Let them all talk

Bárbara Gaia

17 de setembro de 2021

Existem atores que conseguem fazer com que os filmes fiquem realmente bons. Meryl Streep é uma dessas atrizes. Eu posso dizer que a grande maioria das produções na qual ela fez parte e eu assisti, eu gostei. Let them all talk, longa metragem que está na HBO Max, foi um desses exemplos.

Let them all talk
imagem: divulgação

Uma breve sinopse

Meryl Streep faz o papel de Alice, uma escritora que vai receber um prêmio muito importante, em um evento na Inglaterra, mas que por ter medo de avião à princípio recusa o convite. Depois da sugestão de sua editora de ao invés de ir de avião ir de navio, em um cruzeiro, ela aceita com uma condição: levar duas amigas suas, de longa data, e seu sobrinho.

Uma dessas amigas se chama Susan que no primeiro momento não tem certeza se quer ir por receio de deixar o seu trabalho voluntário mas seu filho a convence para dessa vez ela pensar nela e ter a oportunidade de relaxar. A outra amiga, Roberta, é uma vendedora de loja que já não aguenta mais lidar com os perrengues do seu trabalho e também com sua chefe, que é bem mais nova que ela, e aceita na hora.

Tyler, o sobrinho, está bem perdido na vida e Alice vê nessa viagem a chance dele conhecer o mundo literário e o chama para ser seu assistente. A editora também está nesse cruzeiro e vê em Tyler a ponte para que ele convença sua tia a terminar o segundo livro do seu best-seller, apesar de Alice já estar cansada da história e se vê sempre com um bloqueio criativo.

Esse livro, aliás, foi a principal causa do afastamento de Roberta com Alice e ao longo da trama você descobre o porquê e se há ainda esperança da amizade dessas três mulheres, que começou na juventude, ser reestabelecida.

O que eu achei de Let them all talk

A história gira em torno do dilema dessas três amigas e como a honestidade e o perdão são importantes ingredientes para manter uma amizade por muito tempo. Eu achei bem irônico que apesar de Alice ser uma escritora ela não consegue se comunicar e dividir seus sentimentos. Também fala de como uma mágoa pode influenciar o seu presente e trazer consequências para o seu futuro se ela não for resolvida.

Let them all talk é um drama que foge do clichê através de seus diálogos sinceros e traz uma brecha para um olhar ao comportamento humano, nossas expectativas, presunções, frustrações e e especialmente, sobre perdoar o outro e a si mesmo para se libertar.

Também traz um elemento surpresa que quem assistir até o final vai ficar pasmo(a) como eu fiquei. E claro, esse final teria que contar com a sensibilidade e o talento de Meryl Streep.

O Salmão da Dúvida

Bárbara Gaia

24 de agosto de 2021

Eu não lembro, exatamente, quando comecei a me interessar pelos textos de Douglas Adams. Acredito que tenha sido após eu assistir à versão cinematográfica do livro O Guia do Mochileiro das Galáxias. O Salmão da Dúvida, o livro que vou contar brevemente daqui a pouco, foi uma grata surpresa e vou explicar o porquê.

Eu ganhei de presente de aniversário da minha irmã o box completo da série de O Guia do Mochileiro das Galáxias, com os outros títulos que terminaram de falar sobre a saga interplanetária de Arthur Dent de impedir que a Terra fosse demolida, para dar lugar a uma via expressa hiperespacial.

O último livro que está nesse box se chama O Salmão da Dúvida e fiquei confusa, porque eu já tinha lido o final de toda essa aventura. Quando eu li a orelha, entendi o porquê e confesso que fiquei meio tristinha, no começo. O Salmão da Dúvida era um compilado de outros textos escritos por Douglas Adams, que veio a falecer ainda jovem, com 49 anos, vítima de um ataque cardíaco.

Vamos à sinopse

Bom, na verdade, não tem beeeeeeem uma sinopse porque, como falei é um compilado de textos de Douglas Adams publicados em veículos de comunicação, outros não-publicados pelo autor e dez capítulos de um novo romance de sua série Agência de Investigações Holísticas Dirk Gently, que não chegou a ser terminado, infelizmente, devido ao seu repentino falecimento.

Em mais de 300 páginas (que passam em um piscar de olhos!), você vai encontrar algumas histórias de infância de Adams, entender mais sobre sua paixão por biologia e tecnologia, seu estilo de escrita sarcástico e reflexivo, fruto de seu lado roteirista de esquetes e por ser fã de Monthy Phyton, descobrir a saga que foi transformar O Guia do Mochileiro das Galáxias em filme e seu lado protetor da natureza, onde até já participou de uma escala ao Monte Kilmanjaro, no Quênia, para uma campanha de preservação dos rinocerontes.

O que eu achei de O Salmão da dúvida

Acredito que meu julgamento não seja imparcial por eu ser fã de Douglas Adams mas achei o livro uma boa tentativa de mergulho na mente deste autor que até então não era tão profunda para mim. Eu pude compreender mais sobre porque ele escrevia do jeito que ele escrevia, que era fruto de um grande conhecimento em ciência e inovação (que explica muita coisa da série O Guia do Mochileiro das Galáxias) e das conclusões que ele tirava da vida, vindas de experiências pessoais.

