unir o Japão e construir um xogunato para reger a nação. Nobugana Oda, um autocrata audacioso estabeleceu as bases dessa nação. Mas em sua investida final pelo poder, um desastre aconteceu.”

Isso leva a gente para uma guerra em Kyoto, no ano de 1582, entre o exército japonês e um exército de guerreiros das trevas que usou da magia sobrenatural para a conquista. Esse exército de forças do mal se aproxima das terras de Nobugana e ele, vendo que será derrotado, convoca Yasuke, que era seu guerreiro samurai, para matá-lo.

Yasuke, abalado, cumpre com a ordem mas isso deixa marcas profundas, fazendo com que ele abandone a vida de samurai e passe a viver em uma aldeia longe de tudo, como um barqueiro. 20 anos se passaram e Yasuke continua vivendo essa vida pacata mas ajudando um jovem menino chamado Ichiro a realizar seu sonho em se tornar um samurai. Ele não leva muito a sério o pedido da criança mas faz para alegrá-lo.

A irmã de Ichiro está muito doente e a mãe pede a Yasuke que a leve, de barco, para o médico e ele decide ajudá-la. No meio do caminho ele encontra pessoas que têm interesse na menina mas no primeiro momento ele não entende o porquê e decide lutar contra todos, relembrando dos seus tempos de samurai, para protegê-la.

A partir daí novos eventos surgem que fazem Yasuke resgatar o seu propósito e a sua alma de herói em prol dessa menina que será muito importante nessa história.

O que eu achei de Yasuke

Apesar de não ser um anime oriental, a série tem traços que lembram muito os desenhos japoneses e uma narrativa de herói que também se torna familiar. Você vê o cuidado de fazer o público acompanhar a história em detalhes, através de flashbacks do passado, e nas pausas essenciais (não sendo só um anime de ação) para que captemos o conflito do protagonista.

Em Yasuke você também vai encontrar a tecnologia, mesmo sendo uma época feudal, através de robôs, mas é uma licença poética aceitável. O começo, para explicar o enredo, pode parecer um pouco lento mas achei justificável para dar norte ao entendimento dos próximos acontecimentos.

A única coisa que eu não gostei foi a trilha sonora. A música de abertura me lembrou àquelas de novela mexicana e não achei que combinava com a trama.

Convido você a tirar suas conclusões assistindo a Yasuke. Eu estou aguardando a próxima temporada!

Os melhores curtas da Disney+

Bárbara Gaia

25 de junho de 2021

Um dia, passando pelo catálogo do Disney+, eu me deparo com um filme chamado Juntos Novamente. Achei que seria uma animação estilo longa-metragem, com 1h e 30 de duração, mas quando vi tinha 6 minutos. Resolvi assisti e aí entrei em uma maratona de curtas. Pensei então: “hummm, acho que vou indicar alguns para quem quer relaxar a mente por alguns minutinhos…”

curtas Disney+: Juntos Novamente
foto: reprodução Disney Plus

Quando eu ia ao cinema assistir aos lançamentos da Pixar, eu adorava ver os curtas que passavam antes. Eles conseguiam contar uma boa história, do começo ao fim, muita das vezes em até 5 minutos. Eu sempre achei fascinante isso.

Vamos então a minha lista!

Juntos novamente

Esse curta foi lançado esse ano mesmo e ele não tem fala nenhuma. Todo o diálogo e sentimentos dos personagens são expressados pela dança. Já daí achei interessante. A história gira em torno de um casal já idoso, onde o marido anda meio desgostoso da vida e nostálgico, sentindo saudades da juventude. Em um dia de chuva, tudo muda, quando ele consegue ter a capacidade de voltar a ser jovem.

Cabeça ou coração

Ah! Um dos maiores dilemas da vida: seguir a cabeça ou o coração. Nesse curta acompanhamos esses dois personagens querendo ganhar autonomia e um pobre homem sofrendo as consequências desse embate.

Toca

Em Toca, acompanhamos o sonho e as frustrações de uma coelhinha que está superentusiasmada com o seu projeto para a construção de sua casa, que ela mesma fez, mas que ao ver as casas e os projetos feitos por seus vizinhos acha que não é capaz de criar algo tão maravilhoso quanto. Nesse curta encontramos duas importantes lições: o “respira fundo e acredite” e “não é vergonha alguma pedir ajuda”.

