TOP 5 Minhas Favoritas do Snarky Puppy: #EuOuvi

Bárbara Gaia

15 de dezembro de 2017

Os shows desse ano para mim superaram qualquer expectativa. Em outubro realizei um dos meus maiores sonhos que era ver uma apresentação ao vivo do John Mayer. Chegou novembro e Bruno Mars levantou a Marquês de Sapucaí, aqui no Rio, e eu estava lá vendo tudo de pertinho. Para fechar 2017 com chave de ouro terei a chance de ver outra banda que conheci recentemente mas que já fiquei mega fã: Snarky Puppy.

Snarky Puppy
foto: facebook.com/snarkypuppy

Criado pelo baixista e compositor Michael League com um grupo de amigos da faculdade, mais precisamente durante o programa de jazz da University of North Texas, Snarky Puppy hoje conta com 25 músicos, praticamente uma orquestra!

O estilo musical do coletivo não poderia ser outro além de jazz mas ele teve uma transformação por completo três anos depois de sua criação, através de um encontro com o R&B e o gospel que encontrou em uma comunidade de Dallas. Segundo o próprio Snarky Puppy, depois desse encontro o som ficou mais funk, direto e visceral.

Snarky Puppy
foto: facebook.com/snarkypuppy

Parece que toda essa mistura tem dado super certo, com direito a um Grammy em 2014 e o prêmio de melhor banda em 2015 pela JazzTimes Readers Pool, uma revista renomada no mundo do jazz.

Eu conheço o som dessa galera há pouco tempo, desde o ano passado, mas desde o primeiro segundo da primeira música ganhou meus ouvidos e meu coração.

Snarky Puppy
foto: facebook.com/snarkypuppy

Para celebrar a vinda do Snarky Puppy, que fará um show amanhã no Circo Voador, aqui no Rio, nada melhor que um TOP 5 caprichado! 😉

Somebody Home

Essa música, em parceria com o músico David Crosby, é praticamente uma declaração de amor. Aquele amor verdadeiro, sincero, que vê além das aparências e que não quer disfarçar as evidências. Nas palavras de David, que traduzi e merecem ser lidas:

Primeiramente, a canção…”Somebody Home”…o título é uma frase que eu venho usando por anos, significando que tem uma alma humana, uma percepção, presente em uma pessoa. Quando você olha em seus olhos você tem a sensação que alguém familiar está olhando de volta para você. Tem um erro que as pessoas cometem, homens em particular, que é ver somente a parte física de uma mulher e não ver, ou tentar conhecer, a pessoa que ela é. Nossa sociedade é definida dessa maneira: ver a superfície e não a substância. A gente se confunde achando que a embalagem que cobre o presente é melhor que o presente em si. A gente celebra a aparência e esquece da alma e do coração, lugares onde residem a verdadeira beleza. Então, de um jeito, estou tentando pedir desculpas à todas as mulheres em nome de todos os homens.

I Asked

Essa música, assim como Somebody Home, faz parte do álbum Family Dinner Vol.2. O começo parece até aquelas músicas folclóricas europeias, meio Senhor dos Anéis, meio Rei Arthur. Mas depois com violões, trompetes, violinos, todos em uma melodia bem suave, junto com a bela voz de Becca Stevens você percebe que é um convite a uma indagação, quase uma súplica:

I asked, my love, what do you need
To make your wild heart beat
And this my love, he said to me
Wholeheartedly

Amour T’es La

Uma das primeiras que ouvi e me fez sentir que iria ter essa banda na minha playlist. A canção, do álbum Family Dinner Vol.1, começa com um piano maravilhoso e o maravilhoso sotaque e timbre francês de Magda Giannikou. Sabe aquelas  composições que parecem que você está em um musical? Pois é. Amour T’es La é o meu La La Land.

Semente

Aaaaah Semente…Ela me dá uma sensação de familiaridade. Talvez seja a flauta transversal, logo no começo, que me lembra o maracatu ou algum som tradicional do nordeste Brasileiro. Parece uma música brasileira, que você ouviria em uma grande orquestra brasileira. Mas depois essa sensação muda com um arranjo de jazz. A mistura deu certo e eu adorei!

Grown Folks

Grown Folks é uma das mais conhecidas de Snarky Puppy, do álbum Colcha Vulcha (que acabou de ganhar um Grammy como melhor álbum instrumental) e você entende o porquê. É um jazz meio moderno, meio tradicional, que tem uma harmonia perfeita entre os trompetes, trombones e bateria. Você escuta e já fica sacudindo a cabeça para cima e para baixo, tentando entrar no ritmo da música e dançando uma melodia mental.