Apesar de cada texto não ter uma continuidade com o outro, você percebe uma conexão entre tudo, no final. As escolhas bem orquestradas para formar esse compilado é realmente uma viagem nos anos que Douglas Adams passou aqui na Terra, tentando desvendar seus mistérios ou apenas seguir com o fluxo.

A escrita de Adams sempre deixava com aquela pulga atrás da orelha, especialmente no que se referia ao modo do ser humano ser do jeito que ele é, pensar do jeito que ele pensa e acreditar nas coisas que ele acredita. Com o seu bom-humor característico ele convidava as pessoas a lerem algo divertido mas que, no fundo, era mais um convite àquela boa e velha reflexão sobre a vida, o universo e tudo mais.

Se você conhece e gosta dos livros de Douglas Adams, leia O Salmão da Dúvida. Se não conhece, leia também.

Como hackear o seu chefe

Bárbara Gaia

20 de agosto de 2021

Os streamings, como a gente sabe, deve ter mais 90% de suas produções audiovisuais vindas de outros países sendo que os Estados Unidos tem uma enorme fatia desse bolo. Então quando eu vejo uma produção nacional que faz bem o papel de entreter, fico feliz em comentar sobre ele aqui no blog. Foi o caso do filme Como hackear o seu chefe.

Como hackear o seu chefe
foto: divulgação

Vamos de sinopse!

Empresas que continuam engessadas, seguindo o mesmos padrões de décadas atrás mas que quer mostrar para todo mundo que é inovadora e atualizada, a gente vê aos montes, especialmente aqui no Brasil. Victor, o protagonista do filme, trabalha em uma empresa assim.

Durante uma reunião, feita por videoconferência, o CEO pede a Victor, e seu amigo de trabalho João, para recriar a apresentação da empresa, passando que ela pensa a frente do seu tempo, porque ele vai mostrar para seus novos investidores no dia seguinte.

Victor não fica nada feliz com a notícia que vai ter que passar a noite fazendo isso (que receber demandas complicadas para serem resolvidas na velocidade da luz é também uma grande característica da maioria das empresas) mas ele começa essa missão quase que impossível. João o ajuda mas, para dar uma descontraída, manda uma apresentação toda zoada, fazendo piada do dono da empresa com montagens e memes.

Victor termina a apresentação, junto com João, e resolve sair. Volta para casa bêbado e no dia seguinte é acordado por João, pelo celular, perguntando porque ele ainda não enviou a apresentação. Com muita ressaca e não tendo muita noção da realidade, ele vai ao computador e envia a apresentação para o e-mail da diretora e do dono da empresa. Só que o que vai é a apresentação que eles fazem chacota do chefe. Agora eles precisam arranjar um jeito desse e-mail não chegar ou é demissão (e um leve processinho talvez) na certa.

O que eu achei de Como hackear o seu chefe

O filme é todo passado pela telas do computador dos personagens, o que não é nada inovador porque já vimos outros filmes fazendo isso, mas achei pertinente porque a gente vai se identificar por conta desse período de quarentena que se extrapolou.

Outra coisa que achei interessante é que eles não inventaram plataformas de redes sociais, videoconferências e mensagens. Os personagens entram mesmo no Facebook (porque eles estão a procura de um hackear para tentar deletar o e-mail na caixa de entrada do chefe e da diretora), fazem suas reuniões via Skype e mandam mensagens pelo WhatsApp.

Também para contar a história de Victor, que ainda está se curando de um amor que não deu certo, vemos fotos, vídeos e outras mídias guardadas por ele no computador e no smartphone. Essa “sacada” para continuar a narrativa do filme sem tirar os personagens das plataformas digitais, faz com que a narrativa não seja quebrada.

Como hackear o seu chefe traz uma história que já foi contada em vários outros filmes mas os atores fazem com que seja uma história surpreendente e acaba prendendo a atenção para descobrir se Victor vai ou não conseguir “desenviar” o e-mail e se, enfim, ele superou o que precisava superar e vai deixar a vida e o seu coração seguir um novo rumo.

Como hackear o seu chefe está disponível no Netflix e acho que pode ser uma boa pedida para um domingo despretensioso, acompanhado sempre com pipoca.

Insecure

Bárbara Gaia

13 de agosto de 2021

Na semana passada eu falei sobre a série Shrill, disponível no HBO Max, e hoje vou dar outra dica de série que também está no mesmo streaming: Insecure.

Insecure
imagem: reprodução

Apesar das duas séries terem temáticas diferentes, elas acabam meio que sendo parecidas em um importante quesito: colocar pessoas que normalmente não seriam as protagonistas das séries nos papéis principais e fazer toda a trama girar em torno delas. E isso, por si só, já valeu para aparecer por aqui, no Checklist da Gaia.