22 contra a Terra

Lembra da teimosa e divertida alma 22 do filme Soul? Aqui ela ganhou um curta para chamar de seu, voltando ainda mais no tempo, antes dela conhecer Joe e mudar seu destino para sempre. Nessa história ela tenta impedir as almas de ir para Terra e cria uma rebelião para evitar que os outros encontrem o seu propósito e desçam para cá.

Purl

Purl é uma novela de lã que foi contratada para trabalhar em uma empresa majoritariamente composta por humanos homens. Ela começa a perceber que não é muito aceita por eles e decide se adaptar ao jeito e pensamento que eles têm. Mas será que se adaptar significa se anular? E, especialmente, anular a possibilidade da mudança, que pode ser algo bom?

Flutuar

Minha última indicação e tão incrível quanto os outros curtas que citei. Esse curta mostra, de forma lúdica, a relação de um pai e seu filho, que é autista. Na animação o autismo é retratado como a capacidade do garotinho de flutuar, vendo as coisas sob uma ótica muito particular.

Espero que você se divirta com esses curtas da Disney+!

Uma Beleza Fantástica

Bárbara Gaia

18 de junho de 2021

Existem filmes em que você se diverte, outros que fazem você refletir e tem àqueles que deixam o coração mais quentinho. Recentemente assisti à Uma Beleza Fantástica e posso dizer que este se encaixaria nas três categorias.

Uma Beleza Fantástica

Uma breve sinopse

O longa britânico de 2016, que está disponível no Amazon Prime, gira em torno de dois personagens: Bella Brown e Alfie Stephenson.

Bella é uma jovem de vinte e poucos anos que teve uma infância difícil. Orfã, acabou desenvolvendo um TOC de organização como mecanismo de defesa e para sentir que tem o controle de tudo, fruto provavelmente da vida que saiu fora do seu esperado quando era pequena. Ela cresce e junto com ela o sonho em se tornar escritora, mas, por medo de fracassar, acaba se tornando bibliotecária para continuar o seu contato com os livros.

Aflie é um senhor de mais de 60 anos que vive em uma casa junto com dois empregados. Viúvo e sem filhos, acaba perdendo a alegria de viver e se torna uma pessoa bem rabugenta e intransigente. Vernon, que cuida da casa e das refeições é o que mais sofre com suas resposta e atitudes mal-educadas.

O destino de Bella e Alfie se junta quando Bella se torna vizinha dele e por uma ordem do proprietário da casa alugada onde Bella vive, ela precisa arrumar o jardim, que está totalmente abandonado, coisa que ela abomina porque ela não gosta muito de sair da sua zona de conforto que é a sua casa milimetricamente organizada. Alfie, por ser um amante da jardinagem, decide ajudá-la, a contragosto (por uma razão que não vou revelar para não dar spoiler) e isso acaba se tornando o começo de uma jornada de autoconhecimento para os dois.

O que eu achei de Uma Beleza Fantástica

Eu, particularmente, gosto muito das narrativas britânicas. Elas não são uma montanha-russa de emoções que normalmente os vemos filmes norte-americanos, é algo mais linear mas que não de ser interessante. Uma Beleza Fantástica conta, em detalhes, sobre as dificuldades, as descobertas, a redenção e as superações de Bella e também apresenta uma a redenção e o novo olhar sobre as coisas de Alfie.

Os atores souberam transmitir muito bem a personalidade e as emoções de seus personagens e cada um tem uma importância no filme. Mesmo Bella sendo a protagonista, os coadjuvantes souberam contribuir muito bem para a história se tornando também fundamentais para entender a vida de Bella e o que ela está passando no momento.

Assim que terminei de ver deu aquela sensação boa de que, mesmo com tanta dificuldade e tantas noticiais ruins que vemos por aí, há ainda uma beleza no mundo e, principalmente, no ser humano.

Recomendo assistir à Uma Beleza Fantástica acompanhado(a) de uma pipoca e de um coração aberto. Vai valer a pena, vai por mim.

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Bárbara Gaia

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