De vez em quando o Snarky Puppy brinda seus fãs com um live streaming do show em sua página do Facebook.

Esperamos que a apresentação do Circo Voador seja transmitida ao vivo porque tenho certeza que será incrível!

Cícero – Cícero & Albatroz #EuOuvi

Casé

13 de dezembro de 2017

Recém saído do forno e com um clipe na rua, vocês já podem curtir por streaming o quarto álbum da carreira solo de Cícero Rosa Lins, conhecido no meio artístico apenas como Cícero.

Carioca formado em direito e envolvido com música desde 2003, quando formou no ensino médio a banda Alice, o multifacetado artista estreou em carreira solo oito anos depois ao lançar o álbum Canções de Apartamento (2011). O disco foi todo produzido por Cícero dentro de seu próprio apartamento e chegou no cenário indie de forma bem consistente e sendo bem recepcionado.

Desde então Cícero tem lançado seus trabalhos a cada dois anos e em todos eles se mostra como um inquieto musical, sempre a buscar alguma forma diferente de se expressar.

Cícero
foto: reprodução

Cícero que morou recentemente em São Paulo mas é carioca, canta o viés da cidade que o viu crescer e os dissabores das vidas amorosas que se diluem pelas ruas festivas da cidade maravilhosa.
É normal encontrá-lo em alguma festinha bacaninha do ‘corredor cultural alternativo carioca’ que foge bravamente ao modelo quadrado e repetidor de hits das boates que se amontoam e comportam pessoas com ares de mais do mesmo.

Cícero & Albatroz (2017) traz entre as novidades o fato de que os músicos que o acompanham em shows desde seu primeiro trabalho dessa vez ganham nome e aparecem no álbum de forma mais consistente e de alguma forma mais autônoma na criação dos arranjos que escutamos (ao menos é o que parece ao se escutar o álbum) e na condução da história contada pelos músicos.

Albatroz surge de um poema homônimo de Charles Baudelaire (esse aqui) e também funciona de forma análoga a ave pela habilidade de ser uma das poucas que atravessa o oceano. Cícero complementa relatando que com essa banda já tocou pelo Brasil de ponta a ponta e também por parte da Europa.

Cícero & Albatroz
capa do álbum: Cícero & Albatroz (2017)

Temos na formação de Albatroz: Bruno Schulz (órgão eletrônico), Gabriel Ventura (guitarra), Uirá Bueno (bateria), Felipe Pacheco Ventura (violinos e wurlitzer), Pedro Carneiro (wurlitzer), Matheus Moraes (trompete) e Vitor Tosta (trombone). Junto a Cícero constroem um álbum de 10 faixas e pouco mais de 30 minutos, porém nada econômico em musicalidade e com uma roupagem sonora bem bonita e conflitante.

Nota pessoal: Wurlitzer é um piano eletrônico com cara de plotter de gráfica!

Por vezes o Albatroz voa calmo e baixo ao lado de Cícero como se fosse seu parceiro de estimação, domesticado, observador e quase inofensivo. Em outros momentos levanta voo alucinado e sem destino para então longe de seu condutor desbravar sua licença inalienável de ave livre para ir – musicalmente – onde quiser.

Aurora nº1 abre o o 4º trabalho de Cícero com percussão bem presente a com mais destaque para os sopros que o normal. Faixa calma que julgo ser uma boa introdução ao material que está por vir.

”Sob um sol urgente aliviará
chegará o amanhã
e se meu fim chegar
chegará amanhã
junto à luz de um dia claro e imenso”

A Ilha tem uns sopros mais funkeados e é uma explosão sonora, um pouco diferenciada do que estávamos acostumados em seus outros trabalhos.
A letra aqui parece ter pedido peso e importância em algumas das faixas e isso não é de todo mal.
Dessa forma outros aspectos da música saltam aos nossos ouvidos e assim como acontece em A Ilha esse efeito tem mais pontos positivos do que negativos.

Não Se Vá é inegavelmente a música mais pop do álbum e possui cara bem urbana. Tem um ritmo mais acelerado de cidade e fala sobre deixar o mundo seguir no tempo e velocidade próprios dele.
Dentro dessa perspectiva sugere que encontremos o nosso próprio tempo, espaço e que cuidemos de tudo aquilo que julgamos realmente importante.