Vamos então de sinopse

Issa tem 29 anos, trabalha em uma ONG, e se vê todo dia enfrentando uma nova batalha por ser mulher e por ser negra. Somado a isso, ela vive em um relacionamento de 5 anos que ficou estagnado, com um namorado que tirou 2 anos para “descobrir o quer da vida” mas até agora não descobriu nada e ela que tem sustentado a casa sozinha, desde então. Nesse meio tempo alguém do passado de Issa ressurge, que faz com que sua vida vire de cabeça para baixo.

Além de Issa, Insecure também conta um pouco a história de sua melhor amiga Molly, uma advogada bem-sucedida que não encontra espaço na firma onde trabalha para ser ouvida e levada em consideração. Somado a isso ela está sempre reclamando de como a sua independência e a sua força assusta os homens, não conseguindo estar em um relacionamento.

O que eu achei de Insecure

Eu conheço 50% do universo de Issa, que é o de ser uma mulher, e já nesse universo há muitos obstáculos e “regras” que “devem ser seguidas” para o convívio nessa sociedade machista em que vivemos. Imagina isso somado ao preconceito racial, que é o outro injusto lado que Issa também tem que lidar dia após dia.

A série fala de um assunto sério de uma forma não caricata e com algumas pitadas de humor, a exemplo de uma característica engraçada de Issa que toda vez que ela quer desabafar ela faz em forma de rap na frente de um espelho, dizendo tudo que tem vontade de dizer.

Insecure também fala sobre escolhas e como a gente acha que tem que cumprir um certo papel para viver a nossa vida mas Issa, aos poucos, vai percebendo que não é bem assim e quer tentar descobrir qual é o seu verdadeiro destino. A série conta sobre a luta, as frustrações e as vitórias na vida de uma mulher negra de 20 e poucos anos de uma forma que faz você ficar entretida mas, ao mesmo tempo, levanta algumas questões que merecem sempre ser levantadas para reflexão e debates.

Na HBO Max você vai encontrar as quatros temporadas, mas existe ainda uma 5ª que não veio para o Brasil. Outra característica que achei bem interessante: cada episódio tem como título um problema que ela precisa enfrentar ou algo que ela está para descobrir.

Shrill

Bárbara Gaia

6 de agosto de 2021

Comecei a essa semana ler um livro sobre conteúdo para marcas, que é área em que trabalho, e nele fala sobre o processo de formação de identidade e como nossas experiências vividas na infância e na cultura em que estamos inseridos podem ser determinantes para a nossa personalidade. Por coincidência terminei de assistir às temporadas de Shrill, no HBO Max, e o que estou lendo faz muito sentido com o que eu vi nessa série.

foto: divulgação

Apresentando um pouco de Shrill para quem ainda não assistiu

Anne é uma moça de 20 e poucos anos, quase chegando aos 30, que trabalha em um jornal impresso local (algo bem raro hoje em dia) e mora junto com sua amiga de longa data. Ela vive um relacionamento bem mais ou menos com um cara que não a assume para os outros e eu também não classificaria como um bom parceiro.

O relacionamento com seus pais é um tanto quanto distante, especialmente com a sua mãe, que desde de criança tenta cuidar do peso de Anne dizendo que é “para seu bem e sua saúde”. Por conta de estar fora dos padrões estéticos impostos pela nossa sociedade tóxica, Anne vive uma luta diária entre seu peso e sua autoestima e acompanhamos essa sua luta a cada episódio.

O que eu achei de Shrill

Shrill seria uma série de drama com boas pitadas de comédia e no começo eu não entendia muito o comportamento de Anne para com ela mesma e para com os outros. Ela é impulsiva, parando para analisar as situações 0,00001% das vezes, e era sempre muito rude com as pessoas que estavam a sua volta, especialmente àquelas que ela tinha uma relação de afeto.

Mas, terminando as duas temporadas, eu comecei a entender o porquê ela é assim e o porquê de sua vida estar estagnada, justamente por conta de tudo que ela passou ao longo vida, ela inconscientemente, ou consciente mesmo, acabava dizendo para ela mesma que nunca será boa o bastante para nada.

Shrill é interessante porque não foca tanto na questão do peso em si. É mais nessa questão de que sua personalidade acaba sendo construída por um acúmulo de coisas vividas e que o processo de auto avaliação e de querer buscar o melhor para si não acontece da noite para o dia. É comum continuar a cometer os mesmos erros, por um momento, esperando que a vida ofereça tudo que sempre quis quando não se oferece nada para ajudar a vida nessa realização.

Mas esse processo de mudança é possível. O primeiro passo é começar a parar de dar valor tanto ao passado para focar no presente. Acredito que Anne vá conseguir e espero ver isso nas próximas temporadas.

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Bárbara Gaia

Aqui você vai encontrar tudo que tenho lido, visto, ouvido e curtido ultimamente. Dicas de livros, séries, filmes, músicas, lugares interessantes e mais. Seja bem-vindo(a) ao meu checklist! ;)