Cícero
foto divulgação

À Deriva é bem agitada e sua bateria e percussão convidam a arriscar aquela dançadinha na pista. Uma boa faixa para se começar a ouvir o disco caso você fique com dúvida ao longo do texto.

A Cidade foi o single que divulgou o disco e que já foi lançado com um videoclipe bem bacanudo! O clima segue bem fúnebre e soturno com sopros e toque de caixa marchando em direção a narrativa de Cícero que por horas se apoia na tragédia e por horas na esperança do amanhã.

Velho Sítio remete mais aos trabalhos anteriores do músico e o arranjo minimalista com a voz de Cícero se sobrepondo e sendo o centro das atenções. O prato marca o tempo de Velho Sítio enquanto a guitarra de Gabriel e o órgão eletrônico de Bruno dão o ar melancólico que a canção pede.

A Rua Mais Deserta mostra um Cícero observador da cidade narrando-a de forma sutil e despretensiosa. Acho a melodia bem contemplativa, ainda que a letra sugira confusão e tumulto.

É uma das faixas que mais gosto, acho que justamente pela calma que esse conflito me traz. Alguma coisa por aqui me cheira a Chico Buarque ainda que eu não saiba apontador diretamente o que é, sendo assim fiquem à vontade para me contar caso encontrem.

A Grande Onda é também uma canção agitada, como as do começo do disco. As ruas da cidade mais uma vez servem de pano para os acontecimentos, nesse caso uma grande onda…não se sabe se literal ou população enfurecida.

“‘Vem ver
o tumulto do alto
nosso mar de asfalto, ferro e pó
Vem ver
a ferrugem de dentro
o mar de pavimento e fios em nó
Vem ver
sob ansiolíticos
sob anfetamínicos
nossa ilusão
Vem ver
envergando os prédios
inundando os becos
da nossa visão
O dia da grande onda”

Aquele Adeus o romantismo atinge seu ápice nessa canção que segue como a mais delicada dentre as 10 faixas inéditas de Cícero & Albatroz. Os arranjos ficam por conta de guitarra e do Wurlitzer.
É aquela canção de fim de relacionamento onde 1 dos 2 sofre um pouquinho? É sim!

Um Arco é a última do disco e cumpre bem esse papel, vindo calma e deixando aquela vontade de que tivesse mais uma musiquinha para escutar, até que engrandece e fica com ares de caos e inquietude.
Os sons se tornam pura confusão até que um arranjo de cordas encabeçado por um violino traz tudo outra vez a normalidade até que a faixa acabe.

Cícero & Albatroz é um álbum leve e de fácil aderência aos ouvidos, principalmente se você já conhece o som de Cícero ou escuta outras bandas que compõem o cenário independente nacional da mpb e indie.

O formato com banda dá um ar mais robusto ao som e as apresentações ao vivo certamente prometem um espetáculo mais elaborado do que de costume nesse 4º álbum de carreira.

Cícero parece começar a perceber que o controle de sua música é todo seu e com isso deixa cada vez mais transparecer as inquietações sonoras que carrega. Basta ouvir seus trabalhos e perceber o viés que cada um carrega em si ao longo de suas faixas.

Esse trabalho novo é bom e como todo os anteriores é bem autoral, mas sem beirar o autoritário. Ele consegue entregar o que quer com o que queremos ouvir, de uma forma muito fluída e natural, fazendo com que seu álbum passe a categoria de ‘mais ouvido’ em nossas playlists pessoais logo após as primeiras audições.

Cabe a você aceitar ou não esse voo!

Os murais de Rafa Mon colorindo o Rio: #EuCurti

Bárbara Gaia

11 de dezembro de 2017

Estou eu sábado de manhã tomando meu café e passando os canais da TV quando vejo no programa É de Casa, da Globo, uma arte de Rafa Mon para a parede de uma residência. Com traços fortes e um colorido de sobra, ela dá forma à uma linda sereia.

Rafa Mon no É de Casa
Clique na imagem para ver o vídeo

Achei o trabalho dela muito bonito e me lembrei que ela esteve em um evento recente do Malha (para quem não conhece esse projeto, tem um post sobre ele no blog) e comecei a pesquisar sobre a artista pela nossa conhecidíssima World Wide Web e achei sua trajetória bem inspiradora.

Rafaela Monteiro é uma mineira que começou a fazer seus desenhos para o mundo da moda, só que aquele bichinho danado chamado sonho ficava aguçando sua cabeça até que resolveu trocar a tela para estampar tecidos pela tela para estampar muros. Desde 2014 vem colorindo o Rio de Janeiro, onde vive há mais de 10 anos, com suas ilustrações.

E não é só muros não. Ela já deixou seu trabalho eternizado no teto da Casa de Cultura Laura Alvim, importante centro cultural localizado em Ipanema, e em alguns ambientes do Parque de Madureira.

Em uma entrevista para o Arte sem Fronteiras, Rafa Mon diz que se deixa levar pelas cores e por seu coração militante na hora de criar. As cores vibrantes e os traços retos e curvos, criando mosaicos, são suas marcas registradas. Sua inspiração vem das pessoas e principalmente da natureza e os artistas que elas mais admira são Jeff Koons, Bansky e Shepard Fairey. Você percebe esse estilo mais contemporâneo em suas obras.

Música também faz parte do seu processo criativo e na hora de pegar o spray artistas como Nina Simone, Belchior e Ney Matogrosso têm lugar cativo em sua playlist.

O que achei mais legal é o que Rafa Mon escreveu em sua biografia no Facebook: “Aos 36 anos, me encontrei”. Para se encontrar ela percorreu um caminho repleto de outras profissões. Ela já foi garçonete, produtora de moda, figurinista, estilista e designer gráfico, até que acreditou que poderia ser uma artista e com coragem, dedicação e muito amor está trilhando esse mundo.

Ainda não tive a oportunidade de esbarrar em uma arte de Rafa Mon mas com certeza vou ficar de olhos bem atentos. Será uma visão incrível. Sabendo agora de sua história será algo bem bonito de se ver e admirar. 🙂

No site de Rafa Mon você confere mais trabalhos do artista.

Assim é a Vida: #EuVi

Bárbara Gaia

8 de dezembro de 2017

“Se a vida te der limões, faça uma limonada”. Quem nunca escutou essa frase quando as coisas não acontecem como esperado? Acredito que para o filme Assim é a Vida seria o subtítulo perfeito.

Contar com imprevistos é algo que a gente deve incluir em um planejamento mas Max não contava com tantos deles em um único dia. O organizador de festas estava preparando tudo que era necessário para um importante casamento, que iria acontecer em um suntuoso castelo francês do século XVII, e tudo que poderia dar errado, deu.

A comédia francesa (adoro comédias francesas!) mostra um olhar dos bastidores e todo o malabarismo que Max teve que fazer para resolver todos os perrengues. Incidentes como uma falta de luz foi nem de perto o maior dos problemas. O maior desafio para ele estava em “resolver” as pessoas de sua equipe.

Cena de Assim é a Vida (C'est la Vie!)
foto: reprodução

Adele, sua assistente tem o pavio curtíssimo e qualquer sinal de fumaça é suficiente para ela provocar um incêndio. James, o DJ/cantor da banda é egocêntrico e parece estar sempre à procura de confusão. Julien, cunhado de Max, é um ex-professor que aceitou ser garçom naquele dia para ganhar um extra mas não contava que a noiva era uma ex-colega de trabalho (e que ele era secretamente apaixonado). E também tem o fotógrafo, Guy, um cara folgado que além de ficar se empanturrando com a comida da festa, não suporta ver quem está tirando fotos com o celular e parte pra briga, se preciso.

São vários temperamentos, sentimentos e vontades diferentes que Max tem que lidar e que para piorar está passando por dificuldades em seu próprio casamento, que não está indo muito bem.

Cena de Assim é a Vida (C'est la Vie!)
foto: reprodução

Assim é a Vida tem aquele humor leve e focado na psique humana que tanto gosto nos filmes franceses. No começo você não dá muito pelo filme mas ele vai crescendo à sua frente e o final, apesar de ser um tanto quanto previsível, faz você sair do cinema com um sorriso no rosto.

Se você ainda está em dúvidas sobre Assim é a Vida, cujo título original é C’est La Vie (nada mais apropriado), o longa foi feito pelos mesmos criados de Os Intocáveis. Caso ainda não tenha visto esse filme também, veja. Vale a pena. Assim é a Vida tem estreia nos cinemas brasileiros no próximo dia 14 de dezembro.

O inesperado sempre vai fazer parte até porque a nossa vida não é um roteiro ensaiado. E se ela não tem script, quem sabe improvisar acaba se dando bem. 😉

Esses últimos 2 anos estão sendo bem ricos para os meus ouvidos. Estou tendo a oportunidade de conhecer novos sons e me surpreendido com o fato de estar curtindo muito essa novas descobertas. O Bixiga 70 foi uma delas.

Bixiga 70
Foto: facebook.com/bixiga70

A música desse grupo paulista foi apresentada para mim por um amigo e passou a fazer parte da minha playlist de concentração no trabalho. Eu explico.

Quando você está em uma sala com muitas pessoas é mais que normal que essas pessoas conversem entre si. Eu também conversava. Mas quando você tem zilhões de tarefas para cumprir, fica complicado. Aí nessa hora eu colocava a minha playlist de música instrumental para ajudar na concentração.

Bixiga 70
foto: facebook.com/bixiga70

Se eu preciso fazer algo que requer muito da minha atenção e coloco uma canção no Spotify acabo viajando na letra. Para isso conto com uma playlist esperta de música instrumental e algumas das faixas do Bixiga 70 estão inclusas. Só um aviso: esse som pode tanto relaxar, quanto concentrar, quanto fazer você sair dançando por aí se levando na percussão, trombone, trompete, sax e afins.

A lista de membros da banda é extensa: Décio 7 (bateria), Rômulo Nardes (percussão), Gustávo Cék (percussão), Marcelo Dworecki (baixo), Mauricio Fleury (teclas e guitarra), Cris Scabello (guitarra), Cuca Ferreira (sax barítono), Douglas Antunes (trombone), Daniel Nogueira (sax tenor) e Daniel Gralha (trompete).

O nome Bixiga 70 vem do encontro desse coletivo na gravadora Traquitana (amei esse nome!), que fica no número 70 da rua Treze de Maio, de que bairro? Bixiga claro!

Essa galera toda se juntou em 2010. A ideia veio depois que um dos integrantes, o Décio 7, foi convidado para fazer a bateria e percussão de uma faixa para um projeto de Mauricio Flery com o trompetista de Chigaco, Ben Lamar. Todos curtiram tanto o groove que criaram, que a decisão foi quase que unânime: montar uma banda que celebre os arranjos, riffs, melodia e beats. Onde todos os elementos de base ganhe destaque, sem letra, nem vocalista.

O groove musical desta pequena orquestra vem um pouco da África, da América Latina e claro, do Brasil. O afrobeat e o jazz se tornam uma mistura em perfeita harmonia. As influências são muitas: a música malinke, do músico e ativista político nigeriano Fela Kuti e do etíope Mulatu Astatke e grandes nomes da nossa música como Gilberto Gil, Luiz Gonzaga, Baden Powell, Hermeto Pascoal e  Chico Science.

The Copan Connection: Bixiga 70 meets Victor Rice

 The Copan Connection: Bixiga 70 meets Victor Rice
capa The Copan Connection: Bixiga 70 meets Victor Rice

O último álbum da banda, lançado em 2016, contou com a participação do produtor Victor Rice que pegou músicas do álbum III, de 2015, e criou uma nova sonoridade a lá Jamaica com o dub music.

Eu fui atrás para conhecer mais sobre o dub music que confesso não sou muito familiarizada. O estilo, que anteriormente comentei que vem lá da Jamaica, é do final da década de 60 e faz uma nova variação do reggae, intensificando os sons da bateria e baixo. Sua base é bastante utilizada, até hoje, especialmente no cenário do rap.

Aí eu fui perceber que realmente tem uma diferença entre as músicas do álbum III e do The Copan Connection. A música 100%, minha favorita, no álbum de 2015 começa mais suave com violão e o som de metal dos triângulos. Lembra até um pouco o ritmo do forró.

Já na versão produzida por Victor Rice ela já vem forte no som do trombone e de uma bateria que você escuta ao fundo e depois ganha destaque ao longo da faixa. Nas duas versões a bateria é bastante ouvida mas na versão de The Copan Connection ela vem com uma pegada mais forte, como se fosse a protagonista da música.

Vou deixar aqui a playlist dos dois álbuns para você comparar os sons. Dá para perceber em III uma pegada mais brasileira e em The Copan Connection algo mais jamaicano e latino. Tire sua conclusão ouvindo os dois. 😉

Se você estiver em São Paulo pode ter a oportunidade de conferir de perto o som do Bixiga 70 no Baile do Bixiga no Mundo Pensante, que vai acontecer no próximo dia 16. O link do evento é esse aqui.

Jazz, afrobeat e a nossa musicalidade brasileira? Você precisa ouvir isso! 🙂

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Bárbara Gaia

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